sábado, 9 de outubro de 2010

Pausa

Não tenho tido vontade de escrever, as vezes passo por isso, acho que é normal. Daqui a pouco a vontade volta e eu volto aqui. Acho que trarei boas novidades, inclusive, as coisas estão acontecendo, fluindo bem...em breve conto tudo!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Trabalho em equipe

25 de agosto de 2010

Ontem foi a minha segunda consulta com aquela endocrinologista que comentei por aqui (post: 11 de julho – O Remédio). Cheguei ao consultório levando todos os mil exames que ela me prescreveu. Após verificar e anotar pacientemente cada resultado, ela comentou sobre os riscos aos quais estou vulnerável já que tenho o grau dois de obesidade (não sei se é assim que se fala), o que é péssimo porque só existem três graus, então já viu né? Preocupante! Ela me pesou (eu ainda não tenho coragem de revelar o meu peso) e após constatar que de julho para cá eu perdi 0,0 Kg, decidiu me receitar um emagrecedor. Eu nunca tomei remédio para emagrecer, sempre tive medo, preconceito, sei lá o que e pedi que ela, por favor, me convencesse dos prós do tal medicamento. Fiquei feliz em saber que ele não mexe com o sistema nervoso, ou seja, não vai alterar meu humor ou causar dependência, pois atua diretamente no aparelho digestorio, na atuação das enzimas, e isso me tranqüilizou bastante. Devo tomá-lo duas vezes ao dia e junto a isso continuo fazendo uso das minhas outras medicações (antidepressivos e controladores de ansiedade). Somos praticamente uma equipe, eu e meus remédios.
Nos últimos dias comecei a ver sentido no que diz uma amiga minha: “tudo é uma questão de escolha”, é decisão. Então decidi ser mais precisa quanto aos meus objetivos a dar prazos para eles, logo, não quero emagrecer, quero emagrecer agora, precisamente x quilos, na velocidade que o meu corpo permitir sem que isso me cause danos. Ter procurado uma médica para me ajudar não é nenhuma novidade, já o fiz antes, mas não posso negar, dá um gás, um certo ânimo só em saber que estou recomeçando e que tenho algum tipo de ajuda. Estou otimista tentando não pensar no sofrimento que vai ser, ou no quão trabalhoso, sim, porque não é fácil; só vejo na minha frente o bom resultado. Não vai dar errado porque eu não quero que dê e porque sei que tem tudo pra dar certo, acho que tomei todos os cuidados e a minha parte eu vou fazer, o resto depende da natureza e do universo. Já tenho norral no assunto, como disse, essa não é a primeira vez que embarco no desafio que é tentar emagrecer quando se tem compulsão e outros probleminhas. Vai ser como casar pela enésima vez, você já entra desacreditado as pessoas já se perguntam, "de novo?" Mas ninguém casa pra separar, ou achando que não vai dar certo, o objetivo é ser feliz, é que tudo corra bem apesar das dificuldades que sempre aparecem, das tentações e das crises durante o percurso. Bom, como eu acredito no amor, espero comemorar bodas de ouro!

domingo, 15 de agosto de 2010

Dias Melhores

Ufa! Bem melhor que dá ultima vez, ainda bem. As vezes eu acho que tem alguem me protegendo, cuidando de mim, não sei se posso chamar de sorte. Como sempre, as coisas vão voltando aos seus devidos lugares, tudo vai se acertando. Estou dando a cada coisa o seu peso devido, nem mais nem menos, e portanto, tendo reações mais proporcionais à importância de cada ação. Essa foi uma semana atípica, a moça que nos ajuda em casa está de férias e sua substituta só vem três vezes na semana, resultado, eu sou a mais nova dona-de-casa do momento. Bom, apesar da exploração que rola (minha vó pensa que eu trabalho para ela- kkkkkkk) eu estou gostando. Regulei meu sono, durmo e acordo cedo, estou me sentindo mais disposta, cansada mas feliz. O resto é o resto.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Olhos Vermelhos

Tive uns dias complicados, ouvi coisas duras e maldosas a meu respeito; acho que abalariam qualquer mulher, ainda mais eu. No dia nem fui pra aula, no outro fui, sentei no chão do corredor e chorei, minhas amigas me deram apoio, me disseram algumas verdades e foi muito bom, então...não vou ficar em casa me escondendo dessa vez. Eu fui leal aos meus sentimentos, não fiz nada de errado, me mostrei sem medo e perdi porque não era pra ser, joguei limpo durante todo o tempo e da próxima vez não vou fazer diferente, eu não sei fazer diferente. Sei que não posso exigir tratamento diferenciado, sofro e ainda vou sofrer como todo mundo, não sou um bibelozinho, não vou quebrar. Pra começar vou deixar o papel da vítima de lado, ele não me pertence, não vou sentir pena de mim, não quero que ninguém o faça. Eu preciso me reinventar, já fiz isso nas minhas relações familiares, profissionalmente e preciso fazer isso em outras relações também. Na verdade toda essa confusão está tendo um lado positivo, ela veio para acelerar um processo que ha muito já havia começado então está sendo um catalisador para que eu vire essa página da minha vida. Como vou fazer isso? Não sei. O graaaande plano por enquanto é ir a um show do Capital Inicial.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Abraço

Dia 01 de agosto de 2010
01:21h

Chuvaaaaaa! Eu gosto de dias de chuva, adoro sentir frio. Também adoro o sol, acho que ele melhora o humor das pessoas, mas nada como dormir num dia de chuva, com aquele barulhinho que mais parece canção de ninar; debaixo de um edredom num quarto escuro... Isso beira a perfeição. Estive conversando com dois amigos queridos e comentávamos sobre o quanto dias frios aproximam as pessoas, ficamos buscando calor humano, os abraços são mais longos e aconchegantes. Por falar nisso, eu sempre preferi abraços, às vezes me parece que os tradicionais beijinhos no rosto são dados de maneira muito mecânica, uma espécie de protocolo social a ser cumprido por todos. Eu gosto de abraçar, sentir as pessoas; é mais sincero, não gosto de fazer coisas só para constar. No filme “Crash” (trata de racismo e intolerância) que mostra várias sequências violentas no cotidiano de uma grande cidade (não lembro se NY ou LA) o narrador lança uma tese interessante, ele diz que as pessoas se agridem porque a vida é tão corrida e todos estão tão isolados que a colisão é uma maneira de nos tocarmos, é uma desculpa para mantermos contato. Eu acho que pode ser verdade, eu particularmente preciso de contato com gente e o abraço é um remédio pra suprir essa necessidade; pra que eu não me sinta sozinha e para curar as eventuais angustias. É por isso que eu sempre abraço. É tão bom poder dizer tudo que se sente num abraço. Abraço de saudade, de amor, de pêsames, de desejo, de amizade, de mãe... O corpo fala, um abraço diz tudo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Meu Pecado Capital

Acho sinceramente que todo mundo comete diariamente um tanto de cada pecado capital e que a predominância de uns sobre os outros define e delineia o comportamento de cada indivíduo. A gula, sem dúvidas, é o meu pecado de “destaque”. Estive pensando então, porque diante de tantas coisas eu desenvolvi uma compulsão relacionada à alimentação, à boca? Sim, porque o prazer em comer começa e se encerra na boca, é um estímulo da oralidade, depois da boca acaba o prazer, começam os problemas. A gula tem um tanto de voracidade, é resultado de um conflito interno entre razão e instinto, onde o primeiro perde. Por isso ela meio que representa um retorno à animalidade porque em tese, o homem civilizado tem controle sobre si mesmo e seus impulsos. Mas apesar de ser considerada um pecado, acho que a gula não leva ninguém para o inferno(se é que ele existe), porque ela gera conseqüências imediatas e ninguém deve ser punido duas vezes pela mesma coisa (bis in idem - kkkkk). Écomo um passar mal de tanto fazer bem; dói no corpo, dói no espírito, trás ressaca moral, o castigo não tarda e não falha, o inferno é aqui.

Espelho

Tenho a impressão de que uma única pessoa pode refletir várias imagens. A imagem verdadeira e de fato ( não sei se esta o espelho capta; a imagem que ela quer que os outros tenham dela; a que corresponde à forma como ela se vê e a que retrata a forma como ela é vista pelos outros. Às vezes ouço alguém falando sobre si mesmo e noto que a pessoa não tem noção de que é o oposto do que está dizendo. Pergunto-me então, se ela está dissimulando ou se realmente acredita no que está falando. E mais, será que eu também faço isso? Será que sou uma mentira, tento projetar uma imagem que não é a minha? Não sei, mas gostaria que alguém me dissesse como tenho vontade de dizer a outras pessoas. Outra coisa que me impressiona é a capacidade que as pessoas têm em identificar e criticar o defeito do outro e contrariamente são cegas e condescendentes com suas próprias deficiências. Acho feio quem é desprovido de autocrítica, tenho até pena porque a pessoa não tem como melhorar e evoluir.
É chegada à hora de admitir mais uma fraqueza; eu tenho medo de criticar, de dizer o que eu acho que o meu interlocutor não gostaria de ouvir porque isso me incomoda, trás desconforto, fico com pena da pessoa, não quero magoá-la; é uma espécie de constrangimento alheio. Talvez eu seja uma egoísta, uma pessoa insegura que quer ser aceita e para isso procura sempre ser agradável, quem sabe o que se passa no meu subconsciente? Mas tenho outra hipótese também; por ser muito vulnerável a criticas, fico me colocando no lugar do outro e pensando o quanto eu me sentiria péssima em ouvir tais coisas, sim, porque a depender da forma como a crítica me é feita eu me desfaço em pedaços. Nunca estou preparada para recebê-la porque vivo me criticando então quando alguém além de mim me critica eu fico realmente pra baixo. Com isso não quero dizer que não as aceito; até concordo com elas muitas vezes, acho importante ter amigos que me digam o que preciso, esses são meus melhores amigos, mas levo a questão pra cama, reflito, sofro, revejo meus conceitos e analiso meus princípios. Pode até ser um certo complexo de inferioridade, falta de segurança em mim porque muitas vezes criticar é atirar pedra no telhado alheio e sinceramente, nem tenho telhado.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Toda Forma de Amor

Um assunto delicado, tenho que ter cuidado ao falar, não posso ser vulgar, nem entrar em detalhes ou serei mal interpretada. Preciso falar com sutileza e elegância. Hum...que nome devo usar? Ô verbinho complicado de conjugar, devo procurar a melhor palavra. Nossa como a sociedade moderna é cheia de pudores pra falar de sexo! Não entre amigos, talvez, mas no geral é um assunto delicado. Por que temos a mania de afastar de nós as coisas que realmente nos são naturais? Os instintos mais primitivos? Será que essa civilidade toda nos faz bem? Já ouvi alguém falando que tem inveja dos cachorros porque eles não sabem que vão morrer um dia e por isso vivem despreocupadamente, além de poderem fazer sexo no meio da rua sem serem presos por atentado violento ao pudor.
Mas há pouco tempo descobri que nem todo mundo tem esses instintos. Digo, andei lendo sobre pessoas assexuadas, achei curioso e resolvi pesquisar um pouco. São pessoas que não se interessam por sexo, ao menos a dois. Olha a diversidade em que vivemos! Caiu por terra mais uma ideia absoluta, nem o sexo é uma unanimidade. Pensei em duas coisas, será que conheço alguém nessa condição? (gostaria de conhecer). E outra, o que Freud diria sobre isso, já que para ele tudo gira em torno do sexo? Imagina só, um homem que não prioriza o sexo? Bom, eu achei essa coisa toda muito interessante, na História, pelo menos nas coisas que estudei sobre gênero na época da graduação, não vi notícias sobre essas pessoas. Minto! Li parte de um livro certa vez que contava a fábula de uma jovem moça que engravidou e ainda assim continuou virgem, uma tal de Maria, com todo respeito, heim? Brincadeiras a parte, essas pessoas não são santas, recalcadas ou abstêmias, são completamente normais, levam uma vida como todos. Sentem desejo, até se masturbam mas não direcionam sua libido para outrem, seja do mesmo sexo ou do sexo oposto. Alguns estudiosos afirmam ser esse um problema hormonal, uma patologia. Claro que não custa ver como andam as taxas de hormônios mas eu desconfio dessa tese científica porque tenho medo que o tratamento dado aos homossexuais (o homossexualismo era visto como doença pela OMS até o início da década de 90) se repita e por isso prefiro acreditar que toda forma de amor é justa e vale a pena, porque sim, vi depoimentos de pessoas assexuadas e elas também amam. Alguns disseram que ao se relacionar com pessoas comuns, quando ainda pensavam estar sozinhos no mundo, questionavam e tinham questionada sua sexualidade e muitos procuravam relações homossexuais para ver qual era, mas não fazia diferença. Mesmo quando em relacionamentos gays eles ainda assim não se interresavam por sexo. Começaram a procurar pessoas iguais, fazer terapia e conseguiram sucesso por vias anônimas como a internet. Hoje, muitos se conhecem e até se relacionam amorosamente, o que deve ser bem mais fácil para eles; mas como ninguém manda no coração imagino que vez ou outra se apaixonem por pessoas que não fazem parte do grupo. Bom, eles são uma exceção à regra e isso deve ser bem difícil, mas a cada dia que passa, eu me convenço mais de que cada um tem que buscar sua felicidade da forma que for possível, se respeitando muito, sempre!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Manual

Li um livro muito bom e bem humorado que deveria ser distribuído à todas as mulheres desde o jardim de infância, e continuar nas nossas cabeceiras até aprendermos de cór; seria, inclusive, um bom substituto para os irreais Contos de Fadas pois assim economizaríamos muito tempo, sofrimento e massa cinzenta. Não sou do tipo que gosta de livros de auto-ajuda (nada contra quem gosta) mas, cá entre nós, esse tem uma extraordinária função prática: Ele não está tão afim de você assim, o nome já diz tudo. O livro fala do quanto nós, mulheres, vivemos teorizando a respeito do que dizem e fazem os homens, procuramos constantemente sinais de que eles estão afim de nós ainda que suas atitudes digam o contrário, são desculpas que inventamos para não enfrentarmos o óbvio, ele não está afim. Então se não telefonam, não nos procuram, não assumem um relacionamento sério ou outra coisa típica, logo bancamos as loucas e criamos motivos; ele não tem tempo, quer ir devagar, não quer estragar nossa amizade, ainda não está pronto, é muito tímido – e o que mais nossas cabeças imaginarem. Enfim, sempre achamos que estamos diante de uma exceção ou que nós somos a exceção.
Ora, um homem apaixonado se declara explicitamente, liga, aparece, termina com a outra, dá qualquer jeito; não fica enviando sinais vagos, é objetivo e demonstra o que sente. Quando não gosta, no entanto, prefere perder um braço a se indispor com uma mulher, e é aí que a comunicação fica truncada porque eles geralmente não falam isso diretamente e nós entendemos como nos convém e acabamos perdendo muito, muito tempo.
Para que ficarmos procurando desculpas se podemos procurar um outro homem?
Bom, eu já sabia disso, só não escrevi um livro genial sobre o assunto, mas, objetivando uma maior credibilidade, acho que vou xerocar o tal livro e distribuir entre as minhas melhores amigas para que algumas delas, como diz o autor, parem de cansar a beleza. rsrsrsrs
Ah! Tem também o filme (homónimo) baseado no livro, muito bom, elencão!

Televisão

Assistindo ao Programa do Jô dia desses, dei muita risada com o blogueiro Flávio Ferreira que assume o papel de uma mulher recém convertida e escreve notas moralistas sobre as celebridades no blog Deus é Mas (ela escreve assim mesmo) É burra em cristo, como diria kkkkkkk. É uma mulher que já fez de tudo na vida e que hoje evangélica, se sente com a capacidade e o dever de julgar as pessoas do meio artístico, MUITO ENGRAÇADO! Vale a pena conferir.

domingo, 11 de julho de 2010

Quando o amor termina...

Eu escrevi um texto que fala sobre como começa um amor; ia publicar agora, mas resolvi postar esse primeiro, falando do fim de tudo. Particularmente acho que esse é um momento triste, fica um vazio, deve ser parecido com o que as mães dizem sentir após um fim de gestação, sim, porque sentir amor é como carregar alguém consigo pra todo o lugar, é um sentimento que te preenche e te faz companhia da hora em que acorda até a hora de dormir, isso quando não povoa seus sonhos... Então quando o sentimento vai morrendo dentro de você, fica um vazio, e até uma saudade do tempo em que o coração disparava por alguém; comigo é assim. Deixar de amar alguém é não sentir aquela necessidade louca de estar junto, é não achar mais tão interessante desvendar os mistérios daquele ser, não tem mais aquela magia,as complexidades e idiossincrasias da pessoa te despertam impaciência e um tanto de irritação. É um desinteressar-se aos pouquinhos. Você olha e já não sente o impulso de beijar aquela boca ou sentir aquele abraço, não como antes. Eu fico triste ao perceber que estou nesse processo porque é quando começo a racionalizar as coisas e a me perguntar: Por que amei e muito, e tanto?
É triste, ou não? Mas é claro que esse “final de gestação” tem seu lado positivo, seu propósito; não deixa de significar LIBERDADE, porque agora que você rompeu emocionalmente com alguém, um novo amor pode chegar e tudo recomeçar.

Santa TPM

Menstruar pra mim nunca foi uma coisa fácil, sempre senti muitas cólicas e dores de cabeça mas ultimamente ela tem me trazido felicidade porque é quando ela chega que acaba a minha TPM. Sabe que esqueci que isso existia? Ao perceber minha inconstância, fases do mês em que choro, fico hipersensível; achei que tinha relação com a depressão, me preocupei, até porque dias depois lá estava eu, sorridente e animada...Comecei então a escrever no meu Diário (é, eu ainda tenho um) como estava me sentido todos os dias, tipo: Feliz e bem disposta ou Impaciente e nervosa, e com isso criei um calendário, uma espécie de mapa emocional (será que isso existe?) Registrei essas observações por três meses e... Surpresa! Esses comportamentos se repetem todo mês, mais ou menos no mesmo período. São basicamente três fases: Irritação, Sensibilidade e Reclusão (sempre nessa ordem). Então, quem já me deu colo em momentos sensíveis ou já foi vítima da minha irritação, desculpe, acabei de descobrir que tenho uma TPM daquelas! Juro que vou me cuidar, com URGÊNCIA! Também não estou mais me agüentando. kkkkkkkkk Mas que bom que não é depressão, é só uma questão hormonal e tem jeito. Será que com quase trinta a TPM vai piorando? Vou investigar.

O Remédio

Fui à uma endocrinologista essa semana. Adorei a consulta, uma médica excelente; examinou tudo, quis saber da minha vida toda, me passou uma bateria de exames,o que me fez entender porque tive que esperar mais de três horas pra ser atendida. A espera valeu! Dentre todas as coisas que conversamos uma coisa me chocou: contei que suspendi meus remédios por conta própria porque estava me sentindo um pouco dopada e sem concentração para ler e estudar. Foi aí que a médica me perguntou qual era essa tal medicação e se surpreendeu quando lhe falei. Segundo ela, o tal remédio compromete a memória, a concentração e deixa o paciente aéreo (coisa que já sou naturalmente) e prejudica o raciocínio lógico. O pior é que o médico que o prescreveu não me disse nada sobre esse efeito colateral e eu fiquei muito preocupada porque percebi que estava ficando meio idiota (no sentido técnico da palavra). Mas que bom que percebi, segui minha intuição e parei. O problema é que os médicos muitas vezes não vêm o paciente como um todo; analisam a parte, resolvem com fortes doses de remédios o sintoma do qual você se queixa sem pensar que seus efeitos colaterais podem gerar problemas ainda maiores no cotidiano do indivíduo. Eu tenho uma vida, estudo, contas, relações e não posso ser reduzida a uma paciente de forma pontual, tenho que ser vista como um todo(eu e todo mundo, é claro). Mas agora está tudo bem, parece que essa médica entendeu as minhas questões, vamos ver!

São João

Esse mês, todo mundo que me encontrou perguntou como foi o meu São João. São João? Pra mim não aconteceu. Mas não estou reclamando, fui eu quem quis assim e foi exatamente como pensei que seria: dias tranqüilos e muito produtivos. Agora vem a tão desejada viagem de que já comentei por aqui.
Eu ando pensando a respeito de várias coisas, principalmente no que tange algumas relações que estabeleci e cheguei a conclusão de que preciso sacudi-las. Eu poderia fingir que não estou vendo nada e continuar num “lugar confortável” sem questionar o que venho percebendo, mas isso me incomoda e não vou fazê-lo, então prefiro jogar tudo pra cima e o que continuar é porque vale a pena.
Ah, foram dias de estudo e muito, muito FUTEBOL!!! Adoro assistir aos jogos da Copa, preenchi as tabelas e fiz contagem de pontos, uma delícia! Pena não ter dado para o Brasil. Incrível a alegria do povo sul africano, nem parece que vivem tantos conflitos devido ao recente fim do Apartheid. Lembro de ter chorado compulsivamente certa vez com um documentário sobre o regime de segregação ao ver uma criança negra numa escola sem estrutura alguma como cadeira ou mesa escrevendo com um pequeno pedaço de giz. Ela estava de cócoras, inclinada por sobre uma minúscula lousa, pois deveria aprender desde cedo a posição de reverencia aos brancos e era obrigada a ficar daquela forma por horas, devia ter cinco ou seis anos . É louco pensar que isto e outras tantas barbaridades foram colocadas em lei e que ainda hoje a maioria dos brancos da África do Sul querem o retorno desse sistema. Bom, o esporte mascara essas coisas, pela TV só vejo os sorrisos e as tais vuvuzelas. Isso tem um lado positivo, pois dá um pouco de alegria àquele povo e mostra que a África não é só Deserto, Savana e Somália. Pena que ao mesmo tempo oculte do mundo os problemas que eles enfrentam todos os dias. Tento imaginar: se a escravidão no Brasil acabou a mais de cem anos e suas marcas ainda são tão perceptíveis no nosso cotidiano, façamos idéia do que é ser negro na África do Sul apenas 15 anos após o Apartheid.
Eles ainda precisam de nuitos Mandelas e Winnies.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Sumiço

Sem internet e PC fica impossível escrever e postar. A boa notícia é que estou agora acessando do estágio no Balcão de Justiça! Muito feliz por entrar em contato com o Direito na prática, é uma conquista importante pra mim.
No geral as coisas estão indo bem, correria estudando para as provas,tentando recuperar o tempo perdido. Passei o semestre me perguntando quando iria "cair a ficha" de que o ano letivo já havia começado e a resposta é: Como uma típica pessoa que funciona a base de pressões, só agora, nos últimos minutos do segundo tempo, me dei conta disto e estou estudando muito para conseguir dar conta de tanta coisa. Por enquanto está dando.Gosto de períodos produtivos em que estudo concentrada e consigo ver um resultado positivo imediato.
Esse ano de 2010 demorou pra "acontecer" na minha cabeça, só agooora estou sentindo o ano. É que entrei nele com muitos questionamentos e duvidas trazidas do ano anterior, ou seja, preciso me adiantar porque todo o mundo está na minha frente e ando atrasada, tá na hora de chegar ao presente. Estou quase pronta.(rs)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Na flor da Idade!

Não que eu me ache velha, mas às vezes me pego admirada com certas modernidades. E já vem aquela frase típica que ouço minha avó falar: Na minha época, ou, no meu tempo, era diferente...
As coisas mudam rápido, é fácil se sentir obsoleto, antigo, careta ou velho, pelo menos para mim. Tem coisas com as quais não me acostumo, mas que é extremamente natural para as gerações atuais, quer dizer, essa é a minha geração (eu acho), mas com tantos modismos surgindo a todo o tempo, é muito fácil se desatualizar e eu não ando lá muito "antenada", como dizem.
Minha psicóloga costumava dizer repetidamente, durante todas as sessões, que eu era muito jovem, e que estava na flor da idade. Eu adorava ouvir mas recebia suas palavras com certa desconfiança. Mas começo a achar que realmente é verdade.
Parando para refletir, vejo que hoje posso fazer quase tudo, conversar sobre tudo. Não tenho limites, me sinto mais segura. Descobri que vergonha e orgulho não me levam a lugar algum, pelo contrário, me paralisam. Atualmente ouso mais, digo mais o que penso, me arrisco, tenho autonomia para um monte de coisas que antes não tinha. Pelo menos para mim tem sido uma fase mais confortável da vida, em que eu não me sinto tão deslocada. Essa deve ser a tal da flor da idade!(rs)
Ah! E quanto às modernidades das quais falei? Preciso dizer que de algumas eu gosto. (risos)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Posso Errar?

Recebi o seguinte e-mail da minha psicologa e resolvi postá-lo aqui :)

Gostei, lembrei de vc e repasso.
Beijos,
Zezé.

(texto em anexo)
Posso Errar?
Por Leila Ferreira

Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção era usar o dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel. Opção? Maneira de dizer. Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”. Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e... Surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes — tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?

O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi “certo” até colocar a aliança. O que faz surgir outra pergunta: certo até quando? Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de “nada a ver”, vão ficando e, quando você se assusta, está casada — e feliz — com um deles.

E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para “errar”.

Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado, mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo”. Sem entrar no mérito da questão — da traição ou do cigarro —, concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar.
Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado.

O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que
pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios —
tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos”. O certo ou o “certo” pode até ser bom. Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso.

Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro Mulheres – Por que será que elas..., da Editora Globo.

Viajar

Ai que vontade de sair pelo mundo com uma mochila nas costas! Nada me impede, não tenho filhos ou amarras, faria apenas alguns comunicados e tudo bem, mesmo que eu não o faça, me agrada a sensação de estar livre para tal. Aliás, tenho pensado muito nisso. Pegar uma estrada, conhecer ou rever lugares. Estive conversando essa semana sobre o prazer de preparar uma viagem, arrumar as malas, planejar coisas, curtir o trajeto, chegar lá...Ir é sempre melhor que voltar, tudo é surpresa, são muitas possibilidades mas a volta também me dá prazer. Ando tentada, de repente faço isso sozinha no São João ou num próximo feriado mesmo porque tenho experimentado o prazer da minha companhia, a paz de estar sozinha sem medo. Claro que é sempre melhor estar na presença de amigos, mas na falta deles não é para mim um sacrifício ficar comigo.
Tenho inúmeros projetos de viagens guardados na minha mente, adiei alguns quando decidi voltar a fazer faculdade, mas não desisti de nenhum. Espero poder realizá-los, todos. Anseio por liberdade, uma vontade de sair por aí de carro com uma trilha sonora escolhida a dedo, rindo, chorando, gritando (conforme a minha vontade)... Colocando tudo pra fora. Penso em certos lugares, provar certos sabores, sentir emoções diferentes, tanta coisa que meus olhos nunca viram!

À flor da pele

Um dia desses...

Às vezes tenho vontade de desistir de tudo, de mim, porque tudo, cada coisa na minha vida demanda muito esforço, nada vem facilmente e de vez em quando me canso e tenho vontade de só ficar no meu quarto e não fazer nada mais. Como diz Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, mas algumas vezes vejo mais dor.
Faz quase um mês que parei de tomar os meus remédios para o Pânico e a Depressão, já é a quarta vez que faço isso. Uma loucura, o meu médico disse que quando eu quisesse parar a medicação, teria que pedir a ele para ir diminuindo a dosagem aos poucos porque os remédios são fortes demais e não podem ser interrompidos abruptamente. Mas é sempre a mesma coisa, após um tempo de disciplina, fazendo tudo certinho, começo a me sentir bem por um longo período, me sinto estável, tenho a impressão de que estou curada, começo a “esquecer” dos remédios e paro. O problema é que as conseqüências não demoram a aparecer: fico muito sensível, com o choro fácil, instável, começo a sentir palpitações, umas tristezas e uma angústia terrível.
Claro que ninguém tem como adivinhar que estou sendo irresponsável com a minha recuperação, não estou bem e que por isso estou supersensível. As pessoas continuam agindo como sempre, mas eu me magôo como nunca! Claro que não é de forma consciente, dessa vez só percebi os efeitos da interrupção do tratamento quando chorei após falar ao telefone com um amigo, julguei que ele estava sendo grosseiro comigo mas depois me dei conta de que não havia motivos para isso, ele não fez nada de mais e eu fiz o maior drama. Fica tão fácil me magoar, estou sensível a tudo. Um tom mais firme, uma palavra dura, um olhar duvidoso conseguem me desestruturar.
Deposito muito no outro mas sei que não posso me sentir emocionalmente dependente de alguém, ninguém está obrigado à ninguém. Preciso aprender a me equilibrar sozinha, sem estar tão susceptível a fatores externos que não tenho como controlar. As pessoas estão vivendo suas próprias vidas e eu também tenho que fazê-lo. Carinho não é coisa que se peça, atenção não é coisa que se cobre, as pessoas dão ou não, naturalmente, depende do que têm pra oferecer a você e eu preciso aceitar o que cada um pode me dar. Tenho que me acostumar e seguir o meu caminho.
Esse post está confuso como eu (kkkk) mas garanto que aqui existe alguma lógica. Eu tropeço, caio muitas vezes, mas sei exatamente o que fazer para me reergue, acho que isso ajuda. É difíci, mas não é impossível e estou tentando fazê-lo mais uma vez, só não quero e não posso desanimar. É hora de começar a análise, voltar a tomar meus remédios e parar de buscar coisas ou pessoas em quem me apoiar. Mãos a obra!

sábado, 29 de maio de 2010

Um mês

19 de maio de 2010


Aniversário do blog! Não tem como não parar um pouco e avaliar os últimos trinta dias. Posso dizer que apesar do seu pouco tempo de existência o Quasetrinta já produziu efeitos variados e muito significativos em mim. Eu já chorei de felicidade e de tristeza, ao lembrar de certas coisas, já ri, estreitei amizades e não me arrependi em momento algum. Adoro ler os comentários, sempre fico surpresa quando recebo algum de alguém que nem conheço, é muito bom e quando é de algum amigo me sinto acarinhada e importante. Sempre achei chatas aquelas pessoas que te pressionam a escrever em seus blogs, então quando dei o endereço daqui aos meus amigos disse que não precisavam fazer isso aqui, mas eles fizeram e eu adorei, mesmo que tenha moderado alguns, os tenho guardados numa pasta, com muito carinho, adorei recebê-los! É realmente muita exposição, um despir-se diário do meu lado mais íntimo e isso poderia me causar timidez, mas não causa. Sinto-me leve e recomendaria qualquer um a criar seu próprio blog. Como fiz sem grandes expectativas, tudo que veio para mim foi lucro e confesso, tenho lucrado muito! E se um dia ninguém mais tiver interesse em lê-lo, continuarei postando só pelo prazer que eu sinto em realizar esse blog. É tão meu, sou tão eu, é um espelho em que vejo as imperfeições, tento corrigi-las ou aceitá-las quando não posso. Mas também procuro ver o que está bom e me orgulhar às vezes. É um exercício de melhorar-se. As coisas estão fluindo melhor, estou mais serena, segura e otimista. Tudo está mais claro pra mim, de verdade. Claro que ainda caio, tropeço, fico insegura e até penso em desistir mas no fundo sei que vou conseguir porque não estou sozinha, tenho me sentido acompanhada. Tenho que agradecer. Tenho tantos amigos!
Ainda quero escrever muita coisa aqui, principalmente coisas boas. Quero ficar cada vez mais forte, cair cada vez menos e poder contar sempre com os meus amigos! Obrigada pela companhia!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Segunda Crise

Após a primeira crise iniciei um tratamento sério, comecei a tomar remédios adequados e emagreci muito, tanto que resolvi fazer uma cirurgia de redução mamária. Juntei dinheiro, escolhi o médico, pedi licença no trabalho, fiz todos os exames requisitados e marquei a plástica. Nas vésperas eu já vinha me sentindo muito mal, pálida, fraca, tremendo, palpitações no peito... Lembro que cantava uma música do Jota Quest como um mantra “Ei dor, eu não te escuto mais, você, não me leva a nada. Ei medo...”, no entanto, um dia antes da intervenção cirúrgica, fui fazer uma consulta com a anestesista e no momento que entrei no seu consultório comecei a passar muito mal, uma segunda crise de pânico. Tremia muito e a sensação de que iria enfartar voltou. Eu só conseguia pensar que o meu avô tinha morrido num hospital, naquele ambiente, e fiquei apavorada, era como se eu pudesse me imaginar morta, num caixão e as pessoas comentando o quão torpe foram os meus motivos: estéticos. Saí quase correndo do consultório, senti até alívio, tia Rosa estava lá fora me esperando, fui para casa e no caminho contei que não faria mais a tão sonhada cirurgia. Ninguém acreditou, nem eu, abri mão de um grande sonho por medo e tive que tomar uma dose maior de calmantes aquele dia porque passei a noite toda chorando. Nos dias que se seguiram as pessoas ligavam para saber como tinha sido minha cirurgia e eu mandava dizer que não estava em casa. À convite de tia Marcélia resolvi passar uns dias em sua casa. Ela e sua família me acolheram e evitavam falar no assunto, eu estava muito fragilizada, foram dias tranqüilos - de refúgio. Fomos ao Shopping, comprei roupas para mim e fui me acostumando porque teria que voltar ao meu cotidiano e todos veriam que não fiz a cirurgia. Frustração era a palavra, me senti um fracasso, uma covarde e ainda não consegui voltar a sonhar esse sonho.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Charles Chaplin

Eu já gostava muito das coisas que Chaplin escreceu mas li há muito tempo e não conhecia muita coisa além daquele texto "ciclo da vida", que teria dado origem ao filme de David Fincher, O Curioso Caso de Benjamin Button. Mas recentemente um amigo me mandou um texto dele e resolvi revisitá-lo, vou postar aqui um texto com o qual me identifiquei.

" Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante

Primeira crise

Inicio de 2005, meu avô tinha morrido há um ano, eu havia me formado há pouco tempo e estava morando em Salvador, meio que tentando me achar, retomar antigas amizades, ter tempo para pessoas importantes mas muita coisa tinha mudado. Decidida a mudar também, procurei uma equipe de médicos da Promédica (nutricionista, clinico geral e psicólogo) para tratar da compulsão alimentar que tinha gerado uma depressão porque eu não aceitava as mudanças do meu corpo e o que isso implicava socialmente. Ótimos médicos passaram meus primeiros remédios. Um tranqüilizante para diminuir a ansiedade e amenizar os impulsos alimentares e um antidepressivo por causa da minha tristeza que não passava nunca além do desanimo, eu não tinha vontade de sair para lugar algum, só saía para o trabalho.
No mesmo dia comprei os remédios, estava cheia de esperança, e um dia depois, há noite enquanto estava na casa dos meus pais, já de camisola para dormir, comecei a sentir uma dormência no braço esquerdo, depois um formigamento nas mãos, que logo foi passando para o corpo todo, uma queimação do lado esquerdo do peito...Concluí apavorada: Estou enfartando!
Não lembro como, mas meu pai disse que abri a porta, os portões e disse a ele que precisava de um hospital. Tenho plano de saúde mas tinha certeza de que não resistiria até chegar num hospital particular e acabamos indo ao local mais perto de casa , o Hospital Roberto Santos. Fiz meu pai correr muito porque realmente estava passando muito mal, tinha certeza que não sobreviveria. Nem sei como ele não bateu o carro de tanto nervosismo eu só piorava e chorava, pensei em meu avô e tive a nítida sensação de que o encontraria. Foram momentos de muito desespero. Entramos no hospital correndo lembro que o meu pai estava chorando e explicando que era o meu coração.
O médico me olhou rapidamente, me ouviu – lembro de ter pedido para que ele me fizesse uns exames, mas ele chamou a enfermeira e disse que deveria me aplicar uma dose de Diasepam, para quem não conhece, uma substancia forte, calmante, própria para controlar transtornos de ansiedade, e disse que eu não tinha nada, que tudo era psicológico. Alguém tem noção do que significa se sentir muito mal e o médico te olhar e dizer que é tudo psicológico? Eu não acreditei. Questionei o médico, ensaiei uma discussão mas cedi e aceitei tomar a injeção. O hospital ligou para a minha mãe a meu pedido já que na hora do desespero não esperamos que ela acabasse de se arrumar e a deixamos em casa sem entender nada fomos rápidos. Não sei quantos anos meu pai envelheceu com esse episódio, eu nunca me senti tão perto da morte, não sei o que minha mãe pensou durante os segundos em que o hospital ligou para ela antes que falassem que eu estava bem. Mas difícil seria contar as novidades a eles no dia seguinte.
O médico estava certo, era tudo psicológico, mas se engana quem pensa que isso torna os sintomas menos reais, eu senti TUDO, não inventei, não aumentei. Tive uma crise de pânico, e durante a consulta com a médica que vinha me acompanhando, Dr. Vânia, logo pela manhã, fiquei sabendo que tinha Síndrome do Pânico. O medo estava de volta a minha vida, fiquei fragilizada com a morte do meu avô mas minha reação só apareceu bem depois.
Comecei a comer para conter meus medos, engordei e adquiri uma compulsão alimentar por causa das dietas para emagrecer e me deprimi porque continuei engordando, com a morte do meu avô os medos voltaram. Tive que procurar ajuda psiquiátrica e para isso, vencer meus próprios preconceitos. Num consultório de psiquiatria, diferente do que eu imaginava, encontramos pessoas comuns como qualquer um que pode estar lendo esse meu texto agora e que por um ou outro motivo foi parar ali. Não são uma porção de loucos e sim gente que precisa de um médico que pode lhe receitar remédios para melhorar sua qualidade de vida. Claro que pensei de tudo, cheguei a me questionar, se estaria ficando louca. Não vou mentir que da uma sensação de ter chegado ao fim do túnel mas depois entendi que loucos ficam aqueles que não expõem seus problemas e não buscam ajuda, muitas vezes chegando cometer suicídio, tamanha a carga que carregam.
Mas eu sou alguém que ama viver, apesar de tudo e estou disposta a qualquer coisa para isso. Não que as vezes eu não caia e desanime. Mas em geral busco qualidade de vida, amor, felicidade e não tenho vergonha de falar sobre as minhas limitações, aliás, depois que resolvo um conflito dentro de mim, dane-se o que pensarem, eu sei do meu estado emocional e estou melhorando aos pouquinhos.
Meu atual psiquiatra é muito bem conceituado, o que me fez deixar o anterior, que era associado ao meu plano de saúde, e pagar suas caras consultas (não me arrependo). Ele disse que sou uma paciente muito interessante pela minha consciência, porque entendo tudo o que ele está falando e que qualquer médico adoraria me ter em seu consultório. Na verdade leio muito sobre os meus problemas, me meto no tratamento, dou sugestões, rimos muito durante cada consulta, choro também, muitas vezes...
A pouco, ele me disse que estou perto de parar com os remédios, que preciso, na verdade fazer análise porque sou uma pessoa com muitas questões a discutir, que provavelmente fui uma garota prodígio e tal, e que preciso deitar no divã de um analista para discutir sobre isso. Quase briguei, quando na última consulta me falou que daria o prazer de me acompanhar para uma amiga dele analista, sinto raiva porque eu falo dos meus problemas e ele age como se eu fosse um ratinho de laboratório. (rs) – Você funciona de maneira muito interessante- me diz, ou: - As pessoas devem adorar você! (risos). Ele é um querido faz tudo parecer simples e me faz achar que tudo vai dar certo, mas estou feliz em saber que em breve não precisarei mais das suas receitas azuis. Só preciso ter disciplina.
P. s. Parei muitas vezes de escrever esse post (4 vezes) porque me senti muito mal e sequer tenho coragem de relê-lo por enquanto. O Pânico foi e tem sido uma experiência muito traumatizante, não desejo isso para ninguém e me apavora a mera possibilidade de passar por esses eventos. Dá medo de ter medo. Hoje, sabendo que os sintomas são psicológicos eu fico mais tranqüila, já conheço melhor as minhas reações e posso controlá-las, tomar um remédio, me acalmar, mas ainda é difícil.

domingo, 16 de maio de 2010

Meu Caçador de Pipas

Ele estava conversando sobre um assunto bastante polêmico do outro lado da roda, não tinha olhado pra mim nem uma vez, e eu, atenta ao que ele falava, aumentei o volume da voz e dei uma opinião ainda mais polêmica. Ele me olhou, respondeu e veio sentar-se ao meu lado. Disse-me então que tinha passado o tempo todo no lugar errado, e perguntou se poderia ficar ali. Eu autorizei prontamente, ele havia chamado a minha atenção desde o momento em que chegou e confesso que nem com muita criatividade eu poderia prever aonde tudo iria parar. Conversamos muito, fomos mal educados, não demos atenção a mais ninguém, nem aos nossos amigos. Olhares, sorrisos, um jogo da verdade e um beijo. Eu pensava o tempo todo: - Eu estou louca, quem é esse cara? Realmente, ele não se parecia com ninguém, com nada. Bonito, muito culto, interessantíssimo (pelo menos para mim), me contou coisas e ouviu muito sobre mim também e repetia: - Não acredito que te achei! (eu achei engraçado).
Não vou mentir, fiquei fascinada por ele. Embarquei no relacionamento mais intenso e louco da minha vida! Acho que namorávamos (risos), porque no dia dos namorados ele me convidou a fazer um amigo secreto, a dois, (foi muito legal). Mas com ele era assim, eu nunca sabia em que pé estávamos, não me sentia segura, era como estar numa montanha russa, um turbilhão de emoções. Tudo aconteceu muito rápido e pela terceira vez eu amei e sei que fui amada. Ele era mais novo que eu, mas me ensinou muito sobre a vida, tinha uma cultura totalmente diferente da minha e a mãe mais querida (rs), apesar da cara de brava.
É difícil pôr um romance em palavras, mas após refletir alguns segundos, pensei num fato que traduz um pouco do meu jeito complicado e do jeito estranho dele de ser. Contei a poucas pessoas, mas sempre que ele me elogiava eu desviava os olhos, sem perceber. Mas um dia ele comentou e perguntou por que eu sempre fazia isso, se era por que duvidava dele e eu respondi que não sabia o porque. Ele então pediu para que eu me sentasse a sua frente pois, tínhamos que conversar a sério. Segurou o meu rosto e começou a fazer certos elogios mas eu me senti ridícula porque não tinha como virar a cabeça e tinha que olhar nos olhos (palavras dele). Eu fiquei envergonhada, irritada é a palavra, irritadinha, diria ele, então lhe disse que não precisava fazer terapia comigo pra melhorar minha auto-estima e o meu comentário o deixou bastante nervoso, ele ficou muito bravo comigo e disse: - Ah, você precisa de um terapeuta mesmo, porque eu acabo de listar o que eu gosto em você, e você acha que estou desenvolvendo um método para elevar sua auto-estima, então temos um problema sério aqui! - Entendi o recado e realmente refleti sobre aquilo, juro que mudei a forma como eu me via e mesmo que ainda não seja a melhor forma de alguém se ver, posso afirmar que já foi bem pior.
O tempo era curto, mas a gente dava mil jeitos e ficávamos sempre juntos, fosse tarde da noite ou durante dez minutos de intervalo entre o meu trabalho e o dele. Seus horários eram bastante complicados, acho que ainda são, e nem esse foi O problema. Mas nossas filosofias de vida sim, elas eram muito diferentes, quase opostas, não gostávamos das mesmas coisas, nem dos mesmos lugares, nem das mesmas pessoas. A única coisa que tínhamos em comum era o nosso “relacionamento”. Eu não cederia um centímetro, ele também não, e chegamos num impasse. Então ensaiamos terminar várias vezes voltamos outras tantas, até que um dia foi pra valer, ele foi transferido para outro Estado temporariamente, e depois ficou em definitivo. Hoje ele mora longe. Eu achei que não suportaria, mas veio o verão de 2008/2009 e o resto todo mundo já sabe.

“ Vermelhos são, seus beijos, quase que me queimam, vermelhos são, seus olhos, languida face!”

Noite

00:55 do dia 11 de maio de 2010

De novo no carro escrevendo. Sono zero, depois da aula fui dirigir um pouco por aí, vi o mar, tomei água de coco e vim para casa (quase). Estou aqui me lembrando do que a minha psicóloga dizia sobre a minha insônia ser uma farsa, que na verdade fico acordada por escolha, para fugir de alguma coisa. Pode ser, não sei exatamente do que, mas sei que me sinto livre. Tem dias em que até fico ansiosa para que a “casa” adormeça.
Adoro a noite, me transmite paz, tem um charme, um mistério, me dá a impressão de que tudo de bom pode acontecer. Tinha tanto medo dela e hoje é o meu “palco” preferido. Nela eu saio me divirto, danço ou fico em casa e penso, escrevo, estudo, produzo. Talvez eu goste tanto da noite porque é a hora do dia em que eu sou mais minha, escolho o que quero fazer, não tem nenhuma “autoridade” acordada (risos), então posso ficar no silêncio do meu quarto ou sair à uma da manhã pra encontrar com amigos num barzinho, não preciso dar satisfações a ninguém.
O louco é ter vontade às vezes de ligar para pessoas, querer contar algo que pensei, ou dizer “eu te amo”, ou uma vontade de andar na praia, deitar e contemplar o céu... Coisas que não posso fazer à noite mas que tenho vontade. Sabe o que seria interessante? Eu gostaria de poder acordar apenas as pessoas que tenho vontade de ficar perto, sair por aí ou ficar conversando com elas. Cada noite iria à casa de um grupo de pessoas, em algumas casas eu sempre iria, em outras jamais. Impossível, eu sei, mas me da vontade. É muita pretensão, mas seria maravilhoso só ter por perto as pessoas que escolhemos.

Na minha cabeça, o dia é o “lugar” das obrigações, da burocracia, da praticidade, da objetividade, enquanto à noite é mais subjetiva, romântica, contemplativa, a hora do prazer, lazer, dos risos, as roupas são mais bonitas, tudo de bom!
Se bem que isso vai mudar brevemente porque pretendo me tornar uma pessoa normal e dormir como todo mundo, então preciso me reinventar e aprender a fazer certas coisas à luz do dia, mas nada que me impeça de assistir algumas madrugadas.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Surpresa Boa!

Madrugada do dia 11 de maio de 2010


Ontem passei a manhã fora de casa resolvendo coisas com minha avó e no começo da tarde a inesperada visita de uma princesinha: Malu veio me ver! Coisa mais linda gotosa da Dinda, tão esperta, grande, risonha, conversou e gritou a beça!
Quase quatro meses! Como passou rápido, Leila. Semana passada escrevi um texto por aqui sobre o que aprontávamos no pensionato numa época em que nós apenas sonhávamos com o futuro e há pouco vi você sentindo contrações e depois ela chegando (é o futuro!)... É linda a forma como a vida acontece, foi tão emocionante pra mim, acho que ninguém fica igual depois de assistir a magia de um nascimento, o começo de alguém. Ainda mais quando esse serzinho é filho de amigos tão queridos que amo tanto, e eu estava lá! Acho que nem te agradeci minha amiga por me deixar participar de um momento tão importante da vida de vocês, nunca vou esquecer daquela madrugada e aquela manhazinha, na janelinha, eu não conseguia parar de chorar. Esperamos tanto, não foi? E os alarmes falsos? (kkkk) Ela só queria vir com tudo pronto e deu tempo! Desculpa pela ausência mas sei que você me entende e sabe que eu estou aqui. Só não vou correndo te ajudar se não souber que você está precisando de mim, do contrário deixo qualquer coisa, brigo com qualquer um e vou.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Grupo de compulsão

Madrugada do dia 18 de abril de 2010.


A obesidade é uma patologia crônica, o gordo é o doente, mas é acusado e apontado por ser o portador. O problema pode ser metabólico, genético, hormonal, psicológico (como no meu caso) ou de diversas outras ordens.
Como muitos que sofrem com o sobrepeso (conforme já contei aqui), eu passei a adolescencia fazendo dietas radicais e proibitivas, logo após a fase em que comecei a substituir o meu medo pela comida. O nosso organismo, no entanto, cria uma saída para compensar períodos em que passamos comendo muito pouco e como no meu caso esses períodos eram longos e freqüentes, o meu corpo passou a estimular de forma natural, a ingestão exagerada de alimentos para compensar as "abstinências". Em resumo, à grosso modo, ocorre um desequilíbrio bioquímico(relacionada aos neurotransmissores), relativamente comum em pessoas que vivem fazendo dietas loucas, que impede que a informação de saciedade chegue até o cérebro, ou seja, não sei a hora de parar. Parece simples? Não é! Tenho Compulsão Alimentar.
Sinto um impulso incontrolável e começo a comer até o desconforto, sem fome, mas sinto muita culpa e raiva de mim mesma durante e depois da crise, então me deprimo muito, porque a sensação é a de que estou me agredindo e é claro que isso me destrói. Apesar disso, o evento volta a ocorrer em poucos dias, a culpa e a depressão também. É uma espécie de ciclo que obviamente leva à obesidade mórbida, na maioria dos casos, e que destrói a auto-estima de qualquer mulher.
Então fico p. da vida se alguém diz, por exemplo, que estou acima do meu peso porque quero ou porque me acomodei, dá vontade de chamar a pessoa num cantinho e dizer o quanto ela é ignorante e o quanto sabe pouco sobre mim. Mas não pode ser assim, as coisas demoram muito a mudar, percebo despreparo ao tratar do assunto com os próprios médicos (alguns) então não tenho o direito de cobrar isso de alguém leigo no assunto, preciso ter paciência mas nunca vou me acostumar. Para a sociedade o gordo é alguém relapso com a saúde e está assim por escolha. Ou seja, além da doença a pessoa tem que carregar consigo um estigma e preconceitos em várias esferas.
Foi nesse contexto que há seis anos, por meio da internet, descobri que Salvador tinha um grupo de Comedores Compulsivos Anônimos que se reunia aos sábados pela manhã na Igreja de Santana do Rio Vermelho. Secretamente resolvi que iria à uma das reuniões. Chegando lá percebi que se tratava de um grupo sério e logo constatei semelhanças com os Alcoólicos Anônimos. Isso me deu um grande alívio porque eu sempre repetia que não me faltava força de vontade, mas que se tratava de uma dependência, um vício e lá encontrei pessoas que me entendiam, aquilo não era coisa da minha cabeça. Intuitivamente eu já havia me diagnosticado.
Durante a reunião do CCA (Comedores Compulsivos Anônimos) senti-me bem acolhida, eu não estava mais sozinha. Ouvi pessoas compartilharem coisas, contarem experiências que deram certo ou não e tudo que é conversado ali fica ali, não sabemos de onde cada pessoa veio mas sabemos que temos algo em comum. Ninguém é obrigado a falar, mas me senti tão a vontade que falei porque estava ali e contei um pouco da minha experiência com a comida. Percebi que vários presentes, balançavam a cabeça afirmativamente me dizendo que haviam passado por aquilo também e isso me trouxe conforto porque às vezes nos sentimos tão diferentes e estranhos no meio em que vivemos que é bom nos depararmos com “iguais”. Eu me senti uma pessoa comum.
Essa, porém, seria a minha primeira e última reunião. Isso porque, assim como no AA, o CCA tem por base do seu método (os passos dos alcoólicos) que cada indivíduo se apóie numa entidade superior e como não sou uma pessoa com uma espiritualidade definida, isso é muito confuso para mim (principalmente a época), então preferi me afastar, porque eu não acreditava nas coisas que lia, pensava em como iria conseguir continuar ali daquela forma e achei melhor sair. Decidi que procuraria ajuda médica, para cuidar da parte química e mais adiante pensaria numa terapia individual para resolver as questões psíquicas.
Mas eu realmente acho que o Grupo pode ajudar muita gente a se recuperar, a filosofia é muito interessante e apesar dos encontros ocorrerem numa igreja católica não existe nenhuma vinculação. A paróquia apenas cede um espaço físico, durante todo o encontro eles falam genericamente num ser superior e cada um direciona a quem acredita. Mas foi uma boa experiência, acho que hoje eu poderia voltar lá, mudei alguns dos meus conceitos, já não sou alguém cético como antes.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ele

Madrugada do dia 08 de maio de 2010


Ontem eu senti uma pontinha de culpa porque o pressionei e está aí uma coisa da qual ele não precisa. Espaço, no sentido mais pleno da palavra, isso sim, não mais alguém que o sufoque. Acho que fui egoísta, eu deveria olhar mais para ele. Fiquei pensando... Porque todos o querem perto? Estamos pensando em como seria bom e divertido para ele ou em como é bom e divertido para nós estar com ele? Cabe a gente ser menos dependente e a ele a liberdade da escolha. Passei um bom tempo pensando sobre isso e conjecturando.
É muito bom ser alvo da admiração de muita gente, mas quando as pessoas se acostumam com o seu padrão de comportamento elas estabelecem um determinado tipo de relação com você e criam expectativas, dependência, e até, porque não dizer, se acomodam e se aproveitam um pouco(ainda que inconscientemente), quando você estava apenas se sentindo bem em fazer o bem. Ser alguém importante pra alguém é bom pro ego, os elogios envaidecem, principalmente porque é própria do ser humano a necessidade de ser querido e aceito, mas ao mesmo tempo isso te engessa porque você fica preso a essa imagem, a esse padrão, estabelece compromissos e acaba pagando um preço alto por tudo isso.
E é de forma natural que Ele se torna alguém necessário na vida da maior parte das pessoas que vai conhecendo e aquela frase que diz que você é responsável por aquilo que cativa, que parece ser coisa de história em quadrinhos, atua de forma implacável. Mas eu não acho que deva ser sempre assim.
Eu sou frágil, tímida, “boazinha”, inspiro preocupações e cuidados em alguns. Ele é forte, extrovertido, genioso, se preocupa e cuida de muitos. Pessoas opostas, numa análise apressada e superficial. Mas a parte visível só mostra dez por cento da realidade.
Hoje sei como temos coisas em comum, fiquei até impressionada pelo fato de termos passado por situações tão parecidas nas nossas vidas, quando nem pensávamos em nos conhecer. É inspirador, no entanto, ver que enquanto eu passei por problemas e cheguei a adoecer diante da dificuldade em lidar com eles, ele soube transformar tudo o que passou em otimismo, cresceu, e se tornou alguém admiravelmente forte. Claro que fizemos o melhor que pudemos, cada um da forma que deu, e acho que no final disso tudo, apesar dos caminhos terem sido tão diferentes, acharemos mais um ponto em comum: tudo vai dar certo para ambos. Somos sobreviventes.
Eu não sou tão fraca a ponto de ser subestimada, ainda estou no jogo, posso conquistar as coisas que quero e se for otimista como ele, posso até pensar em conquistar tudo. Ele não é tão forte a ponto de conseguir carregar os problemas e responsabilidades de “todo mundo” e se for impulsivo como eu vai buscar flexibilizar alguns padrões de comportamento.
Se eu fosse ele, começaria desligando um pouco o telefone, dizendo não mais vezes, sumindo de vez em quando, vivendo mais para mim e me ouvindo mais. Eu espero que ele ainda cometa um pouco mais de loucuras, tome alguns porres, fique sozinho de vez em quando, sinta muita liberdade, tenha um tanto de irresponsabilidade, seja impaciênte com certas coisas e incompreensivo com outras, se descontrole em algumas ocasiões, tenha menos juízo, se apaixone muitas vezes, seja correspondido outras tantas, sofra por amor de vez em quando e sempre tenha muitos amigos generosos.

Essa é apenas uma leitura,não necessariamente uma verdade.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Certos Homens

Eles estão acostumados com certo tipo de mulher que diz uma coisa e pensa outra, que faz jogos e diz que não quando quer dizer sim e sim quando quer dizer não, e eu fico muito irritada quando alguém tenta me decifrar usando esses parâmetros. É muita presunção achar que “mulher é tudo igual”, e que portanto, existem regras que valem pra todas. Acho que isso tornaria tudo simples demais, um tédio. Será que é preguiça de conhecer cada mulher com quem estão lidando?
Eu sou carinhosa com os meus amigos, não tem uma vez que fale com o Jean, por exemplo, e não lhe diga que o amo e não pergunte se ele ainda me ama, ou que fale com Leila e não pergunte por Rui ou lhe faça um elogio pessoalmente, ou não me emocione só em lembrar de Roque que está longe de mim, ou do Tom (saudade!). Sempre converso olhando no olho e sorrindo, mas vez ou outra sou mal interpretada, tudo que tenho a dizer é: se eu estiver apaixonada vou dizer, não vou ficar bancando a amiga, não tenho porque esconder isso!
Hoje o meu primo leu uma carta que escrevi aqui e ficou bobo. Achou o conteúdo forte, e disse que era esquisito como eu tinha essa coragem, como mostrei ao cara e tal. Esta sou eu, não sou muito sutil, se tenho certeza do que sinto eu falo, não consigo guardar, já fui assim um dia e prefiro ser como sou hoje. Mas os homens às vezes se assustam se afastam, não demonstram ter muita estrutura pra isso, não sei do que têm medo.
Essa semana alguém de quem eu não era tão próxima mas de quem gosto, se declarou pra mim, e me disse que já percebeu que eu olho dentro dos olhos dele e que a forma como faço isso ou aquilo é diferente com ele...Enfim, coisas que faço com todo mundo que gosto mas que, segundo ele supôs, faço especialmente com ele. E quando eu neguei qualquer interesse amoroso da minha parte e lhe pedi desculpas se pareceu o contrário, ele disse ser alguém experiente e que conhece as mulheres, que é paciente e que eu só preciso de um tempo pra ter coragem de admitir. Pode? O que eu vou ficar fazendo durante esse tempo?

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madrugada do dia 06 de maio de 2010

Primeiro Amor

Eu achava que já tinha amado antes, mas lembro do momento em que me dei conta de que daquela vez era diferente, não era mais coisa de criança, era sentimento de gente grande. Penso que a mulher não precisa ficar esperando em silêncio que o cara venha até ela, mas ser conquistada tem o seu charme. Ele era alguém muito doce, um querido, foi a primeira pessoa que me chamou de Lua. Tocava violão e literalmente me cantava! (rs)Com delicadeza me dizia coisas que fugiam do lugar comum e da vulgaridade e me fazia sentir a mais bonita e atraente, uma princesa, porque ele agia como se eu fosse a pessoa mais especial do mundo. Nunca um homem tinha me olhado daquela forma. No início eu resisti, mas depois baixei a guarda, fui ficando envolvida, encantada e me apaixonei.
Questionada sobre os meus sentimentos uma vez, eu não sabia como explicar e disse a ele: - Quando ouço seu nome dói no estômago, e ele também me explicou como se sentia em relação a mim (lembro de cada palavra).
Mas eu tive medo de deixar que ele mudasse certas coisas por minha causa e que depois se decepcionasse por projetar tantas expectativas em mim. Hoje posso admitir, não fiquei com ele porque tive medo de enfrentar as barreiras ou de gostar mais ainda e perder depois, medo de sofrer.
Ele fez de mim alguém muito exigente, passou a ser minha referência porque me acostumou mal (rs) portanto, por mais que eu tenha problemas com a minha auto-estima, prefiro ficar sozinha a me envolver com alguém que faça menos que ele.
Acho que só o próprio entenderia com clareza as coisas que escrevi aqui, talvez meus amigos mais íntimos também, mas quem conhece um pouco da minha história sabe que ele existe e o quanto foi importante. Foram muitos problemas e desencontros, mas pelo menos na minha memória só ficaram as coisas boas: as músicas, os olhares, as palavras...
Eu, apesar de nunca ter demonstrado e de ter dito a ele coisas duras, de forma bastante convincente, chorei muito depois e sofri por minhas decisões radicais a respeito de nós dois. Num outro dia quando nos reencontramos e lhe dei um polido aperto de mão como se fossemos meros conhecidos, quis lhe dar um abraço e contar tudo sobre os meus medos e dúvidas, mas a vida passa, não tenho como voltar atrás, não somos mais as mesmas pessoas, não faz mais sentido.
Acho que minha imaturidade nos prejudicou, não ficamos juntos porque eu fui covarde e nem posso explicar muito para não expô-lo aqui, mesmo sem que ele saiba.
Acho que não se deve dar tanto ouvidos às pessoas que estão de fora, melhor mesmo é arriscar, quebrar a cara, mas ter a experiência e nunca se furtar ou se omitir diante de um amor porque raramente acontece, pelo menos comigo - a não ser que queira se arrepender depois. Arrependo-me de coisas que fiz e que não fiz, mas realmente a segunda opção é a pior. Não quero fazer filosofia de quinta, mas não dá pra amar sem se arriscar.

O pensionato

Instalei-me num bairro voltado para os estudantes da UEFS, bem do ladinho da faculdade, o Feira VI. Lá, o comércio, o mercado imobiliário, o entretenimento, a economia em si, giravam em tordo de nós estudantes. O final de semana começava na quinta porque a maior parte não morava na cidade e voltava pras suas casas as sextas-feiras. Um lugar prioritariamente jovem, formado por pessoas que como eu, estavam ali longe de suas famílias para estudar. Eu gostava daquele clima, era diferente de tudo que eu já tinha visto.
Logo que cheguei, pensei que ali poderia fazer o que quisesse, ninguém me conhecia, eu nem sabia o que fazer com tanta liberdade mas fiquei de pensar depois a respeito.
Inicialmente fui morar num pensionato misto, um andar só para meninas e outro só para meninos, uma galera do bem, aquele corre-corre, muito divertido. Aprontávamos tanto, fazíamos uns barulhos, os meninos não entendiam nada subiam correndo pra ajudar, mas geralmente éramos eu e Leila estourando bexigas, derrubando pastas de propósito, tadinhos! Mas foi uma fase muito legal. Os rapazes eram muito gentis conosco e nos salvavam de animais de alta periculosidade como baratas, sapos, morcegos e outros.
Dei a sorte de dividir o quarto com pessoas que entrariam definitivamente na minha vida sobre as quais voltarei a falar aqui muitas vezes: Daniela, Iara, Leila e Aline (na ordem em que as conheci). Elas se tornaram uma família pra mim e depois resolvemos alugar uma casa, a Nossa Casa! E deixamos o pensionato após um semestre.
Proclamamos juntas a República das Meninas!(Kkkkkkkkk)

terça-feira, 4 de maio de 2010

Morar em Feira de Santana

Estava completando um mês de cursinho, no Módulo, e não andava muito feliz porque vinha ouvindo depoimentos de pessoas que estavam ali há mais de quatro anos tentando passar no vestibular e não era isso que eu queria pra mim, até porque achava que nunca ia passar. O meu sonho de infância era ser advogada, mas aos 17 anos quem tem certeza de alguma coisa?
Durante o intervalo entre uma aula e outra, olhei para uma nova amiga do cursinho e disse: - Não vou agüentar isso, esse ambiente me dá angustia! - E abaixei a cabeça. Exatamente neste momento, o professor de literatura entrou na sala dizendo: - Quem é Luana Marques? – E eu respondi levantando a cabeça sem entender nada, também suspendi o dedo: - Eu! – respondi.
Ele continuou:
-Desça rápido porque sua tia está aí embaixo te esperando. Você passou no vestibular em Feira de Santana, parabéns! - A turma aplaudiu, fez a maior festa e fui embora, pra nunca mais voltar.
Eu havia passado em Direito na UNEB, muito longe, em Juazeiro - decidi não ir, e perdido na UFBA, mas esqueci que tinha prestado vestibular pra História, na UEFS e não olhei o resultado, então a irmã de uma amiga minha viu o meu nome no jornal por acaso e ligou pra ela que ligou pra minha casa e ali estava eu, correndo para resolver tudo, pois aquele era o último dia de matrícula.
Quem me esperava no cursinho quando desci as escadas era tia Marta, tive um minuto pra pensar se cursaria ou não a faculdade, graças a ela e Tio Hudson consegui resolver tudo, pois meu pai estava viajando e porque eles são demais mesmo! Tiramos documentos, fotos 3x4, pegamos histórico na antiga escola, foi um corre-corre porque já tinha passado das três horas ha muito tempo. Depois de tudo ainda teríamos que ir até Feira de Santana efetuar a matrícula. Minha tia não foi conosco, mas ficou o tempo todo ao telefone tentando convencer os responsáveis pela matrícula a me aguardar porque eu já estava chegando (mentira! Ainda faltava muita estrada.). Meu tio correu na estrada como se estivesse levando uma filha dele e quando chegamos à Universidade já era noite. Lembro que ele fechou os carros no estacionamento, caso fossem dos funcionários não poderiam sair até que me matriculassem (risos). Ufa! Depois de muita agonia eu estava, enfim, matriculada. A tarde foi corrida mas cumprimos a missão!
Minha avó não queria que eu fosse e minha mãe me advertiu de que se eu ligasse chorando meu pai não ia poder sair correndo pra me buscar, meu avô me apoiou após constatar que era o que eu queria, meus primos ficaram um pouco tristes porque eu ficaria longe, minhas tias ficaram divididas, meu namorado a época disse que eu não conseguiria “ Lu, você é muito apegada a sua família, não vai ficar uma semana”...
Mas eu só tomei consciência do que aquilo significava quando entrei sozinha no ônibus . Chorei o caminho todo,parecia que estava indo pro outro lado do mundo, nunca tinha ficado longe daquela estrutura familiar, era como cortar o cordão umbilical pela segunda vez. Eu sabia que perderia momentos preciosos do desenvolvimento de Lipe, que então estava com 3 anos, que perderia contato com meus amigos, que não estaria lá em momentos importantes da família e um monte de outras coisas que fiquei pensando.
Mas eu sabia também que precisava crescer, sair um pouquinho do meu mundinho cor-de-rosa, conhecer pessoas diferentes, começar a virar adulta, ter mais responsabilidades e até, porque não, me desapegar um pouco da minha família, ser mais independente. Estava indo morar sozinha, não conhecia ninguém, nada, tudo era novo, não sabia o que me esperava, podia dar certo ou errado, como tudo, e eu precisava dessa experiência, qualquer problema eu tinha pra onde voltar.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

De onde eu venho

Admiro a criação que meus pais e avós me deram, no que diz respeito a valores e princípios, a única coisa diferente que faria é preparar melhor os meus filhos para viver a realidade porque crianças superprotegidas viram pessoas frágeis e despreparadas. Mas os entendo, pois fui a primeira filha, primeira neta, primeira sobrinha... E ainda hoje sou a única mulher desta geração da minha família. Então nunca me faltou amor, sempre me sobrou dengo e cuidados, muitos cuidados. Lembro de tia Marcélia me pondo em seu colo e cortando as minhas unhas no seu horário de almoço, para quem eu era (e ainda sou) a Lola ou Lolinha; Tia Marta me chamava de Tialinda, não tem como não lembrar dos presentes que ela me trazia de viagem; Tia Rosa com quem eu ouvia muita música, fazíamos ginástica, e adorava me fazer surpresas. Casa de avó é assim, sempre movimentada, sempre com visita, cheia dos filhos e todas participaram da minha educação e me mimaram MUITO. Minhas tias são grandes amigas minhas, parecem formar uma equipe com a qual sempre posso contar, basta que eu dê um ou dois telefonemas e pronto, tia Marta vai resolver, tia Marcélia já sabe como, tia Rosa conseguiu. Um problema comigo e todas ficam preocupadas, se metem, dão opinião, uma confusão!(risos)
Acho que elas não entendem qual o meu problema, ou melhor, como alguém que sempre teve tudo como eu, cresceu tão cheia de problemas e questionamentos dentro de si, uma auto-critica auto-destrutiva e com uma capacidade irritante de questionar tudo a sua volta, uma REBELDE.
Tem coisas que eu também não sei explicar mas eu prefiro ir a Cuba que aos EUA, prefiro espanhol ao inglês, música latina à americana, estudei em colégio católico e não tenho religião, gostava de fazer coisas de adulto quando era criança e agora me sinto uma menina e mais um milhão de coisas.
Posso até mudar de idéia se o argumento contrário me convencer mas geralmente estou indo contra.

Um amor no meio do caminho

madrudada do dia 03 de maio de 2010



Tem uma frase bem clichê que diz: quando é pra ser, é! Foi o jeito mais inusitado de duas pessoas se apaixonarem, eu não procurava por ninguém, ainda era apaixonada pelo meu primeiro amor de verdade, e Felipe tinha acabado de nascer, era a coisa mais importante da minha vida, eu não via mais nada em volta. Tanto que não percebi o par de olhos azuis que vinha me seguindo. Era um novo vizinho, recém chegado do Espírito Santo para estudar e morar na Bahia, no meu prédio. Segundo eu soube depois, ele acompanhava a evolução dos meus cumprimentos a ele em cada encontro: se eu só sorria, se eu dizia oi, ou perguntava se estava tudo bem e eu o fazia de maneira mecânica, apesar de alguém ter comentado sobre ele comigo. Eu era a pessoa mais reservada e distraída (acho que ainda sou) do mundo e ele foi se mostrando alguém atencioso e disposto a superar todas essas dificuldades. A história é muito engraçada, em resumo, outra menina era apaixonada por ele e lhe mandava cartas anônimas, ele já me observava há muito tempo, achava que tínhamos uma conexão e logo pensou que era eu quem lhe escrevia e respondeu as duas cartas que recebeu na minha caixa de correspondência... Foi uma confusão daquelas! Mandei uma pra ele explicando que não era eu, que havia um engano, mas ele insistiu e começamos a conversar por telefone, pessoalmente e acabamos virando namorados. Ainda tenho essas cartas e as poesias que ele me escrevia (já sabendo quem era quem). Foi a segunda vez que eu disse Eu Te Amo pra alguém. Fizemos planos, sobre profissões e filhos, eu conseguia me imaginar com ele no futuro, mas aconteceram várias coisas e acabou. Desde o primeiro beijo, roubado, até o beijo de despedida foram uns dois anos e pouquinho. Ele foi alguém muito importante pra minha vida e demorei a esquecê-lo!
Ainda hoje me lembro dele quando ouço uma música cujo trecho ele pôs num cartão com o buquê de flores mais lindo que já recebi: “Porque toda razão, toda palavra, vale nada quando chega o amor.”

Felipe nasceu

Eu acho que nasci com o dom de ser mãe, lembro que ainda muito pequena, brincando de boneca, eu carregava o “bebê” e me emocionava de verdade com aquela sensação de tê-lo sob os meus cuidados. Crianças sempre me transmitiram paz, eu não sentia medo, a impressão era a de que aquele serzinho precisava de mim e, portanto eu tinha que ficar bem. Quero muito poder gerar um filho algum dia, porque tenho certeza de que vou ser uma boa mãe, tamanho o amor que eu já sinto por alguém que ainda nem existe. Louco isso, não? Mas sempre me senti assim. Tenho um instinto protetor enorme.
Quando tia Rosa me disse que estava grávida eu não acreditei, foi uma felicidade imensa, era como se eu estivesse grávida junto. Comecei a ler sobre gravidez, bebês, desenvolvimento intra-uterino, O QUE ESPERAR QUANDO SE ESTÁ ESPERANDO. Conversava com a “barriga” todos os dias. Fiquei grudada nela, não queria perder nenhum momento. Nesse período eu tinha quinze anos e ficava muito mais na casa da minha vó que na minha própria casa, não era oficial mas de fato eu já morava com os meus avós.
Quando Lipe nasceu eu fiquei fascinada!Era o meu bebê de verdade. Ficava com ele desde a hora em que acordava até a hora de ir dormir. De manhã descíamos para o banho de sol depois o banho, o cochilo da manhã, toda uma rotina em que fiz questão de me inserir e participar ativamente. Ele sempre teve babá, mas eu gostava de fazer as coisas pessoalmente porque era como se ele fosse um pedacinho de mim, nutria por ele um amor de mãe. Quando eu saía, me sentia culpada por tê-lo deixado em casa, me preocupava, ligava para saber se havia comido tudo, queria voltar logo para vê-lo. Por conta disso, minha presença passou a se fazer necessária, então ele só comia comigo, só dormia comigo, e isso me envaidecia,me fazia sentir útil. Que fique claro, tenho plena consciência de que ninguém me colocou naquela situação, eu busquei aquilo, eu assumi responsabilidades, e me aprisionei.
Bem, com dezesseis anos meus amigos cobravam minha presença, muitos se afastaram porque eu nunca correspondia suas expectativas e meninas da minha idade estavam por aí curtindo, enquanto eu me sentia mãe e agia como tal. Não que essa tenha sido uma época ruim, pelo contrário, eu me sentia realizada, mas é complicado você pular etapas e eu me coloquei numa situação que mais tarde me traria problemas. Ainda hoje me policio e digo a mim mesma: “Você é solteira não tem filhos nem responsabilidades com ninguém além de você, relaxe!” vivo repetindo isso porque no meu inconsciente a sensação é contrária, mas Fazer faculdade longe me ajudou muito!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Eu choro

Tem dias em que tudo está ruim, e eu queria simplesmente sumir! Dá vontade de sair por aí sem destino até o mais longe que eu puder, dá a impressão de que me sentiria melhor, ou de tomar um grande porre num boteco qualquer, mas eu nem bebo! Cogito comprar uma passagem pra qualquer lugar sem dizer a ninguém e viajar. Não precisa ser muito longe, só precisa "não" ser aqui.
Hoje eu chorei muito, meus olhos estão inchados porque tem coisas que não posso resolver, não tem como dar um jeito e tudo que eu queria é um colo, um abraço. Acho que, mas tarde vou procurar um ombro, mas não queria estragar a noite de ninguém com os meus problemas impossíveis de resolver.
Amo minha avó demais, mas a idade faz com seu humor seja inacreditavelmente instável. Por exemplo, hoje, ela me acordou me chamando de meu amor e saímos juntas, foi muito bom. Fiz tudo o que ela me pediu, mesmo que para mim não seja muito interessante passar a manhã no hospital, depois no supermercado e mais tarde no banco, mas sei que ela precisa de mim, já não consegue fazer as coisas sozinha, precisa de ajuda e vou com prazer por ela, por nossa família (minha e dela), para que ela fique satisfeita. Daí de tarde tudo muda e ela está me olhando diferente, e eu juro não sei por que! Não tem motivo e isso me desestrutura me magoa. Minha mãe acompanhou minha crise de choro desta tarde e disse que estou sendo infantil, que minha avó tem 79 anos e que eu tenho que entender isso, mas eu não suporto ver o que a velhice está fazendo com ela, parece que quer me afastar, é capaz de me dizer coisas que magoam de verdade e no dia seguinte dizer que sou a pessoa que mais ama e confia no mundo.
Eu sei que não posso condicionar a minha felicidade a isso mas se não estiver tudo bem com minha avó eu não tenho paz, falta alguma coisa. Preciso trabalhar isso em mim mas não sei por onde começar.
O problema é que minha avó sempre foi meu porto seguro, meu farol, e se ela não está bem eu não consigo ficar bem, eu me sinto totalmente perdida. Será egoísmo? Mas puxa, queria tanto poder contar com minha vó em certas horas! É que às vezes "ela não se parece com ela", não tenho como não chorar.

“ Tem horas que bate uma tristeza tão grande e eu não sei o que fazer e nem para onde ir, é tanta coisa que eu queria dizer, mas não tem ninguém pra ouvir, então choro...”

Uma coisa que me ocorreu

Estive conversando esta semana com um amigo sobre os benefícios (buscá-los é uma forma de aceitar a idade de forma mais otimista - rs) que a maturidade trás e disse a ele que quando se tem quase trinta, você liga menos pro que os outros vão pensar de você e é verdade. Acho que tem a ver com o fato de você ter deixado de fazer muitas coisas em função do que iriam dizer sobre, então a palavra DANE-SE passa a fazer parte do seu vocabulário com mais freqüência. Claro que a opinião das pessoas mais importantes fazem diferença, com elas eu converso, explico meus motivos e se não entenderem é óbvio que vou ficar triste, mas vou fazer o que queria ainda assim, porque a gente tem que ser autor da nossa própria vida e sejamos justos, cada um tem essa oportunidade mas uma vez só e consigo mesmo não com a vida do outro, não com a minha vida.
Mesmo que estejam com a melhor das intenções, pessoas controladoras me irritam cada vez mais, ora, que escrevam um livro, criem bonequinhos de marionete, inventem personagens da forma como quiserem mas não projetem coisas em mim, para mim, tenho vontade própria, e ainda que de maneira um tanto desajeitada quero ser dona da minha história.

Feriado Decretado

Madrugada do dia 30 de abril de 2010
Passei dias muito bons, me diverti demais! Fui um tanto irresponsável, deixei de fazer coisas importantes, priorizei coisas prazerosas e claro que me senti culpada durante e depois, mas não me arrependo. Me senti tão leve, ri muito e adoro rir!
Breno fez 21 anos e eu lembro lá em 1989(como conto todo ano a ele), da minha mãe nos colocando, eu e meu irmão, para dormir cedo na noite em que ele nasceria e então ela fazia uma oração e nós íamos repetindo em voz alta pedindo a Deus que ele viesse com saúde, perfeito...E todo dia 28 de abril agradeço pelo presente que ganhei naquela noite e me lembro daquele momento. Comemoramos seu aniversário em grande estilo, entre seus amigos, com direito a praias, almoço e parque de diversões.
Por falar nisso, não tenho como não comentar coisas importantes que consegui fazer durante esses dias, parece bobagem, mas pela primeira vez me diverti num parque de diversões sem paranóias. Acho que já contei essa parte sobre o meu medo mas dessa vez fui em todos os brinquedos. Não parece bobagem? Pois pra mim não é. É como alguém que morre de medo de altura e derrepente sobe num prédio bem alto e descobri que gosta de altura e sente até prazer em estar ali no alto. Muito louco esse sentimento. Todo mundo conhece alguém que tem medo de ir em certos brinquedos num parque de diversões, mas como tenho uma lista de medos (que tem ficado menor a cada dia), é gostoso ir descobrindo os que já não tenho, mais um, ou menos um, faz toda a diferença.
Então dá a impressão de que eu posso superar tudo, fazer o que eu quiser. Por mais que a gente não consiga fazer uma coisa hoje nada impede que amanhã ela aconteça, mesmo que amanhã demore anos. Tudo bem que eu tentei disfarçar a minha felicidade, a minha vontade de ir descontroladamente num brinquedo atrás do outro como uma criança mas descobri um prazer que jamais havia experimentado tão plenamente. Num parque de diversões você pode, inclusive, gritar a vontade, ninguém vai te achar louco, é libertador! Será que só eu tenho vontade de gritar às vezes?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um parêntese - Verão 2008-2009

Madrugada do dia 20 de abril de 2010

Estou em frente ao meu prédio digitando dentro do carro, o condomínio dorrrrrrme! Eu estou lembrando...
Há aproximadamente um ano e meio me encontrava num estágio de depressão terrível. Vivia em casa, de camisola praticamente incomunicável. Tinha recomeçado a análise há pouco tempo e estava me readaptando aos remédios psicotrópicos. Lembro-me da presença constante do meu primo Breno que sempre me fazia visitas. Eu geralmente estava dormindo, então ele me acordava para que conversássemos e me falava da sua vida, me colocava pra cima, me fazia rir... Aliás, meus primos nunca me deixam sozinha, eu sempre os tenho por perto, são grandes amigos, protetores, e é importante que eu diga!
Breno então, começou a me inserir no seu grupo de amigos, em sua maioria ex-colegas de escolas em que ele estudou, portanto, tinham aproximadamente a sua idade – entre 20 e 23 anos. Foi aí que começou um dos melhores verões da minha vida: 2008/2009. Iniciou-se uma fase que eu costumo chamar de adolescência tardia em que eu passei a fazer muita coisa que nunca tinha feito, fiz também muitos amigos, saí muito - algumas pessoas diziam que eu estava feliz demais, Alguém chegou a cogitar a hipótese de eu estar passando por um transtorno bipolar (risos), visto que há tão pouco tempo eu estava deprimida. Bom, eu não sei o que foi, mas me fez muito bem.

Romance e sonhos

Madrugada do dia 21 de abril de 2010

Claro que a minha vida não se resume a médicos, crises e medos. Talvez eu seja um pouco dramática, mas tenho um lado infantil, sonhador, romântico... Nem tudo é trágico. Tem um pouco de humor, um tanto de música, poesia e eu sou uma mistura de tudo isso.
Eu não queria ser uma pessoa fria e racional, mas ser romântica cansa muito, porque a realidade não tem muito romantismo, mas certo grupo de pessoas sofreu alguma alteração genética que faz com que elas olhem a vida através de uma lente cor de rosa. Eu, infelizmente, tenho esse grave defeito de fabricação. Um livro, um filme, uma música me dão frio na barriga, arrepiam e emocionam facilmente. Sinto tudo! Vivo dizendo que morro de saudades de um amor que ainda não vivi, acho a lua a coisa mais romântica que existe, adoro ficar em silêncio ao lado de quem eu gosto, amo dar abraço de um minuto (piada interna). Em resumo: sou muito boba, e sei que isso sempre foi um obstáculo à minha vida amorosa. Ergo uma muralha ao meu redor, sempre fui assim, talvez esse seja mais um dos meus medos. Sempre impus regras rígidas, sobre o meu corpo, por exemplo. Então não podia um monte de coisas, porque eu via certas coisas como invasão ou abuso. Já irritei algumas pessoas por isso, briguei, já me senti ofendida, e não vou mentir, certas regras ainda existem, ainda sou assim. Não que isso signifique que eu me ache superior ou intocável, a essa altura já não é segredo pra ninguém que eu tenho uma auto-estima baixíssima, mas acho que certas coisas são tão íntimas e especiais, que não deveriam ser banalizadas assim. Na verdade meu entendimento de liberação sexual é muito diferente do da maioria. Não tem nada a ver com quantidade ou variedade, se bem que, se te der prazer, porque não? Mas o meu prazer é diferente.
Como não sou uma pessoa superficial, embora aparente às vezes, não beijo na boca por beijar, não transo se não estiver apaixonada e não sou desleal a quem eu amo e claro, pago um preço por isso.
Durante muito tempo acreditei que deveria me casar virgem porque tinha uma visão fantasiosa de que apareceria o cara perfeito, com direito a fundo musical, e então seríamos felizes como nos contos de fadas. Claro que a vida vai te ensinando muitas coisas e não tenho vergonha de dizer que mudei de idéia, porque teve um momento em que parei pra pensar: Vai que o príncipe demora 40 anos pra chegar, se é que ele existe! Eu hoje sei que preciso viver, sentir, experimentar e ser feliz com o que a realidade me oferece porque contos de fadas não existem. O problema é que quando você é menina, principalmente, costumam ler isso pra você todos os dias antes de dormir, daí você internaliza aquilo e acha que tudo pode ser perfeito.
Atualmente, pra falar a verdade, a perfeição nem me atrai mais, meus gostos mudaram. Sou uma pessoa mais realista. Mas as lentes cor-de-rosa continuam grudadas nos meus olhos, infelizmente!
“ Quem sabe o príncipe virou um chato e vive dando no meu saco, quem sabe a vida é não sonhar?”
05:09h

domingo, 25 de abril de 2010

Meu avô

madrugada do dia 19 de abril de 2010


Desde muito pequena praticamente fui criada pelos meus avós, meus pais trabalhavam o dia todo, então era com eles que eu passava os meus dias, principalmente até os seis anos. Mas independente disso, os dois sempre foram muito presentes na minha vida, em todos os aspectos e anos mais tarde eu me mudaria de vez pra casa deles. Via no meu avô um homem forte, inteligente e eu o respeitava muito, conhecia a sua história e o admirava por saber de onde ele vinha e aonde chegou por meio de muito trabalho e um tanto de sorte também. Era capaz de fazer as brincadeiras mais bobas ou de falar forte com sua voz grave que podia dar medo, mas isso não me impedia de contra argumentar cada reclamação que ele me fazia então ele logo me apelidou de Dona polêmica, porque eu sempre tinha justificativas e respostas para tudo, segundo ele. Carinhosamente me chamava de moranguinha esmerenguebia (não sei de onde ele tirou esse) ou Luck.
Não era um homem de conversar muito, mas eu lembro bem das suas palavras antes da minha ida para a Feira de Santana (onde eu moraria por cinco anos) a primeira vez ele me disse muito sério: - Minha filha, não tem como você dar errado, siga o seu caminho e lembre: a única coisa que pode desviar uma moça são as drogas, homens ruins e fanatismo religioso (e realmente algumas dessas coisas passaram por mim). Engraçado, quando me propus a escrever sobre ele passou um filme na minha cabeça. Sei que ele fez por mim e por meu irmão muitas das coisas que ele gostaria de ter feito pelas filhas dele e não podia. Fazer horário durante horas na porta da nossa escola para nos levar de carro pra casa, vir de Periperi, onde morava, até Brotas, pra tirar a gente do castigo, obrigando a babá a desobedecer às ordens da nossa mãe. Dar-nos mimos, realizar tantos sonhos...
Bom, eu cursava o quarto ano de faculdade quando aconteceu a maior de todas as greves de professores já vistas na UEFS. Por isso vim pra Salvador, e foi nesse período, através de exames médicos, que descobrimos que meu avô, diabético (que andava muito cansado e com dores nas pernas) estava com as principais veias do coração entupidas. O cardiologista falou na ocasião, que era muito delicada a cirurgia e na idade do meu avô não era muito recomendável. Uma segunda opinião, porém, nos informou que debilitado como ele estava ele corria risco de vida operando ou não – apesar de ser um ex atleta profissional meu avô não agüentava dar poucas passadas sem que sua respiração ficasse ofegante e corria o risco de ter um infarto fulminante a qualquer momento.
Pela primeira vez na vida vi meu avô vulnerável e tentava imaginar o que ele estava pensando, porque eu estava com medo. Diante da gravidade do caso, como qualquer das opções era perigosa, o cirurgião resolveu apostar na operação. Afirmou que o coração dele era forte e prometeu a ele que ainda voltaria a jogar futebol como nos velhos tempos. Nós, da família confiamos e passamos a contar os dias para que a cirurgia acontecesse. Essa, no entanto, foi adiada várias vezes o que deu tempo para que meu avô passasse mais tempo conosco, inclusive as festas de fim de ano (quando tiramos sua última foto). Em fevereiro, tudo certo, internação ok, a cirurgia um sucesso, cheguei a fazer uma visita pela manhã e fiquei uns cinco minutos sozinha com ele na UTI. Era como olhar para um bebê, frágil e querer protegê-lo. Então eu pesei: vô, tá tudo bem, a gente vai te levar pra casa e vai cuidar de você, deu tudo certo! Depois só fiquei olhando pra ele e sorrindo, não quis falar porque ele estava entubado e dormindo e não me demorei mais, porque me deu vontade de tossir e fiquei com medo de prejudicá-lo com bactérias, sei lá. Durante a visita da tarde um atraso no horário, um paciente havia passado mal, minha tia desceu e viu: era ele, meu avô estava cercado de médicos, teve uma parada cardíaca, foi ressuscitado. Depois eu consegui entrar em contato com o médico dele que voltou ao hospital para refazer a cirurgia, mas o coração não suportou e rompeu.
Eu que já não era mais tão atormentada pelo medo da morte comprovei de fato que ela existia e naquele momento fiquei muito revoltada porque só conseguia vê-la como um evento negativo que tira as pessoas que a gente ama. Minha família ficou arrasada, o fizemos confiar numa cura que nunca viria, a casa ficou estranha, a mesa vazia. Passei a dormir no quarto em que ele dormia e durante muito tempo ainda sentia o cheiro dele lá. Guardo comigo um chapéu que ele costumava usar, a coisa mais feia do mundo, mas ele gostava.
Eu perdi uma referencia um pedaço não sei por que, mas me sentia meio perdida. Meses depois a greve acabou, me formei e comecei a trabalhar, agora éramos só eu e minha vó em casa (não posso esquecer de Regi com a gente). Quando tudo parecia estar voltando ao normal, tive minha primeira crise e fui diagnosticada com a síndrome do pânico. Segundo a minha médica na época, Dra. Vânia, o pânico foi a forma, ainda que tardia, que reagi a perda do meu avô. Nunca engordei tanto na minha vida, comecei a usar antidepressivos fazer terapia e outra coisas que conto depois, mas nunca mais fui a mesma.
02:20h

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Viver pra comer

Madrugada do dia 18 de abril de 2010


Aos treze começaram as paquerinhas (acho que esse termo já caiu em desuso), os meninos do condomínio, do colégio... Eu fui uma criança muito bonita e era uma pré-adolescente que chamava a atenção por já ter o corpo formado e um jeito de mocinha. Sempre fui muito centrada, talvez por conviver muito com adultos, então esse era um ponto a meu favor. Ao mesmo tempo, estava ganhando mais liberdade de ir e vir então passei a sair sozinha, a lanchar no colégio (acabaram-se as merendeiras), já podia ir a Shoppings com as amigas, shows...tudo com muita responsabilidade e meus pais deixavam porque eu sempre fui muito ajuizada. No entanto, comecei a fazer uma troca bastante perigosa que me faria pagar cada centavo das suas conseqüências mais tarde: comecei a comer muito, tudo! E como comia muito fora de casa e minha mãe trabalhava no turno em que eu ficava em casa, não tinha como ela perceber e me controlar. Eu fazia loucuras, lanchava muito na escola, na saída ia ao Mc Donald’s e quando chegava em casa ainda almoçava. Quase toda tarde eu pegava um livro de receitas da minha mãe e escolhia o que iria fazer: massas, doces, salgados... Hoje sei o quanto agredi o meu corpo e a minha saúde, mas na época, como fui engordando sem notar, não achava que fazia mal e nem questionava o porquê de estar fazendo aquilo. Eu só sei que quando parei pra observar, já tinha desenvolvido uma relação estranha com a comida e não conseguia parar. Era como um vício, eu comia mesmo que não estivesse gostoso, eu esperava pra ficar sozinha e não precisar dividir com ninguém ou comia, por exemplo, toda uma sobremesa que era para toda a família, sem me importar se os demais já haviam comido ou não. Era esquisito porque esse egoísmo não era algo próprio da minha personalidade, nem com dinheiro, roupas, maquiagem ou brinquedos, mas com a comida era assim. Hoje sei o nome daquela patologia: Compulsão Alimentar, mas na época eu nem sabia que isso existia. Eu me culpava muito, sentia muita raiva de mim, e me sentia uma fraca, mas hoje eu sei que eu era apenas uma menina com muito medo, cheia de tormentos e muito sozinha nesse aspecto, resolvi como deu e preciso me perdoar por isso. Passei a me esconder dos meus “fantasmas” embaixo de uma capa de gordura. Bom, sustento a tese de que fui substituindo a ansiedade e o medo excessivo trazidos da infância, pela comida. Troquei uma coisa pela outra e virei uma menina complexada e com pena de mim mesmo num dos momentos mais delicados e confusos da vida: a adolescência.
Passei então a fazer as dietas mais loucas que existem. Emagreci e engordei mais de vinte vezes, tudo muito rapidamente- o tal do efeito sanfona. E cada vez era mais sofrimento pra mim, eu me sentia um lixo porque numa semana as pessoas estavam me elogiando, dizendo que estava linda mais magra, que era pra eu continuar, mas eu inconscientemente me sabotava e engordava tudo de novo ou até mais e as mesmas pessoas não comentavam mais nada então eu lia nas entrelinhas: - Poxa, você engordou de novo, voltou a ficar feia, que pena!
Como na adolescência, grande parte da personalidade do indivíduo se forma, posso afirmar que fiquei com algumas seqüelas. Tive minha auto-estima bastante prejudicada e minha autoconfiança abalada. Raramente acredito em mim e sempre me surpreendo com minhas vitórias ou resultados positivos. Atualmente venho fazendo um grande esforço para me elogiar e aceitar que tenho qualidades, mesmo que às vezes aparente ser arrogante, mas esse é apenas um exercício. São coisas que estou dizendo a mim, para me convencer e levantar a minha auto-estima.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vivendo com medo.

Tarde do dia 17 de abril de 2010


Sempre fui medrosa, desde que me lembro das coisas. Medo de ficar sozinha, medo do escuro, medo da noite, medo de dormir, medo, medo e medo. Sempre pedia pra dormir na cama com os meus pais, o que é aceitável quando se é muito pequena. Eu, no entanto, ainda fazia isso aos sete anos e tempos depois um deles era obrigado a ficar na minha cama até que eu adormecesse. Mas isso passou a não ser suficiente porque eu comecei a ter insônias e a me sentir ainda mais insegura, daí ia pra porta do quarto deles, batia e pedia para dormir lá, mas devido a minha idade e tentando agir de maneira pedagógica eles não deixavam e eu ficava ali sentada no chão por horas chorando e acabava indo pra cama de tão cansada ou pedia ao meu irmão, que é mais novo dois anos, que me deixasse dormir em sua cama ou que juntássemos as camas e isso já me fazia melhor.
Se estava num shopping, eu achava que poderia ocorrer um desabamento ou um escapamento de gás, qualquer barulho e meu coração disparava, eu queria ir embora, pedia aos adultos e lembro-me de ouvir criticas, do tipo: - você é muito mimada, não saio mais com você. Nos parques de diversões as outras crianças preocupadas em ir o máximo de vezes em cada brinquedo, enlouquecidas nas filas e eu observando as estruturas dos brinquedos, os cabos, os barulhos, achava que bem na minha vez algo daria errado, então fingia estar ansiosa pelo brinquedo, mas era medo de que uma tragédia acontecesse, às vezes chegava a suar frio. Já mais crescida, com uns 10 anos tomei pavor de avião. Achava que um iria cair bem em cima do meu prédio, então adquiri o costume de deixar o portão da minha casa aberto, pois tentava imaginar um plano de fuga caso percebesse que alguma aeronave ia cair. Nessa mesma época vivia atormentada com postes elétricos, não podia sentar perto de um ou debaixo de algum fio, não usava elevadores, pois a hipótese de ficar presa me deixava apavorada e me trazia a mente a sensação de estar num caixão viva. Enfim, eu tinha medo de ter medo, mas na época nem se falava em síndrome do pânico, e o que eu sei é que era uma menina muito atormentada cheia de fantasmas e que tinha certeza que com tantos riscos ao meu redor não viveria muito, talvez mais uns dois anos, quem sabe. Mas nunca imaginei que chegaria, por exemplo, aos 20 anos, quem dirá aos 30. Lembro-me de que a única coisa que eu pedia era pra ter certeza de que iria viver nem que fosse mais um dia inteiro, um mês, um ano ou dez, mas a certeza me faria relaxar porque eu vivia sob alerta, tensa.
Continua...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sem título

Madrugada do dia 17 de abril de 2010
1:33h

Fiz uma boa prova de penal, apesar de uma forte dor de cabeça. É que agora passo longos períodos sem comer, e não é por ignorância, sei tudo que devo ou não fazer, não sou burra, apenas estúpida. É assim, quero me desapegar da comida, tenho uma relação muito doentia com ela, daí fique em abstinência, longe do meu vício – quer dizer, essa é a minha leitura do fato porque faço inconscientemente. Mas não se trata de cigarro ou álcool, ou seja, preciso conviver diariamente com o meu vicio, sentir o seu cheiro, colocá-lo na minha boca e deixar que ele entre no meu corpo, e na quantidade certa. Que tal? Hoje há noite vi uma foto minha antiga de uns 16 anos atrás. Achei-me linda! Como queria conversar com aquela menina e dizer pra ela não fazer uma porção de bobagens porque tudo gera conseqüências e agora eu já sei. Não passa no rapaz do cachorro quente na volta da escola, não! Vai pra casa e almoça, lá tem comida saudável, se você for nesse ritmo vai se tornar uma jovem obesa, vai ficar muito infeliz por isso, se sentir excluída e vai comer mais ainda e engordar mais. Pode namorar a vontade, não se fecha assim, não fica esperando um príncipe, ele nem existe! Leia mais, estude mais, não faça muita besteira nos seus cabelos, se exercite, crie hábitos saudáveis, ponha o aparelho dentário e use numa boa, com disciplina ou vai continuar usando aos 28 anos. Se permita fazer besteiras, aprontar de vez em quando, ande com pessoas da sua idade, faça tudo que alguém na sua faixa etária faria, não queira ser ou parecer mais velha, um dia você realmente o será. Dedique mais tempo a você, seja mais vaidosa, assista aos noticiários, um dia tudo estará nos livros. NÃO TENHA MEDO DE NADA VOCE VAI VIVER PELO MENOS MAIS 16 ANOS, APROVEITE.

Um museu de grandes novidades

Madrugada de 16 de abril de 2010


A vida segue, agora com 28 anos, estamos em 2010! Esse não disse a que veio talvez este seja o meu papel, dizer por que vim, mas por enquanto não sei. Eu continuo nos meus padrões de comportamento repetitivos, coisa de psicólogo? Nan-não, coisa de Luana. A ortografia mudou amanhã tenho prova de penal, emagreci na semana passada, engordei nesta, briguei com minha avó na semana passada nesta estamos tentando nos perdoar. E aí, aonde eu vou morar? Kkkkkk quem souber, por favor me conte e então só terei o trabalho de levar minhas malas. Eh, na última briga (sexta passada) levei até mala pra Casa dos meus pais! Ai como eu sou ridícula. A prova de sociologia foi ótima, tem dias que me acho inteligente, Gu falou que sou culta e fiquei feliz. Saudades de Rian, minha alegria ver aquele sorriso! Meu irmão casadinho, trabalhando feito louco. Meu curso é incrível, cheio de possibilidades, minha vida amorosa vazia (e com isso não quero causar mágoa em ninguém), ainda não achei alguém que me complete, meu nome é solidão. Não tenho muitos amigos, não pra quem conto realmente tudo, geralmente nos momentos de crise sumo. Acho que sou uma pessoa reservada falo tanto mas cheguei a essa conclusão.