segunda-feira, 3 de maio de 2010

Felipe nasceu

Eu acho que nasci com o dom de ser mãe, lembro que ainda muito pequena, brincando de boneca, eu carregava o “bebê” e me emocionava de verdade com aquela sensação de tê-lo sob os meus cuidados. Crianças sempre me transmitiram paz, eu não sentia medo, a impressão era a de que aquele serzinho precisava de mim e, portanto eu tinha que ficar bem. Quero muito poder gerar um filho algum dia, porque tenho certeza de que vou ser uma boa mãe, tamanho o amor que eu já sinto por alguém que ainda nem existe. Louco isso, não? Mas sempre me senti assim. Tenho um instinto protetor enorme.
Quando tia Rosa me disse que estava grávida eu não acreditei, foi uma felicidade imensa, era como se eu estivesse grávida junto. Comecei a ler sobre gravidez, bebês, desenvolvimento intra-uterino, O QUE ESPERAR QUANDO SE ESTÁ ESPERANDO. Conversava com a “barriga” todos os dias. Fiquei grudada nela, não queria perder nenhum momento. Nesse período eu tinha quinze anos e ficava muito mais na casa da minha vó que na minha própria casa, não era oficial mas de fato eu já morava com os meus avós.
Quando Lipe nasceu eu fiquei fascinada!Era o meu bebê de verdade. Ficava com ele desde a hora em que acordava até a hora de ir dormir. De manhã descíamos para o banho de sol depois o banho, o cochilo da manhã, toda uma rotina em que fiz questão de me inserir e participar ativamente. Ele sempre teve babá, mas eu gostava de fazer as coisas pessoalmente porque era como se ele fosse um pedacinho de mim, nutria por ele um amor de mãe. Quando eu saía, me sentia culpada por tê-lo deixado em casa, me preocupava, ligava para saber se havia comido tudo, queria voltar logo para vê-lo. Por conta disso, minha presença passou a se fazer necessária, então ele só comia comigo, só dormia comigo, e isso me envaidecia,me fazia sentir útil. Que fique claro, tenho plena consciência de que ninguém me colocou naquela situação, eu busquei aquilo, eu assumi responsabilidades, e me aprisionei.
Bem, com dezesseis anos meus amigos cobravam minha presença, muitos se afastaram porque eu nunca correspondia suas expectativas e meninas da minha idade estavam por aí curtindo, enquanto eu me sentia mãe e agia como tal. Não que essa tenha sido uma época ruim, pelo contrário, eu me sentia realizada, mas é complicado você pular etapas e eu me coloquei numa situação que mais tarde me traria problemas. Ainda hoje me policio e digo a mim mesma: “Você é solteira não tem filhos nem responsabilidades com ninguém além de você, relaxe!” vivo repetindo isso porque no meu inconsciente a sensação é contrária, mas Fazer faculdade longe me ajudou muito!

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