Ele estava conversando sobre um assunto bastante polêmico do outro lado da roda, não tinha olhado pra mim nem uma vez, e eu, atenta ao que ele falava, aumentei o volume da voz e dei uma opinião ainda mais polêmica. Ele me olhou, respondeu e veio sentar-se ao meu lado. Disse-me então que tinha passado o tempo todo no lugar errado, e perguntou se poderia ficar ali. Eu autorizei prontamente, ele havia chamado a minha atenção desde o momento em que chegou e confesso que nem com muita criatividade eu poderia prever aonde tudo iria parar. Conversamos muito, fomos mal educados, não demos atenção a mais ninguém, nem aos nossos amigos. Olhares, sorrisos, um jogo da verdade e um beijo. Eu pensava o tempo todo: - Eu estou louca, quem é esse cara? Realmente, ele não se parecia com ninguém, com nada. Bonito, muito culto, interessantíssimo (pelo menos para mim), me contou coisas e ouviu muito sobre mim também e repetia: - Não acredito que te achei! (eu achei engraçado).
Não vou mentir, fiquei fascinada por ele. Embarquei no relacionamento mais intenso e louco da minha vida! Acho que namorávamos (risos), porque no dia dos namorados ele me convidou a fazer um amigo secreto, a dois, (foi muito legal). Mas com ele era assim, eu nunca sabia em que pé estávamos, não me sentia segura, era como estar numa montanha russa, um turbilhão de emoções. Tudo aconteceu muito rápido e pela terceira vez eu amei e sei que fui amada. Ele era mais novo que eu, mas me ensinou muito sobre a vida, tinha uma cultura totalmente diferente da minha e a mãe mais querida (rs), apesar da cara de brava.
É difícil pôr um romance em palavras, mas após refletir alguns segundos, pensei num fato que traduz um pouco do meu jeito complicado e do jeito estranho dele de ser. Contei a poucas pessoas, mas sempre que ele me elogiava eu desviava os olhos, sem perceber. Mas um dia ele comentou e perguntou por que eu sempre fazia isso, se era por que duvidava dele e eu respondi que não sabia o porque. Ele então pediu para que eu me sentasse a sua frente pois, tínhamos que conversar a sério. Segurou o meu rosto e começou a fazer certos elogios mas eu me senti ridícula porque não tinha como virar a cabeça e tinha que olhar nos olhos (palavras dele). Eu fiquei envergonhada, irritada é a palavra, irritadinha, diria ele, então lhe disse que não precisava fazer terapia comigo pra melhorar minha auto-estima e o meu comentário o deixou bastante nervoso, ele ficou muito bravo comigo e disse: - Ah, você precisa de um terapeuta mesmo, porque eu acabo de listar o que eu gosto em você, e você acha que estou desenvolvendo um método para elevar sua auto-estima, então temos um problema sério aqui! - Entendi o recado e realmente refleti sobre aquilo, juro que mudei a forma como eu me via e mesmo que ainda não seja a melhor forma de alguém se ver, posso afirmar que já foi bem pior.
O tempo era curto, mas a gente dava mil jeitos e ficávamos sempre juntos, fosse tarde da noite ou durante dez minutos de intervalo entre o meu trabalho e o dele. Seus horários eram bastante complicados, acho que ainda são, e nem esse foi O problema. Mas nossas filosofias de vida sim, elas eram muito diferentes, quase opostas, não gostávamos das mesmas coisas, nem dos mesmos lugares, nem das mesmas pessoas. A única coisa que tínhamos em comum era o nosso “relacionamento”. Eu não cederia um centímetro, ele também não, e chegamos num impasse. Então ensaiamos terminar várias vezes voltamos outras tantas, até que um dia foi pra valer, ele foi transferido para outro Estado temporariamente, e depois ficou em definitivo. Hoje ele mora longe. Eu achei que não suportaria, mas veio o verão de 2008/2009 e o resto todo mundo já sabe.
“ Vermelhos são, seus beijos, quase que me queimam, vermelhos são, seus olhos, languida face!”
domingo, 16 de maio de 2010
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