terça-feira, 18 de maio de 2010
Segunda Crise
Após a primeira crise iniciei um tratamento sério, comecei a tomar remédios adequados e emagreci muito, tanto que resolvi fazer uma cirurgia de redução mamária. Juntei dinheiro, escolhi o médico, pedi licença no trabalho, fiz todos os exames requisitados e marquei a plástica. Nas vésperas eu já vinha me sentindo muito mal, pálida, fraca, tremendo, palpitações no peito... Lembro que cantava uma música do Jota Quest como um mantra “Ei dor, eu não te escuto mais, você, não me leva a nada. Ei medo...”, no entanto, um dia antes da intervenção cirúrgica, fui fazer uma consulta com a anestesista e no momento que entrei no seu consultório comecei a passar muito mal, uma segunda crise de pânico. Tremia muito e a sensação de que iria enfartar voltou. Eu só conseguia pensar que o meu avô tinha morrido num hospital, naquele ambiente, e fiquei apavorada, era como se eu pudesse me imaginar morta, num caixão e as pessoas comentando o quão torpe foram os meus motivos: estéticos. Saí quase correndo do consultório, senti até alívio, tia Rosa estava lá fora me esperando, fui para casa e no caminho contei que não faria mais a tão sonhada cirurgia. Ninguém acreditou, nem eu, abri mão de um grande sonho por medo e tive que tomar uma dose maior de calmantes aquele dia porque passei a noite toda chorando. Nos dias que se seguiram as pessoas ligavam para saber como tinha sido minha cirurgia e eu mandava dizer que não estava em casa. À convite de tia Marcélia resolvi passar uns dias em sua casa. Ela e sua família me acolheram e evitavam falar no assunto, eu estava muito fragilizada, foram dias tranqüilos - de refúgio. Fomos ao Shopping, comprei roupas para mim e fui me acostumando porque teria que voltar ao meu cotidiano e todos veriam que não fiz a cirurgia. Frustração era a palavra, me senti um fracasso, uma covarde e ainda não consegui voltar a sonhar esse sonho.
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