Recebi o seguinte e-mail da minha psicologa e resolvi postá-lo aqui :)
Gostei, lembrei de vc e repasso.
Beijos,
Zezé.
(texto em anexo)
Posso Errar?
Por Leila Ferreira
Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção era usar o dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel. Opção? Maneira de dizer. Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”. Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxaguei, fiz a escova de praxe e... Surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes — tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?
O homem certo, por exemplo: existe ficção maior do que essa? Minha amiga se casou com um exemplar da espécie depois de namorá-lo sete anos. Levou um mês para descobrir que estava com o marido errado. Ele foi “certo” até colocar a aliança. O que faz surgir outra pergunta: certo até quando? Porque o certo de hoje pode se transformar no equívoco monumental de amanhã. Ou o contrário: existem homens que chegam com aquele jeito de “nada a ver”, vão ficando e, quando você se assusta, está casada — e feliz — com um deles.
E as roupas? Quantos sábados você já passou num shopping procurando o vestido certo e os sapatos certos para aquele casamento chiquérrimo e, na hora de sair para a festa, você se olha no espelho e tem a sensação de que está tudo errado? As vendedoras juraram que era a escolha perfeita, mas talvez você se sentisse melhor com uma dose menor de perfeição. Eu mesma já fui para várias festas me sentindo fantasiada. Estava com a roupa “certa”, mas o que eu queria mesmo era ter ficado mais parecida comigo mesma, nem que fosse para “errar”.
Outro dia fui dar uma bronca numa amiga que insiste em fumar, apesar dos problemas de saúde, e ela me respondeu: “Eu sei que está errado, mas a gente tem que fazer alguma coisa errada na vida, senão fica tudo muito sem graça. O que eu queria mesmo era trair meu marido, mas isso eu não tenho coragem. Então eu fumo”. Sem entrar no mérito da questão — da traição ou do cigarro —, concordo que viver é, eventualmente, poder escorregar ou sair do tom. O mundo está cheio de regras, que vão desde nosso guarda-roupa, passando por cosméticos e dietas, até o que vamos dizer na entrevista de emprego, o vinho que devemos pedir no restaurante, o desempenho sexual que nos torna parceiros interessantes, o restaurante que está na moda, o celular que dá status, a idade que devemos aparentar.
Obedecer, ou acertar, sempre é fazer um pacto com o óbvio, renunciar ao inesperado.
O filósofo Mario Sergio Cortella conta que muitas pessoas se surpreendem quando constatam que ele não sabe dirigir e tem sempre alguém que
pergunta: “Como assim?! Você não dirige?!”. Com toda a calma, ele responde: “Não, eu não dirijo. Também não boto ovo, não fabrico rádios —
tem um punhado de coisas que eu não faço”. Não temos que fazer tudo que esperam que a gente faça nem acertar sempre no que fazemos. Como diz Sofia, agente de viagens que adora questionar regras: “Não sou obrigada a gostar de comida japonesa, nem a ter manequim 38 e, muito menos, a achar normal uma vida sem carboidratos”. O certo ou o “certo” pode até ser bom. Mas às vezes merecemos aposentar régua e compasso.
Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro Mulheres – Por que será que elas..., da Editora Globo.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Viajar
Ai que vontade de sair pelo mundo com uma mochila nas costas! Nada me impede, não tenho filhos ou amarras, faria apenas alguns comunicados e tudo bem, mesmo que eu não o faça, me agrada a sensação de estar livre para tal. Aliás, tenho pensado muito nisso. Pegar uma estrada, conhecer ou rever lugares. Estive conversando essa semana sobre o prazer de preparar uma viagem, arrumar as malas, planejar coisas, curtir o trajeto, chegar lá...Ir é sempre melhor que voltar, tudo é surpresa, são muitas possibilidades mas a volta também me dá prazer. Ando tentada, de repente faço isso sozinha no São João ou num próximo feriado mesmo porque tenho experimentado o prazer da minha companhia, a paz de estar sozinha sem medo. Claro que é sempre melhor estar na presença de amigos, mas na falta deles não é para mim um sacrifício ficar comigo.
Tenho inúmeros projetos de viagens guardados na minha mente, adiei alguns quando decidi voltar a fazer faculdade, mas não desisti de nenhum. Espero poder realizá-los, todos. Anseio por liberdade, uma vontade de sair por aí de carro com uma trilha sonora escolhida a dedo, rindo, chorando, gritando (conforme a minha vontade)... Colocando tudo pra fora. Penso em certos lugares, provar certos sabores, sentir emoções diferentes, tanta coisa que meus olhos nunca viram!
Tenho inúmeros projetos de viagens guardados na minha mente, adiei alguns quando decidi voltar a fazer faculdade, mas não desisti de nenhum. Espero poder realizá-los, todos. Anseio por liberdade, uma vontade de sair por aí de carro com uma trilha sonora escolhida a dedo, rindo, chorando, gritando (conforme a minha vontade)... Colocando tudo pra fora. Penso em certos lugares, provar certos sabores, sentir emoções diferentes, tanta coisa que meus olhos nunca viram!
À flor da pele
Um dia desses...
Às vezes tenho vontade de desistir de tudo, de mim, porque tudo, cada coisa na minha vida demanda muito esforço, nada vem facilmente e de vez em quando me canso e tenho vontade de só ficar no meu quarto e não fazer nada mais. Como diz Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, mas algumas vezes vejo mais dor.
Faz quase um mês que parei de tomar os meus remédios para o Pânico e a Depressão, já é a quarta vez que faço isso. Uma loucura, o meu médico disse que quando eu quisesse parar a medicação, teria que pedir a ele para ir diminuindo a dosagem aos poucos porque os remédios são fortes demais e não podem ser interrompidos abruptamente. Mas é sempre a mesma coisa, após um tempo de disciplina, fazendo tudo certinho, começo a me sentir bem por um longo período, me sinto estável, tenho a impressão de que estou curada, começo a “esquecer” dos remédios e paro. O problema é que as conseqüências não demoram a aparecer: fico muito sensível, com o choro fácil, instável, começo a sentir palpitações, umas tristezas e uma angústia terrível.
Claro que ninguém tem como adivinhar que estou sendo irresponsável com a minha recuperação, não estou bem e que por isso estou supersensível. As pessoas continuam agindo como sempre, mas eu me magôo como nunca! Claro que não é de forma consciente, dessa vez só percebi os efeitos da interrupção do tratamento quando chorei após falar ao telefone com um amigo, julguei que ele estava sendo grosseiro comigo mas depois me dei conta de que não havia motivos para isso, ele não fez nada de mais e eu fiz o maior drama. Fica tão fácil me magoar, estou sensível a tudo. Um tom mais firme, uma palavra dura, um olhar duvidoso conseguem me desestruturar.
Deposito muito no outro mas sei que não posso me sentir emocionalmente dependente de alguém, ninguém está obrigado à ninguém. Preciso aprender a me equilibrar sozinha, sem estar tão susceptível a fatores externos que não tenho como controlar. As pessoas estão vivendo suas próprias vidas e eu também tenho que fazê-lo. Carinho não é coisa que se peça, atenção não é coisa que se cobre, as pessoas dão ou não, naturalmente, depende do que têm pra oferecer a você e eu preciso aceitar o que cada um pode me dar. Tenho que me acostumar e seguir o meu caminho.
Esse post está confuso como eu (kkkk) mas garanto que aqui existe alguma lógica. Eu tropeço, caio muitas vezes, mas sei exatamente o que fazer para me reergue, acho que isso ajuda. É difíci, mas não é impossível e estou tentando fazê-lo mais uma vez, só não quero e não posso desanimar. É hora de começar a análise, voltar a tomar meus remédios e parar de buscar coisas ou pessoas em quem me apoiar. Mãos a obra!
Às vezes tenho vontade de desistir de tudo, de mim, porque tudo, cada coisa na minha vida demanda muito esforço, nada vem facilmente e de vez em quando me canso e tenho vontade de só ficar no meu quarto e não fazer nada mais. Como diz Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, mas algumas vezes vejo mais dor.
Faz quase um mês que parei de tomar os meus remédios para o Pânico e a Depressão, já é a quarta vez que faço isso. Uma loucura, o meu médico disse que quando eu quisesse parar a medicação, teria que pedir a ele para ir diminuindo a dosagem aos poucos porque os remédios são fortes demais e não podem ser interrompidos abruptamente. Mas é sempre a mesma coisa, após um tempo de disciplina, fazendo tudo certinho, começo a me sentir bem por um longo período, me sinto estável, tenho a impressão de que estou curada, começo a “esquecer” dos remédios e paro. O problema é que as conseqüências não demoram a aparecer: fico muito sensível, com o choro fácil, instável, começo a sentir palpitações, umas tristezas e uma angústia terrível.
Claro que ninguém tem como adivinhar que estou sendo irresponsável com a minha recuperação, não estou bem e que por isso estou supersensível. As pessoas continuam agindo como sempre, mas eu me magôo como nunca! Claro que não é de forma consciente, dessa vez só percebi os efeitos da interrupção do tratamento quando chorei após falar ao telefone com um amigo, julguei que ele estava sendo grosseiro comigo mas depois me dei conta de que não havia motivos para isso, ele não fez nada de mais e eu fiz o maior drama. Fica tão fácil me magoar, estou sensível a tudo. Um tom mais firme, uma palavra dura, um olhar duvidoso conseguem me desestruturar.
Deposito muito no outro mas sei que não posso me sentir emocionalmente dependente de alguém, ninguém está obrigado à ninguém. Preciso aprender a me equilibrar sozinha, sem estar tão susceptível a fatores externos que não tenho como controlar. As pessoas estão vivendo suas próprias vidas e eu também tenho que fazê-lo. Carinho não é coisa que se peça, atenção não é coisa que se cobre, as pessoas dão ou não, naturalmente, depende do que têm pra oferecer a você e eu preciso aceitar o que cada um pode me dar. Tenho que me acostumar e seguir o meu caminho.
Esse post está confuso como eu (kkkk) mas garanto que aqui existe alguma lógica. Eu tropeço, caio muitas vezes, mas sei exatamente o que fazer para me reergue, acho que isso ajuda. É difíci, mas não é impossível e estou tentando fazê-lo mais uma vez, só não quero e não posso desanimar. É hora de começar a análise, voltar a tomar meus remédios e parar de buscar coisas ou pessoas em quem me apoiar. Mãos a obra!
sábado, 29 de maio de 2010
Um mês
19 de maio de 2010
Aniversário do blog! Não tem como não parar um pouco e avaliar os últimos trinta dias. Posso dizer que apesar do seu pouco tempo de existência o Quasetrinta já produziu efeitos variados e muito significativos em mim. Eu já chorei de felicidade e de tristeza, ao lembrar de certas coisas, já ri, estreitei amizades e não me arrependi em momento algum. Adoro ler os comentários, sempre fico surpresa quando recebo algum de alguém que nem conheço, é muito bom e quando é de algum amigo me sinto acarinhada e importante. Sempre achei chatas aquelas pessoas que te pressionam a escrever em seus blogs, então quando dei o endereço daqui aos meus amigos disse que não precisavam fazer isso aqui, mas eles fizeram e eu adorei, mesmo que tenha moderado alguns, os tenho guardados numa pasta, com muito carinho, adorei recebê-los! É realmente muita exposição, um despir-se diário do meu lado mais íntimo e isso poderia me causar timidez, mas não causa. Sinto-me leve e recomendaria qualquer um a criar seu próprio blog. Como fiz sem grandes expectativas, tudo que veio para mim foi lucro e confesso, tenho lucrado muito! E se um dia ninguém mais tiver interesse em lê-lo, continuarei postando só pelo prazer que eu sinto em realizar esse blog. É tão meu, sou tão eu, é um espelho em que vejo as imperfeições, tento corrigi-las ou aceitá-las quando não posso. Mas também procuro ver o que está bom e me orgulhar às vezes. É um exercício de melhorar-se. As coisas estão fluindo melhor, estou mais serena, segura e otimista. Tudo está mais claro pra mim, de verdade. Claro que ainda caio, tropeço, fico insegura e até penso em desistir mas no fundo sei que vou conseguir porque não estou sozinha, tenho me sentido acompanhada. Tenho que agradecer. Tenho tantos amigos!
Ainda quero escrever muita coisa aqui, principalmente coisas boas. Quero ficar cada vez mais forte, cair cada vez menos e poder contar sempre com os meus amigos! Obrigada pela companhia!
Aniversário do blog! Não tem como não parar um pouco e avaliar os últimos trinta dias. Posso dizer que apesar do seu pouco tempo de existência o Quasetrinta já produziu efeitos variados e muito significativos em mim. Eu já chorei de felicidade e de tristeza, ao lembrar de certas coisas, já ri, estreitei amizades e não me arrependi em momento algum. Adoro ler os comentários, sempre fico surpresa quando recebo algum de alguém que nem conheço, é muito bom e quando é de algum amigo me sinto acarinhada e importante. Sempre achei chatas aquelas pessoas que te pressionam a escrever em seus blogs, então quando dei o endereço daqui aos meus amigos disse que não precisavam fazer isso aqui, mas eles fizeram e eu adorei, mesmo que tenha moderado alguns, os tenho guardados numa pasta, com muito carinho, adorei recebê-los! É realmente muita exposição, um despir-se diário do meu lado mais íntimo e isso poderia me causar timidez, mas não causa. Sinto-me leve e recomendaria qualquer um a criar seu próprio blog. Como fiz sem grandes expectativas, tudo que veio para mim foi lucro e confesso, tenho lucrado muito! E se um dia ninguém mais tiver interesse em lê-lo, continuarei postando só pelo prazer que eu sinto em realizar esse blog. É tão meu, sou tão eu, é um espelho em que vejo as imperfeições, tento corrigi-las ou aceitá-las quando não posso. Mas também procuro ver o que está bom e me orgulhar às vezes. É um exercício de melhorar-se. As coisas estão fluindo melhor, estou mais serena, segura e otimista. Tudo está mais claro pra mim, de verdade. Claro que ainda caio, tropeço, fico insegura e até penso em desistir mas no fundo sei que vou conseguir porque não estou sozinha, tenho me sentido acompanhada. Tenho que agradecer. Tenho tantos amigos!
Ainda quero escrever muita coisa aqui, principalmente coisas boas. Quero ficar cada vez mais forte, cair cada vez menos e poder contar sempre com os meus amigos! Obrigada pela companhia!
terça-feira, 18 de maio de 2010
Segunda Crise
Após a primeira crise iniciei um tratamento sério, comecei a tomar remédios adequados e emagreci muito, tanto que resolvi fazer uma cirurgia de redução mamária. Juntei dinheiro, escolhi o médico, pedi licença no trabalho, fiz todos os exames requisitados e marquei a plástica. Nas vésperas eu já vinha me sentindo muito mal, pálida, fraca, tremendo, palpitações no peito... Lembro que cantava uma música do Jota Quest como um mantra “Ei dor, eu não te escuto mais, você, não me leva a nada. Ei medo...”, no entanto, um dia antes da intervenção cirúrgica, fui fazer uma consulta com a anestesista e no momento que entrei no seu consultório comecei a passar muito mal, uma segunda crise de pânico. Tremia muito e a sensação de que iria enfartar voltou. Eu só conseguia pensar que o meu avô tinha morrido num hospital, naquele ambiente, e fiquei apavorada, era como se eu pudesse me imaginar morta, num caixão e as pessoas comentando o quão torpe foram os meus motivos: estéticos. Saí quase correndo do consultório, senti até alívio, tia Rosa estava lá fora me esperando, fui para casa e no caminho contei que não faria mais a tão sonhada cirurgia. Ninguém acreditou, nem eu, abri mão de um grande sonho por medo e tive que tomar uma dose maior de calmantes aquele dia porque passei a noite toda chorando. Nos dias que se seguiram as pessoas ligavam para saber como tinha sido minha cirurgia e eu mandava dizer que não estava em casa. À convite de tia Marcélia resolvi passar uns dias em sua casa. Ela e sua família me acolheram e evitavam falar no assunto, eu estava muito fragilizada, foram dias tranqüilos - de refúgio. Fomos ao Shopping, comprei roupas para mim e fui me acostumando porque teria que voltar ao meu cotidiano e todos veriam que não fiz a cirurgia. Frustração era a palavra, me senti um fracasso, uma covarde e ainda não consegui voltar a sonhar esse sonho.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Charles Chaplin
Eu já gostava muito das coisas que Chaplin escreceu mas li há muito tempo e não conhecia muita coisa além daquele texto "ciclo da vida", que teria dado origem ao filme de David Fincher, O Curioso Caso de Benjamin Button. Mas recentemente um amigo me mandou um texto dele e resolvi revisitá-lo, vou postar aqui um texto com o qual me identifiquei.
" Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante
" Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!
Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante
Primeira crise
Inicio de 2005, meu avô tinha morrido há um ano, eu havia me formado há pouco tempo e estava morando em Salvador, meio que tentando me achar, retomar antigas amizades, ter tempo para pessoas importantes mas muita coisa tinha mudado. Decidida a mudar também, procurei uma equipe de médicos da Promédica (nutricionista, clinico geral e psicólogo) para tratar da compulsão alimentar que tinha gerado uma depressão porque eu não aceitava as mudanças do meu corpo e o que isso implicava socialmente. Ótimos médicos passaram meus primeiros remédios. Um tranqüilizante para diminuir a ansiedade e amenizar os impulsos alimentares e um antidepressivo por causa da minha tristeza que não passava nunca além do desanimo, eu não tinha vontade de sair para lugar algum, só saía para o trabalho.
No mesmo dia comprei os remédios, estava cheia de esperança, e um dia depois, há noite enquanto estava na casa dos meus pais, já de camisola para dormir, comecei a sentir uma dormência no braço esquerdo, depois um formigamento nas mãos, que logo foi passando para o corpo todo, uma queimação do lado esquerdo do peito...Concluí apavorada: Estou enfartando!
Não lembro como, mas meu pai disse que abri a porta, os portões e disse a ele que precisava de um hospital. Tenho plano de saúde mas tinha certeza de que não resistiria até chegar num hospital particular e acabamos indo ao local mais perto de casa , o Hospital Roberto Santos. Fiz meu pai correr muito porque realmente estava passando muito mal, tinha certeza que não sobreviveria. Nem sei como ele não bateu o carro de tanto nervosismo eu só piorava e chorava, pensei em meu avô e tive a nítida sensação de que o encontraria. Foram momentos de muito desespero. Entramos no hospital correndo lembro que o meu pai estava chorando e explicando que era o meu coração.
O médico me olhou rapidamente, me ouviu – lembro de ter pedido para que ele me fizesse uns exames, mas ele chamou a enfermeira e disse que deveria me aplicar uma dose de Diasepam, para quem não conhece, uma substancia forte, calmante, própria para controlar transtornos de ansiedade, e disse que eu não tinha nada, que tudo era psicológico. Alguém tem noção do que significa se sentir muito mal e o médico te olhar e dizer que é tudo psicológico? Eu não acreditei. Questionei o médico, ensaiei uma discussão mas cedi e aceitei tomar a injeção. O hospital ligou para a minha mãe a meu pedido já que na hora do desespero não esperamos que ela acabasse de se arrumar e a deixamos em casa sem entender nada fomos rápidos. Não sei quantos anos meu pai envelheceu com esse episódio, eu nunca me senti tão perto da morte, não sei o que minha mãe pensou durante os segundos em que o hospital ligou para ela antes que falassem que eu estava bem. Mas difícil seria contar as novidades a eles no dia seguinte.
O médico estava certo, era tudo psicológico, mas se engana quem pensa que isso torna os sintomas menos reais, eu senti TUDO, não inventei, não aumentei. Tive uma crise de pânico, e durante a consulta com a médica que vinha me acompanhando, Dr. Vânia, logo pela manhã, fiquei sabendo que tinha Síndrome do Pânico. O medo estava de volta a minha vida, fiquei fragilizada com a morte do meu avô mas minha reação só apareceu bem depois.
Comecei a comer para conter meus medos, engordei e adquiri uma compulsão alimentar por causa das dietas para emagrecer e me deprimi porque continuei engordando, com a morte do meu avô os medos voltaram. Tive que procurar ajuda psiquiátrica e para isso, vencer meus próprios preconceitos. Num consultório de psiquiatria, diferente do que eu imaginava, encontramos pessoas comuns como qualquer um que pode estar lendo esse meu texto agora e que por um ou outro motivo foi parar ali. Não são uma porção de loucos e sim gente que precisa de um médico que pode lhe receitar remédios para melhorar sua qualidade de vida. Claro que pensei de tudo, cheguei a me questionar, se estaria ficando louca. Não vou mentir que da uma sensação de ter chegado ao fim do túnel mas depois entendi que loucos ficam aqueles que não expõem seus problemas e não buscam ajuda, muitas vezes chegando cometer suicídio, tamanha a carga que carregam.
Mas eu sou alguém que ama viver, apesar de tudo e estou disposta a qualquer coisa para isso. Não que as vezes eu não caia e desanime. Mas em geral busco qualidade de vida, amor, felicidade e não tenho vergonha de falar sobre as minhas limitações, aliás, depois que resolvo um conflito dentro de mim, dane-se o que pensarem, eu sei do meu estado emocional e estou melhorando aos pouquinhos.
Meu atual psiquiatra é muito bem conceituado, o que me fez deixar o anterior, que era associado ao meu plano de saúde, e pagar suas caras consultas (não me arrependo). Ele disse que sou uma paciente muito interessante pela minha consciência, porque entendo tudo o que ele está falando e que qualquer médico adoraria me ter em seu consultório. Na verdade leio muito sobre os meus problemas, me meto no tratamento, dou sugestões, rimos muito durante cada consulta, choro também, muitas vezes...
A pouco, ele me disse que estou perto de parar com os remédios, que preciso, na verdade fazer análise porque sou uma pessoa com muitas questões a discutir, que provavelmente fui uma garota prodígio e tal, e que preciso deitar no divã de um analista para discutir sobre isso. Quase briguei, quando na última consulta me falou que daria o prazer de me acompanhar para uma amiga dele analista, sinto raiva porque eu falo dos meus problemas e ele age como se eu fosse um ratinho de laboratório. (rs) – Você funciona de maneira muito interessante- me diz, ou: - As pessoas devem adorar você! (risos). Ele é um querido faz tudo parecer simples e me faz achar que tudo vai dar certo, mas estou feliz em saber que em breve não precisarei mais das suas receitas azuis. Só preciso ter disciplina.
P. s. Parei muitas vezes de escrever esse post (4 vezes) porque me senti muito mal e sequer tenho coragem de relê-lo por enquanto. O Pânico foi e tem sido uma experiência muito traumatizante, não desejo isso para ninguém e me apavora a mera possibilidade de passar por esses eventos. Dá medo de ter medo. Hoje, sabendo que os sintomas são psicológicos eu fico mais tranqüila, já conheço melhor as minhas reações e posso controlá-las, tomar um remédio, me acalmar, mas ainda é difícil.
No mesmo dia comprei os remédios, estava cheia de esperança, e um dia depois, há noite enquanto estava na casa dos meus pais, já de camisola para dormir, comecei a sentir uma dormência no braço esquerdo, depois um formigamento nas mãos, que logo foi passando para o corpo todo, uma queimação do lado esquerdo do peito...Concluí apavorada: Estou enfartando!
Não lembro como, mas meu pai disse que abri a porta, os portões e disse a ele que precisava de um hospital. Tenho plano de saúde mas tinha certeza de que não resistiria até chegar num hospital particular e acabamos indo ao local mais perto de casa , o Hospital Roberto Santos. Fiz meu pai correr muito porque realmente estava passando muito mal, tinha certeza que não sobreviveria. Nem sei como ele não bateu o carro de tanto nervosismo eu só piorava e chorava, pensei em meu avô e tive a nítida sensação de que o encontraria. Foram momentos de muito desespero. Entramos no hospital correndo lembro que o meu pai estava chorando e explicando que era o meu coração.
O médico me olhou rapidamente, me ouviu – lembro de ter pedido para que ele me fizesse uns exames, mas ele chamou a enfermeira e disse que deveria me aplicar uma dose de Diasepam, para quem não conhece, uma substancia forte, calmante, própria para controlar transtornos de ansiedade, e disse que eu não tinha nada, que tudo era psicológico. Alguém tem noção do que significa se sentir muito mal e o médico te olhar e dizer que é tudo psicológico? Eu não acreditei. Questionei o médico, ensaiei uma discussão mas cedi e aceitei tomar a injeção. O hospital ligou para a minha mãe a meu pedido já que na hora do desespero não esperamos que ela acabasse de se arrumar e a deixamos em casa sem entender nada fomos rápidos. Não sei quantos anos meu pai envelheceu com esse episódio, eu nunca me senti tão perto da morte, não sei o que minha mãe pensou durante os segundos em que o hospital ligou para ela antes que falassem que eu estava bem. Mas difícil seria contar as novidades a eles no dia seguinte.
O médico estava certo, era tudo psicológico, mas se engana quem pensa que isso torna os sintomas menos reais, eu senti TUDO, não inventei, não aumentei. Tive uma crise de pânico, e durante a consulta com a médica que vinha me acompanhando, Dr. Vânia, logo pela manhã, fiquei sabendo que tinha Síndrome do Pânico. O medo estava de volta a minha vida, fiquei fragilizada com a morte do meu avô mas minha reação só apareceu bem depois.
Comecei a comer para conter meus medos, engordei e adquiri uma compulsão alimentar por causa das dietas para emagrecer e me deprimi porque continuei engordando, com a morte do meu avô os medos voltaram. Tive que procurar ajuda psiquiátrica e para isso, vencer meus próprios preconceitos. Num consultório de psiquiatria, diferente do que eu imaginava, encontramos pessoas comuns como qualquer um que pode estar lendo esse meu texto agora e que por um ou outro motivo foi parar ali. Não são uma porção de loucos e sim gente que precisa de um médico que pode lhe receitar remédios para melhorar sua qualidade de vida. Claro que pensei de tudo, cheguei a me questionar, se estaria ficando louca. Não vou mentir que da uma sensação de ter chegado ao fim do túnel mas depois entendi que loucos ficam aqueles que não expõem seus problemas e não buscam ajuda, muitas vezes chegando cometer suicídio, tamanha a carga que carregam.
Mas eu sou alguém que ama viver, apesar de tudo e estou disposta a qualquer coisa para isso. Não que as vezes eu não caia e desanime. Mas em geral busco qualidade de vida, amor, felicidade e não tenho vergonha de falar sobre as minhas limitações, aliás, depois que resolvo um conflito dentro de mim, dane-se o que pensarem, eu sei do meu estado emocional e estou melhorando aos pouquinhos.
Meu atual psiquiatra é muito bem conceituado, o que me fez deixar o anterior, que era associado ao meu plano de saúde, e pagar suas caras consultas (não me arrependo). Ele disse que sou uma paciente muito interessante pela minha consciência, porque entendo tudo o que ele está falando e que qualquer médico adoraria me ter em seu consultório. Na verdade leio muito sobre os meus problemas, me meto no tratamento, dou sugestões, rimos muito durante cada consulta, choro também, muitas vezes...
A pouco, ele me disse que estou perto de parar com os remédios, que preciso, na verdade fazer análise porque sou uma pessoa com muitas questões a discutir, que provavelmente fui uma garota prodígio e tal, e que preciso deitar no divã de um analista para discutir sobre isso. Quase briguei, quando na última consulta me falou que daria o prazer de me acompanhar para uma amiga dele analista, sinto raiva porque eu falo dos meus problemas e ele age como se eu fosse um ratinho de laboratório. (rs) – Você funciona de maneira muito interessante- me diz, ou: - As pessoas devem adorar você! (risos). Ele é um querido faz tudo parecer simples e me faz achar que tudo vai dar certo, mas estou feliz em saber que em breve não precisarei mais das suas receitas azuis. Só preciso ter disciplina.
P. s. Parei muitas vezes de escrever esse post (4 vezes) porque me senti muito mal e sequer tenho coragem de relê-lo por enquanto. O Pânico foi e tem sido uma experiência muito traumatizante, não desejo isso para ninguém e me apavora a mera possibilidade de passar por esses eventos. Dá medo de ter medo. Hoje, sabendo que os sintomas são psicológicos eu fico mais tranqüila, já conheço melhor as minhas reações e posso controlá-las, tomar um remédio, me acalmar, mas ainda é difícil.
domingo, 16 de maio de 2010
Meu Caçador de Pipas
Ele estava conversando sobre um assunto bastante polêmico do outro lado da roda, não tinha olhado pra mim nem uma vez, e eu, atenta ao que ele falava, aumentei o volume da voz e dei uma opinião ainda mais polêmica. Ele me olhou, respondeu e veio sentar-se ao meu lado. Disse-me então que tinha passado o tempo todo no lugar errado, e perguntou se poderia ficar ali. Eu autorizei prontamente, ele havia chamado a minha atenção desde o momento em que chegou e confesso que nem com muita criatividade eu poderia prever aonde tudo iria parar. Conversamos muito, fomos mal educados, não demos atenção a mais ninguém, nem aos nossos amigos. Olhares, sorrisos, um jogo da verdade e um beijo. Eu pensava o tempo todo: - Eu estou louca, quem é esse cara? Realmente, ele não se parecia com ninguém, com nada. Bonito, muito culto, interessantíssimo (pelo menos para mim), me contou coisas e ouviu muito sobre mim também e repetia: - Não acredito que te achei! (eu achei engraçado).
Não vou mentir, fiquei fascinada por ele. Embarquei no relacionamento mais intenso e louco da minha vida! Acho que namorávamos (risos), porque no dia dos namorados ele me convidou a fazer um amigo secreto, a dois, (foi muito legal). Mas com ele era assim, eu nunca sabia em que pé estávamos, não me sentia segura, era como estar numa montanha russa, um turbilhão de emoções. Tudo aconteceu muito rápido e pela terceira vez eu amei e sei que fui amada. Ele era mais novo que eu, mas me ensinou muito sobre a vida, tinha uma cultura totalmente diferente da minha e a mãe mais querida (rs), apesar da cara de brava.
É difícil pôr um romance em palavras, mas após refletir alguns segundos, pensei num fato que traduz um pouco do meu jeito complicado e do jeito estranho dele de ser. Contei a poucas pessoas, mas sempre que ele me elogiava eu desviava os olhos, sem perceber. Mas um dia ele comentou e perguntou por que eu sempre fazia isso, se era por que duvidava dele e eu respondi que não sabia o porque. Ele então pediu para que eu me sentasse a sua frente pois, tínhamos que conversar a sério. Segurou o meu rosto e começou a fazer certos elogios mas eu me senti ridícula porque não tinha como virar a cabeça e tinha que olhar nos olhos (palavras dele). Eu fiquei envergonhada, irritada é a palavra, irritadinha, diria ele, então lhe disse que não precisava fazer terapia comigo pra melhorar minha auto-estima e o meu comentário o deixou bastante nervoso, ele ficou muito bravo comigo e disse: - Ah, você precisa de um terapeuta mesmo, porque eu acabo de listar o que eu gosto em você, e você acha que estou desenvolvendo um método para elevar sua auto-estima, então temos um problema sério aqui! - Entendi o recado e realmente refleti sobre aquilo, juro que mudei a forma como eu me via e mesmo que ainda não seja a melhor forma de alguém se ver, posso afirmar que já foi bem pior.
O tempo era curto, mas a gente dava mil jeitos e ficávamos sempre juntos, fosse tarde da noite ou durante dez minutos de intervalo entre o meu trabalho e o dele. Seus horários eram bastante complicados, acho que ainda são, e nem esse foi O problema. Mas nossas filosofias de vida sim, elas eram muito diferentes, quase opostas, não gostávamos das mesmas coisas, nem dos mesmos lugares, nem das mesmas pessoas. A única coisa que tínhamos em comum era o nosso “relacionamento”. Eu não cederia um centímetro, ele também não, e chegamos num impasse. Então ensaiamos terminar várias vezes voltamos outras tantas, até que um dia foi pra valer, ele foi transferido para outro Estado temporariamente, e depois ficou em definitivo. Hoje ele mora longe. Eu achei que não suportaria, mas veio o verão de 2008/2009 e o resto todo mundo já sabe.
“ Vermelhos são, seus beijos, quase que me queimam, vermelhos são, seus olhos, languida face!”
Não vou mentir, fiquei fascinada por ele. Embarquei no relacionamento mais intenso e louco da minha vida! Acho que namorávamos (risos), porque no dia dos namorados ele me convidou a fazer um amigo secreto, a dois, (foi muito legal). Mas com ele era assim, eu nunca sabia em que pé estávamos, não me sentia segura, era como estar numa montanha russa, um turbilhão de emoções. Tudo aconteceu muito rápido e pela terceira vez eu amei e sei que fui amada. Ele era mais novo que eu, mas me ensinou muito sobre a vida, tinha uma cultura totalmente diferente da minha e a mãe mais querida (rs), apesar da cara de brava.
É difícil pôr um romance em palavras, mas após refletir alguns segundos, pensei num fato que traduz um pouco do meu jeito complicado e do jeito estranho dele de ser. Contei a poucas pessoas, mas sempre que ele me elogiava eu desviava os olhos, sem perceber. Mas um dia ele comentou e perguntou por que eu sempre fazia isso, se era por que duvidava dele e eu respondi que não sabia o porque. Ele então pediu para que eu me sentasse a sua frente pois, tínhamos que conversar a sério. Segurou o meu rosto e começou a fazer certos elogios mas eu me senti ridícula porque não tinha como virar a cabeça e tinha que olhar nos olhos (palavras dele). Eu fiquei envergonhada, irritada é a palavra, irritadinha, diria ele, então lhe disse que não precisava fazer terapia comigo pra melhorar minha auto-estima e o meu comentário o deixou bastante nervoso, ele ficou muito bravo comigo e disse: - Ah, você precisa de um terapeuta mesmo, porque eu acabo de listar o que eu gosto em você, e você acha que estou desenvolvendo um método para elevar sua auto-estima, então temos um problema sério aqui! - Entendi o recado e realmente refleti sobre aquilo, juro que mudei a forma como eu me via e mesmo que ainda não seja a melhor forma de alguém se ver, posso afirmar que já foi bem pior.
O tempo era curto, mas a gente dava mil jeitos e ficávamos sempre juntos, fosse tarde da noite ou durante dez minutos de intervalo entre o meu trabalho e o dele. Seus horários eram bastante complicados, acho que ainda são, e nem esse foi O problema. Mas nossas filosofias de vida sim, elas eram muito diferentes, quase opostas, não gostávamos das mesmas coisas, nem dos mesmos lugares, nem das mesmas pessoas. A única coisa que tínhamos em comum era o nosso “relacionamento”. Eu não cederia um centímetro, ele também não, e chegamos num impasse. Então ensaiamos terminar várias vezes voltamos outras tantas, até que um dia foi pra valer, ele foi transferido para outro Estado temporariamente, e depois ficou em definitivo. Hoje ele mora longe. Eu achei que não suportaria, mas veio o verão de 2008/2009 e o resto todo mundo já sabe.
“ Vermelhos são, seus beijos, quase que me queimam, vermelhos são, seus olhos, languida face!”
Noite
00:55 do dia 11 de maio de 2010
De novo no carro escrevendo. Sono zero, depois da aula fui dirigir um pouco por aí, vi o mar, tomei água de coco e vim para casa (quase). Estou aqui me lembrando do que a minha psicóloga dizia sobre a minha insônia ser uma farsa, que na verdade fico acordada por escolha, para fugir de alguma coisa. Pode ser, não sei exatamente do que, mas sei que me sinto livre. Tem dias em que até fico ansiosa para que a “casa” adormeça.
Adoro a noite, me transmite paz, tem um charme, um mistério, me dá a impressão de que tudo de bom pode acontecer. Tinha tanto medo dela e hoje é o meu “palco” preferido. Nela eu saio me divirto, danço ou fico em casa e penso, escrevo, estudo, produzo. Talvez eu goste tanto da noite porque é a hora do dia em que eu sou mais minha, escolho o que quero fazer, não tem nenhuma “autoridade” acordada (risos), então posso ficar no silêncio do meu quarto ou sair à uma da manhã pra encontrar com amigos num barzinho, não preciso dar satisfações a ninguém.
O louco é ter vontade às vezes de ligar para pessoas, querer contar algo que pensei, ou dizer “eu te amo”, ou uma vontade de andar na praia, deitar e contemplar o céu... Coisas que não posso fazer à noite mas que tenho vontade. Sabe o que seria interessante? Eu gostaria de poder acordar apenas as pessoas que tenho vontade de ficar perto, sair por aí ou ficar conversando com elas. Cada noite iria à casa de um grupo de pessoas, em algumas casas eu sempre iria, em outras jamais. Impossível, eu sei, mas me da vontade. É muita pretensão, mas seria maravilhoso só ter por perto as pessoas que escolhemos.
Na minha cabeça, o dia é o “lugar” das obrigações, da burocracia, da praticidade, da objetividade, enquanto à noite é mais subjetiva, romântica, contemplativa, a hora do prazer, lazer, dos risos, as roupas são mais bonitas, tudo de bom!
Se bem que isso vai mudar brevemente porque pretendo me tornar uma pessoa normal e dormir como todo mundo, então preciso me reinventar e aprender a fazer certas coisas à luz do dia, mas nada que me impeça de assistir algumas madrugadas.
De novo no carro escrevendo. Sono zero, depois da aula fui dirigir um pouco por aí, vi o mar, tomei água de coco e vim para casa (quase). Estou aqui me lembrando do que a minha psicóloga dizia sobre a minha insônia ser uma farsa, que na verdade fico acordada por escolha, para fugir de alguma coisa. Pode ser, não sei exatamente do que, mas sei que me sinto livre. Tem dias em que até fico ansiosa para que a “casa” adormeça.
Adoro a noite, me transmite paz, tem um charme, um mistério, me dá a impressão de que tudo de bom pode acontecer. Tinha tanto medo dela e hoje é o meu “palco” preferido. Nela eu saio me divirto, danço ou fico em casa e penso, escrevo, estudo, produzo. Talvez eu goste tanto da noite porque é a hora do dia em que eu sou mais minha, escolho o que quero fazer, não tem nenhuma “autoridade” acordada (risos), então posso ficar no silêncio do meu quarto ou sair à uma da manhã pra encontrar com amigos num barzinho, não preciso dar satisfações a ninguém.
O louco é ter vontade às vezes de ligar para pessoas, querer contar algo que pensei, ou dizer “eu te amo”, ou uma vontade de andar na praia, deitar e contemplar o céu... Coisas que não posso fazer à noite mas que tenho vontade. Sabe o que seria interessante? Eu gostaria de poder acordar apenas as pessoas que tenho vontade de ficar perto, sair por aí ou ficar conversando com elas. Cada noite iria à casa de um grupo de pessoas, em algumas casas eu sempre iria, em outras jamais. Impossível, eu sei, mas me da vontade. É muita pretensão, mas seria maravilhoso só ter por perto as pessoas que escolhemos.
Na minha cabeça, o dia é o “lugar” das obrigações, da burocracia, da praticidade, da objetividade, enquanto à noite é mais subjetiva, romântica, contemplativa, a hora do prazer, lazer, dos risos, as roupas são mais bonitas, tudo de bom!
Se bem que isso vai mudar brevemente porque pretendo me tornar uma pessoa normal e dormir como todo mundo, então preciso me reinventar e aprender a fazer certas coisas à luz do dia, mas nada que me impeça de assistir algumas madrugadas.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Surpresa Boa!
Madrugada do dia 11 de maio de 2010
Ontem passei a manhã fora de casa resolvendo coisas com minha avó e no começo da tarde a inesperada visita de uma princesinha: Malu veio me ver! Coisa mais linda gotosa da Dinda, tão esperta, grande, risonha, conversou e gritou a beça!
Quase quatro meses! Como passou rápido, Leila. Semana passada escrevi um texto por aqui sobre o que aprontávamos no pensionato numa época em que nós apenas sonhávamos com o futuro e há pouco vi você sentindo contrações e depois ela chegando (é o futuro!)... É linda a forma como a vida acontece, foi tão emocionante pra mim, acho que ninguém fica igual depois de assistir a magia de um nascimento, o começo de alguém. Ainda mais quando esse serzinho é filho de amigos tão queridos que amo tanto, e eu estava lá! Acho que nem te agradeci minha amiga por me deixar participar de um momento tão importante da vida de vocês, nunca vou esquecer daquela madrugada e aquela manhazinha, na janelinha, eu não conseguia parar de chorar. Esperamos tanto, não foi? E os alarmes falsos? (kkkk) Ela só queria vir com tudo pronto e deu tempo! Desculpa pela ausência mas sei que você me entende e sabe que eu estou aqui. Só não vou correndo te ajudar se não souber que você está precisando de mim, do contrário deixo qualquer coisa, brigo com qualquer um e vou.
Ontem passei a manhã fora de casa resolvendo coisas com minha avó e no começo da tarde a inesperada visita de uma princesinha: Malu veio me ver! Coisa mais linda gotosa da Dinda, tão esperta, grande, risonha, conversou e gritou a beça!
Quase quatro meses! Como passou rápido, Leila. Semana passada escrevi um texto por aqui sobre o que aprontávamos no pensionato numa época em que nós apenas sonhávamos com o futuro e há pouco vi você sentindo contrações e depois ela chegando (é o futuro!)... É linda a forma como a vida acontece, foi tão emocionante pra mim, acho que ninguém fica igual depois de assistir a magia de um nascimento, o começo de alguém. Ainda mais quando esse serzinho é filho de amigos tão queridos que amo tanto, e eu estava lá! Acho que nem te agradeci minha amiga por me deixar participar de um momento tão importante da vida de vocês, nunca vou esquecer daquela madrugada e aquela manhazinha, na janelinha, eu não conseguia parar de chorar. Esperamos tanto, não foi? E os alarmes falsos? (kkkk) Ela só queria vir com tudo pronto e deu tempo! Desculpa pela ausência mas sei que você me entende e sabe que eu estou aqui. Só não vou correndo te ajudar se não souber que você está precisando de mim, do contrário deixo qualquer coisa, brigo com qualquer um e vou.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Grupo de compulsão
Madrugada do dia 18 de abril de 2010.
A obesidade é uma patologia crônica, o gordo é o doente, mas é acusado e apontado por ser o portador. O problema pode ser metabólico, genético, hormonal, psicológico (como no meu caso) ou de diversas outras ordens.
Como muitos que sofrem com o sobrepeso (conforme já contei aqui), eu passei a adolescencia fazendo dietas radicais e proibitivas, logo após a fase em que comecei a substituir o meu medo pela comida. O nosso organismo, no entanto, cria uma saída para compensar períodos em que passamos comendo muito pouco e como no meu caso esses períodos eram longos e freqüentes, o meu corpo passou a estimular de forma natural, a ingestão exagerada de alimentos para compensar as "abstinências". Em resumo, à grosso modo, ocorre um desequilíbrio bioquímico(relacionada aos neurotransmissores), relativamente comum em pessoas que vivem fazendo dietas loucas, que impede que a informação de saciedade chegue até o cérebro, ou seja, não sei a hora de parar. Parece simples? Não é! Tenho Compulsão Alimentar.
Sinto um impulso incontrolável e começo a comer até o desconforto, sem fome, mas sinto muita culpa e raiva de mim mesma durante e depois da crise, então me deprimo muito, porque a sensação é a de que estou me agredindo e é claro que isso me destrói. Apesar disso, o evento volta a ocorrer em poucos dias, a culpa e a depressão também. É uma espécie de ciclo que obviamente leva à obesidade mórbida, na maioria dos casos, e que destrói a auto-estima de qualquer mulher.
Então fico p. da vida se alguém diz, por exemplo, que estou acima do meu peso porque quero ou porque me acomodei, dá vontade de chamar a pessoa num cantinho e dizer o quanto ela é ignorante e o quanto sabe pouco sobre mim. Mas não pode ser assim, as coisas demoram muito a mudar, percebo despreparo ao tratar do assunto com os próprios médicos (alguns) então não tenho o direito de cobrar isso de alguém leigo no assunto, preciso ter paciência mas nunca vou me acostumar. Para a sociedade o gordo é alguém relapso com a saúde e está assim por escolha. Ou seja, além da doença a pessoa tem que carregar consigo um estigma e preconceitos em várias esferas.
Foi nesse contexto que há seis anos, por meio da internet, descobri que Salvador tinha um grupo de Comedores Compulsivos Anônimos que se reunia aos sábados pela manhã na Igreja de Santana do Rio Vermelho. Secretamente resolvi que iria à uma das reuniões. Chegando lá percebi que se tratava de um grupo sério e logo constatei semelhanças com os Alcoólicos Anônimos. Isso me deu um grande alívio porque eu sempre repetia que não me faltava força de vontade, mas que se tratava de uma dependência, um vício e lá encontrei pessoas que me entendiam, aquilo não era coisa da minha cabeça. Intuitivamente eu já havia me diagnosticado.
Durante a reunião do CCA (Comedores Compulsivos Anônimos) senti-me bem acolhida, eu não estava mais sozinha. Ouvi pessoas compartilharem coisas, contarem experiências que deram certo ou não e tudo que é conversado ali fica ali, não sabemos de onde cada pessoa veio mas sabemos que temos algo em comum. Ninguém é obrigado a falar, mas me senti tão a vontade que falei porque estava ali e contei um pouco da minha experiência com a comida. Percebi que vários presentes, balançavam a cabeça afirmativamente me dizendo que haviam passado por aquilo também e isso me trouxe conforto porque às vezes nos sentimos tão diferentes e estranhos no meio em que vivemos que é bom nos depararmos com “iguais”. Eu me senti uma pessoa comum.
Essa, porém, seria a minha primeira e última reunião. Isso porque, assim como no AA, o CCA tem por base do seu método (os passos dos alcoólicos) que cada indivíduo se apóie numa entidade superior e como não sou uma pessoa com uma espiritualidade definida, isso é muito confuso para mim (principalmente a época), então preferi me afastar, porque eu não acreditava nas coisas que lia, pensava em como iria conseguir continuar ali daquela forma e achei melhor sair. Decidi que procuraria ajuda médica, para cuidar da parte química e mais adiante pensaria numa terapia individual para resolver as questões psíquicas.
Mas eu realmente acho que o Grupo pode ajudar muita gente a se recuperar, a filosofia é muito interessante e apesar dos encontros ocorrerem numa igreja católica não existe nenhuma vinculação. A paróquia apenas cede um espaço físico, durante todo o encontro eles falam genericamente num ser superior e cada um direciona a quem acredita. Mas foi uma boa experiência, acho que hoje eu poderia voltar lá, mudei alguns dos meus conceitos, já não sou alguém cético como antes.
A obesidade é uma patologia crônica, o gordo é o doente, mas é acusado e apontado por ser o portador. O problema pode ser metabólico, genético, hormonal, psicológico (como no meu caso) ou de diversas outras ordens.
Como muitos que sofrem com o sobrepeso (conforme já contei aqui), eu passei a adolescencia fazendo dietas radicais e proibitivas, logo após a fase em que comecei a substituir o meu medo pela comida. O nosso organismo, no entanto, cria uma saída para compensar períodos em que passamos comendo muito pouco e como no meu caso esses períodos eram longos e freqüentes, o meu corpo passou a estimular de forma natural, a ingestão exagerada de alimentos para compensar as "abstinências". Em resumo, à grosso modo, ocorre um desequilíbrio bioquímico(relacionada aos neurotransmissores), relativamente comum em pessoas que vivem fazendo dietas loucas, que impede que a informação de saciedade chegue até o cérebro, ou seja, não sei a hora de parar. Parece simples? Não é! Tenho Compulsão Alimentar.
Sinto um impulso incontrolável e começo a comer até o desconforto, sem fome, mas sinto muita culpa e raiva de mim mesma durante e depois da crise, então me deprimo muito, porque a sensação é a de que estou me agredindo e é claro que isso me destrói. Apesar disso, o evento volta a ocorrer em poucos dias, a culpa e a depressão também. É uma espécie de ciclo que obviamente leva à obesidade mórbida, na maioria dos casos, e que destrói a auto-estima de qualquer mulher.
Então fico p. da vida se alguém diz, por exemplo, que estou acima do meu peso porque quero ou porque me acomodei, dá vontade de chamar a pessoa num cantinho e dizer o quanto ela é ignorante e o quanto sabe pouco sobre mim. Mas não pode ser assim, as coisas demoram muito a mudar, percebo despreparo ao tratar do assunto com os próprios médicos (alguns) então não tenho o direito de cobrar isso de alguém leigo no assunto, preciso ter paciência mas nunca vou me acostumar. Para a sociedade o gordo é alguém relapso com a saúde e está assim por escolha. Ou seja, além da doença a pessoa tem que carregar consigo um estigma e preconceitos em várias esferas.
Foi nesse contexto que há seis anos, por meio da internet, descobri que Salvador tinha um grupo de Comedores Compulsivos Anônimos que se reunia aos sábados pela manhã na Igreja de Santana do Rio Vermelho. Secretamente resolvi que iria à uma das reuniões. Chegando lá percebi que se tratava de um grupo sério e logo constatei semelhanças com os Alcoólicos Anônimos. Isso me deu um grande alívio porque eu sempre repetia que não me faltava força de vontade, mas que se tratava de uma dependência, um vício e lá encontrei pessoas que me entendiam, aquilo não era coisa da minha cabeça. Intuitivamente eu já havia me diagnosticado.
Durante a reunião do CCA (Comedores Compulsivos Anônimos) senti-me bem acolhida, eu não estava mais sozinha. Ouvi pessoas compartilharem coisas, contarem experiências que deram certo ou não e tudo que é conversado ali fica ali, não sabemos de onde cada pessoa veio mas sabemos que temos algo em comum. Ninguém é obrigado a falar, mas me senti tão a vontade que falei porque estava ali e contei um pouco da minha experiência com a comida. Percebi que vários presentes, balançavam a cabeça afirmativamente me dizendo que haviam passado por aquilo também e isso me trouxe conforto porque às vezes nos sentimos tão diferentes e estranhos no meio em que vivemos que é bom nos depararmos com “iguais”. Eu me senti uma pessoa comum.
Essa, porém, seria a minha primeira e última reunião. Isso porque, assim como no AA, o CCA tem por base do seu método (os passos dos alcoólicos) que cada indivíduo se apóie numa entidade superior e como não sou uma pessoa com uma espiritualidade definida, isso é muito confuso para mim (principalmente a época), então preferi me afastar, porque eu não acreditava nas coisas que lia, pensava em como iria conseguir continuar ali daquela forma e achei melhor sair. Decidi que procuraria ajuda médica, para cuidar da parte química e mais adiante pensaria numa terapia individual para resolver as questões psíquicas.
Mas eu realmente acho que o Grupo pode ajudar muita gente a se recuperar, a filosofia é muito interessante e apesar dos encontros ocorrerem numa igreja católica não existe nenhuma vinculação. A paróquia apenas cede um espaço físico, durante todo o encontro eles falam genericamente num ser superior e cada um direciona a quem acredita. Mas foi uma boa experiência, acho que hoje eu poderia voltar lá, mudei alguns dos meus conceitos, já não sou alguém cético como antes.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Ele
Madrugada do dia 08 de maio de 2010
Ontem eu senti uma pontinha de culpa porque o pressionei e está aí uma coisa da qual ele não precisa. Espaço, no sentido mais pleno da palavra, isso sim, não mais alguém que o sufoque. Acho que fui egoísta, eu deveria olhar mais para ele. Fiquei pensando... Porque todos o querem perto? Estamos pensando em como seria bom e divertido para ele ou em como é bom e divertido para nós estar com ele? Cabe a gente ser menos dependente e a ele a liberdade da escolha. Passei um bom tempo pensando sobre isso e conjecturando.
É muito bom ser alvo da admiração de muita gente, mas quando as pessoas se acostumam com o seu padrão de comportamento elas estabelecem um determinado tipo de relação com você e criam expectativas, dependência, e até, porque não dizer, se acomodam e se aproveitam um pouco(ainda que inconscientemente), quando você estava apenas se sentindo bem em fazer o bem. Ser alguém importante pra alguém é bom pro ego, os elogios envaidecem, principalmente porque é própria do ser humano a necessidade de ser querido e aceito, mas ao mesmo tempo isso te engessa porque você fica preso a essa imagem, a esse padrão, estabelece compromissos e acaba pagando um preço alto por tudo isso.
E é de forma natural que Ele se torna alguém necessário na vida da maior parte das pessoas que vai conhecendo e aquela frase que diz que você é responsável por aquilo que cativa, que parece ser coisa de história em quadrinhos, atua de forma implacável. Mas eu não acho que deva ser sempre assim.
Eu sou frágil, tímida, “boazinha”, inspiro preocupações e cuidados em alguns. Ele é forte, extrovertido, genioso, se preocupa e cuida de muitos. Pessoas opostas, numa análise apressada e superficial. Mas a parte visível só mostra dez por cento da realidade.
Hoje sei como temos coisas em comum, fiquei até impressionada pelo fato de termos passado por situações tão parecidas nas nossas vidas, quando nem pensávamos em nos conhecer. É inspirador, no entanto, ver que enquanto eu passei por problemas e cheguei a adoecer diante da dificuldade em lidar com eles, ele soube transformar tudo o que passou em otimismo, cresceu, e se tornou alguém admiravelmente forte. Claro que fizemos o melhor que pudemos, cada um da forma que deu, e acho que no final disso tudo, apesar dos caminhos terem sido tão diferentes, acharemos mais um ponto em comum: tudo vai dar certo para ambos. Somos sobreviventes.
Eu não sou tão fraca a ponto de ser subestimada, ainda estou no jogo, posso conquistar as coisas que quero e se for otimista como ele, posso até pensar em conquistar tudo. Ele não é tão forte a ponto de conseguir carregar os problemas e responsabilidades de “todo mundo” e se for impulsivo como eu vai buscar flexibilizar alguns padrões de comportamento.
Se eu fosse ele, começaria desligando um pouco o telefone, dizendo não mais vezes, sumindo de vez em quando, vivendo mais para mim e me ouvindo mais. Eu espero que ele ainda cometa um pouco mais de loucuras, tome alguns porres, fique sozinho de vez em quando, sinta muita liberdade, tenha um tanto de irresponsabilidade, seja impaciênte com certas coisas e incompreensivo com outras, se descontrole em algumas ocasiões, tenha menos juízo, se apaixone muitas vezes, seja correspondido outras tantas, sofra por amor de vez em quando e sempre tenha muitos amigos generosos.
Essa é apenas uma leitura,não necessariamente uma verdade.
Ontem eu senti uma pontinha de culpa porque o pressionei e está aí uma coisa da qual ele não precisa. Espaço, no sentido mais pleno da palavra, isso sim, não mais alguém que o sufoque. Acho que fui egoísta, eu deveria olhar mais para ele. Fiquei pensando... Porque todos o querem perto? Estamos pensando em como seria bom e divertido para ele ou em como é bom e divertido para nós estar com ele? Cabe a gente ser menos dependente e a ele a liberdade da escolha. Passei um bom tempo pensando sobre isso e conjecturando.
É muito bom ser alvo da admiração de muita gente, mas quando as pessoas se acostumam com o seu padrão de comportamento elas estabelecem um determinado tipo de relação com você e criam expectativas, dependência, e até, porque não dizer, se acomodam e se aproveitam um pouco(ainda que inconscientemente), quando você estava apenas se sentindo bem em fazer o bem. Ser alguém importante pra alguém é bom pro ego, os elogios envaidecem, principalmente porque é própria do ser humano a necessidade de ser querido e aceito, mas ao mesmo tempo isso te engessa porque você fica preso a essa imagem, a esse padrão, estabelece compromissos e acaba pagando um preço alto por tudo isso.
E é de forma natural que Ele se torna alguém necessário na vida da maior parte das pessoas que vai conhecendo e aquela frase que diz que você é responsável por aquilo que cativa, que parece ser coisa de história em quadrinhos, atua de forma implacável. Mas eu não acho que deva ser sempre assim.
Eu sou frágil, tímida, “boazinha”, inspiro preocupações e cuidados em alguns. Ele é forte, extrovertido, genioso, se preocupa e cuida de muitos. Pessoas opostas, numa análise apressada e superficial. Mas a parte visível só mostra dez por cento da realidade.
Hoje sei como temos coisas em comum, fiquei até impressionada pelo fato de termos passado por situações tão parecidas nas nossas vidas, quando nem pensávamos em nos conhecer. É inspirador, no entanto, ver que enquanto eu passei por problemas e cheguei a adoecer diante da dificuldade em lidar com eles, ele soube transformar tudo o que passou em otimismo, cresceu, e se tornou alguém admiravelmente forte. Claro que fizemos o melhor que pudemos, cada um da forma que deu, e acho que no final disso tudo, apesar dos caminhos terem sido tão diferentes, acharemos mais um ponto em comum: tudo vai dar certo para ambos. Somos sobreviventes.
Eu não sou tão fraca a ponto de ser subestimada, ainda estou no jogo, posso conquistar as coisas que quero e se for otimista como ele, posso até pensar em conquistar tudo. Ele não é tão forte a ponto de conseguir carregar os problemas e responsabilidades de “todo mundo” e se for impulsivo como eu vai buscar flexibilizar alguns padrões de comportamento.
Se eu fosse ele, começaria desligando um pouco o telefone, dizendo não mais vezes, sumindo de vez em quando, vivendo mais para mim e me ouvindo mais. Eu espero que ele ainda cometa um pouco mais de loucuras, tome alguns porres, fique sozinho de vez em quando, sinta muita liberdade, tenha um tanto de irresponsabilidade, seja impaciênte com certas coisas e incompreensivo com outras, se descontrole em algumas ocasiões, tenha menos juízo, se apaixone muitas vezes, seja correspondido outras tantas, sofra por amor de vez em quando e sempre tenha muitos amigos generosos.
Essa é apenas uma leitura,não necessariamente uma verdade.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Certos Homens
Eles estão acostumados com certo tipo de mulher que diz uma coisa e pensa outra, que faz jogos e diz que não quando quer dizer sim e sim quando quer dizer não, e eu fico muito irritada quando alguém tenta me decifrar usando esses parâmetros. É muita presunção achar que “mulher é tudo igual”, e que portanto, existem regras que valem pra todas. Acho que isso tornaria tudo simples demais, um tédio. Será que é preguiça de conhecer cada mulher com quem estão lidando?
Eu sou carinhosa com os meus amigos, não tem uma vez que fale com o Jean, por exemplo, e não lhe diga que o amo e não pergunte se ele ainda me ama, ou que fale com Leila e não pergunte por Rui ou lhe faça um elogio pessoalmente, ou não me emocione só em lembrar de Roque que está longe de mim, ou do Tom (saudade!). Sempre converso olhando no olho e sorrindo, mas vez ou outra sou mal interpretada, tudo que tenho a dizer é: se eu estiver apaixonada vou dizer, não vou ficar bancando a amiga, não tenho porque esconder isso!
Hoje o meu primo leu uma carta que escrevi aqui e ficou bobo. Achou o conteúdo forte, e disse que era esquisito como eu tinha essa coragem, como mostrei ao cara e tal. Esta sou eu, não sou muito sutil, se tenho certeza do que sinto eu falo, não consigo guardar, já fui assim um dia e prefiro ser como sou hoje. Mas os homens às vezes se assustam se afastam, não demonstram ter muita estrutura pra isso, não sei do que têm medo.
Essa semana alguém de quem eu não era tão próxima mas de quem gosto, se declarou pra mim, e me disse que já percebeu que eu olho dentro dos olhos dele e que a forma como faço isso ou aquilo é diferente com ele...Enfim, coisas que faço com todo mundo que gosto mas que, segundo ele supôs, faço especialmente com ele. E quando eu neguei qualquer interesse amoroso da minha parte e lhe pedi desculpas se pareceu o contrário, ele disse ser alguém experiente e que conhece as mulheres, que é paciente e que eu só preciso de um tempo pra ter coragem de admitir. Pode? O que eu vou ficar fazendo durante esse tempo?
Eu sou carinhosa com os meus amigos, não tem uma vez que fale com o Jean, por exemplo, e não lhe diga que o amo e não pergunte se ele ainda me ama, ou que fale com Leila e não pergunte por Rui ou lhe faça um elogio pessoalmente, ou não me emocione só em lembrar de Roque que está longe de mim, ou do Tom (saudade!). Sempre converso olhando no olho e sorrindo, mas vez ou outra sou mal interpretada, tudo que tenho a dizer é: se eu estiver apaixonada vou dizer, não vou ficar bancando a amiga, não tenho porque esconder isso!
Hoje o meu primo leu uma carta que escrevi aqui e ficou bobo. Achou o conteúdo forte, e disse que era esquisito como eu tinha essa coragem, como mostrei ao cara e tal. Esta sou eu, não sou muito sutil, se tenho certeza do que sinto eu falo, não consigo guardar, já fui assim um dia e prefiro ser como sou hoje. Mas os homens às vezes se assustam se afastam, não demonstram ter muita estrutura pra isso, não sei do que têm medo.
Essa semana alguém de quem eu não era tão próxima mas de quem gosto, se declarou pra mim, e me disse que já percebeu que eu olho dentro dos olhos dele e que a forma como faço isso ou aquilo é diferente com ele...Enfim, coisas que faço com todo mundo que gosto mas que, segundo ele supôs, faço especialmente com ele. E quando eu neguei qualquer interesse amoroso da minha parte e lhe pedi desculpas se pareceu o contrário, ele disse ser alguém experiente e que conhece as mulheres, que é paciente e que eu só preciso de um tempo pra ter coragem de admitir. Pode? O que eu vou ficar fazendo durante esse tempo?
lov u
madrugada do dia 06 de maio de 2010
Primeiro Amor
Eu achava que já tinha amado antes, mas lembro do momento em que me dei conta de que daquela vez era diferente, não era mais coisa de criança, era sentimento de gente grande. Penso que a mulher não precisa ficar esperando em silêncio que o cara venha até ela, mas ser conquistada tem o seu charme. Ele era alguém muito doce, um querido, foi a primeira pessoa que me chamou de Lua. Tocava violão e literalmente me cantava! (rs)Com delicadeza me dizia coisas que fugiam do lugar comum e da vulgaridade e me fazia sentir a mais bonita e atraente, uma princesa, porque ele agia como se eu fosse a pessoa mais especial do mundo. Nunca um homem tinha me olhado daquela forma. No início eu resisti, mas depois baixei a guarda, fui ficando envolvida, encantada e me apaixonei.
Questionada sobre os meus sentimentos uma vez, eu não sabia como explicar e disse a ele: - Quando ouço seu nome dói no estômago, e ele também me explicou como se sentia em relação a mim (lembro de cada palavra).
Mas eu tive medo de deixar que ele mudasse certas coisas por minha causa e que depois se decepcionasse por projetar tantas expectativas em mim. Hoje posso admitir, não fiquei com ele porque tive medo de enfrentar as barreiras ou de gostar mais ainda e perder depois, medo de sofrer.
Ele fez de mim alguém muito exigente, passou a ser minha referência porque me acostumou mal (rs) portanto, por mais que eu tenha problemas com a minha auto-estima, prefiro ficar sozinha a me envolver com alguém que faça menos que ele.
Acho que só o próprio entenderia com clareza as coisas que escrevi aqui, talvez meus amigos mais íntimos também, mas quem conhece um pouco da minha história sabe que ele existe e o quanto foi importante. Foram muitos problemas e desencontros, mas pelo menos na minha memória só ficaram as coisas boas: as músicas, os olhares, as palavras...
Eu, apesar de nunca ter demonstrado e de ter dito a ele coisas duras, de forma bastante convincente, chorei muito depois e sofri por minhas decisões radicais a respeito de nós dois. Num outro dia quando nos reencontramos e lhe dei um polido aperto de mão como se fossemos meros conhecidos, quis lhe dar um abraço e contar tudo sobre os meus medos e dúvidas, mas a vida passa, não tenho como voltar atrás, não somos mais as mesmas pessoas, não faz mais sentido.
Acho que minha imaturidade nos prejudicou, não ficamos juntos porque eu fui covarde e nem posso explicar muito para não expô-lo aqui, mesmo sem que ele saiba.
Acho que não se deve dar tanto ouvidos às pessoas que estão de fora, melhor mesmo é arriscar, quebrar a cara, mas ter a experiência e nunca se furtar ou se omitir diante de um amor porque raramente acontece, pelo menos comigo - a não ser que queira se arrepender depois. Arrependo-me de coisas que fiz e que não fiz, mas realmente a segunda opção é a pior. Não quero fazer filosofia de quinta, mas não dá pra amar sem se arriscar.
Primeiro Amor
Eu achava que já tinha amado antes, mas lembro do momento em que me dei conta de que daquela vez era diferente, não era mais coisa de criança, era sentimento de gente grande. Penso que a mulher não precisa ficar esperando em silêncio que o cara venha até ela, mas ser conquistada tem o seu charme. Ele era alguém muito doce, um querido, foi a primeira pessoa que me chamou de Lua. Tocava violão e literalmente me cantava! (rs)Com delicadeza me dizia coisas que fugiam do lugar comum e da vulgaridade e me fazia sentir a mais bonita e atraente, uma princesa, porque ele agia como se eu fosse a pessoa mais especial do mundo. Nunca um homem tinha me olhado daquela forma. No início eu resisti, mas depois baixei a guarda, fui ficando envolvida, encantada e me apaixonei.
Questionada sobre os meus sentimentos uma vez, eu não sabia como explicar e disse a ele: - Quando ouço seu nome dói no estômago, e ele também me explicou como se sentia em relação a mim (lembro de cada palavra).
Mas eu tive medo de deixar que ele mudasse certas coisas por minha causa e que depois se decepcionasse por projetar tantas expectativas em mim. Hoje posso admitir, não fiquei com ele porque tive medo de enfrentar as barreiras ou de gostar mais ainda e perder depois, medo de sofrer.
Ele fez de mim alguém muito exigente, passou a ser minha referência porque me acostumou mal (rs) portanto, por mais que eu tenha problemas com a minha auto-estima, prefiro ficar sozinha a me envolver com alguém que faça menos que ele.
Acho que só o próprio entenderia com clareza as coisas que escrevi aqui, talvez meus amigos mais íntimos também, mas quem conhece um pouco da minha história sabe que ele existe e o quanto foi importante. Foram muitos problemas e desencontros, mas pelo menos na minha memória só ficaram as coisas boas: as músicas, os olhares, as palavras...
Eu, apesar de nunca ter demonstrado e de ter dito a ele coisas duras, de forma bastante convincente, chorei muito depois e sofri por minhas decisões radicais a respeito de nós dois. Num outro dia quando nos reencontramos e lhe dei um polido aperto de mão como se fossemos meros conhecidos, quis lhe dar um abraço e contar tudo sobre os meus medos e dúvidas, mas a vida passa, não tenho como voltar atrás, não somos mais as mesmas pessoas, não faz mais sentido.
Acho que minha imaturidade nos prejudicou, não ficamos juntos porque eu fui covarde e nem posso explicar muito para não expô-lo aqui, mesmo sem que ele saiba.
Acho que não se deve dar tanto ouvidos às pessoas que estão de fora, melhor mesmo é arriscar, quebrar a cara, mas ter a experiência e nunca se furtar ou se omitir diante de um amor porque raramente acontece, pelo menos comigo - a não ser que queira se arrepender depois. Arrependo-me de coisas que fiz e que não fiz, mas realmente a segunda opção é a pior. Não quero fazer filosofia de quinta, mas não dá pra amar sem se arriscar.
O pensionato
Instalei-me num bairro voltado para os estudantes da UEFS, bem do ladinho da faculdade, o Feira VI. Lá, o comércio, o mercado imobiliário, o entretenimento, a economia em si, giravam em tordo de nós estudantes. O final de semana começava na quinta porque a maior parte não morava na cidade e voltava pras suas casas as sextas-feiras. Um lugar prioritariamente jovem, formado por pessoas que como eu, estavam ali longe de suas famílias para estudar. Eu gostava daquele clima, era diferente de tudo que eu já tinha visto.
Logo que cheguei, pensei que ali poderia fazer o que quisesse, ninguém me conhecia, eu nem sabia o que fazer com tanta liberdade mas fiquei de pensar depois a respeito.
Inicialmente fui morar num pensionato misto, um andar só para meninas e outro só para meninos, uma galera do bem, aquele corre-corre, muito divertido. Aprontávamos tanto, fazíamos uns barulhos, os meninos não entendiam nada subiam correndo pra ajudar, mas geralmente éramos eu e Leila estourando bexigas, derrubando pastas de propósito, tadinhos! Mas foi uma fase muito legal. Os rapazes eram muito gentis conosco e nos salvavam de animais de alta periculosidade como baratas, sapos, morcegos e outros.
Dei a sorte de dividir o quarto com pessoas que entrariam definitivamente na minha vida sobre as quais voltarei a falar aqui muitas vezes: Daniela, Iara, Leila e Aline (na ordem em que as conheci). Elas se tornaram uma família pra mim e depois resolvemos alugar uma casa, a Nossa Casa! E deixamos o pensionato após um semestre.
Proclamamos juntas a República das Meninas!(Kkkkkkkkk)
Logo que cheguei, pensei que ali poderia fazer o que quisesse, ninguém me conhecia, eu nem sabia o que fazer com tanta liberdade mas fiquei de pensar depois a respeito.
Inicialmente fui morar num pensionato misto, um andar só para meninas e outro só para meninos, uma galera do bem, aquele corre-corre, muito divertido. Aprontávamos tanto, fazíamos uns barulhos, os meninos não entendiam nada subiam correndo pra ajudar, mas geralmente éramos eu e Leila estourando bexigas, derrubando pastas de propósito, tadinhos! Mas foi uma fase muito legal. Os rapazes eram muito gentis conosco e nos salvavam de animais de alta periculosidade como baratas, sapos, morcegos e outros.
Dei a sorte de dividir o quarto com pessoas que entrariam definitivamente na minha vida sobre as quais voltarei a falar aqui muitas vezes: Daniela, Iara, Leila e Aline (na ordem em que as conheci). Elas se tornaram uma família pra mim e depois resolvemos alugar uma casa, a Nossa Casa! E deixamos o pensionato após um semestre.
Proclamamos juntas a República das Meninas!(Kkkkkkkkk)
terça-feira, 4 de maio de 2010
Morar em Feira de Santana
Estava completando um mês de cursinho, no Módulo, e não andava muito feliz porque vinha ouvindo depoimentos de pessoas que estavam ali há mais de quatro anos tentando passar no vestibular e não era isso que eu queria pra mim, até porque achava que nunca ia passar. O meu sonho de infância era ser advogada, mas aos 17 anos quem tem certeza de alguma coisa?
Durante o intervalo entre uma aula e outra, olhei para uma nova amiga do cursinho e disse: - Não vou agüentar isso, esse ambiente me dá angustia! - E abaixei a cabeça. Exatamente neste momento, o professor de literatura entrou na sala dizendo: - Quem é Luana Marques? – E eu respondi levantando a cabeça sem entender nada, também suspendi o dedo: - Eu! – respondi.
Ele continuou:
-Desça rápido porque sua tia está aí embaixo te esperando. Você passou no vestibular em Feira de Santana, parabéns! - A turma aplaudiu, fez a maior festa e fui embora, pra nunca mais voltar.
Eu havia passado em Direito na UNEB, muito longe, em Juazeiro - decidi não ir, e perdido na UFBA, mas esqueci que tinha prestado vestibular pra História, na UEFS e não olhei o resultado, então a irmã de uma amiga minha viu o meu nome no jornal por acaso e ligou pra ela que ligou pra minha casa e ali estava eu, correndo para resolver tudo, pois aquele era o último dia de matrícula.
Quem me esperava no cursinho quando desci as escadas era tia Marta, tive um minuto pra pensar se cursaria ou não a faculdade, graças a ela e Tio Hudson consegui resolver tudo, pois meu pai estava viajando e porque eles são demais mesmo! Tiramos documentos, fotos 3x4, pegamos histórico na antiga escola, foi um corre-corre porque já tinha passado das três horas ha muito tempo. Depois de tudo ainda teríamos que ir até Feira de Santana efetuar a matrícula. Minha tia não foi conosco, mas ficou o tempo todo ao telefone tentando convencer os responsáveis pela matrícula a me aguardar porque eu já estava chegando (mentira! Ainda faltava muita estrada.). Meu tio correu na estrada como se estivesse levando uma filha dele e quando chegamos à Universidade já era noite. Lembro que ele fechou os carros no estacionamento, caso fossem dos funcionários não poderiam sair até que me matriculassem (risos). Ufa! Depois de muita agonia eu estava, enfim, matriculada. A tarde foi corrida mas cumprimos a missão!
Minha avó não queria que eu fosse e minha mãe me advertiu de que se eu ligasse chorando meu pai não ia poder sair correndo pra me buscar, meu avô me apoiou após constatar que era o que eu queria, meus primos ficaram um pouco tristes porque eu ficaria longe, minhas tias ficaram divididas, meu namorado a época disse que eu não conseguiria “ Lu, você é muito apegada a sua família, não vai ficar uma semana”...
Mas eu só tomei consciência do que aquilo significava quando entrei sozinha no ônibus . Chorei o caminho todo,parecia que estava indo pro outro lado do mundo, nunca tinha ficado longe daquela estrutura familiar, era como cortar o cordão umbilical pela segunda vez. Eu sabia que perderia momentos preciosos do desenvolvimento de Lipe, que então estava com 3 anos, que perderia contato com meus amigos, que não estaria lá em momentos importantes da família e um monte de outras coisas que fiquei pensando.
Mas eu sabia também que precisava crescer, sair um pouquinho do meu mundinho cor-de-rosa, conhecer pessoas diferentes, começar a virar adulta, ter mais responsabilidades e até, porque não, me desapegar um pouco da minha família, ser mais independente. Estava indo morar sozinha, não conhecia ninguém, nada, tudo era novo, não sabia o que me esperava, podia dar certo ou errado, como tudo, e eu precisava dessa experiência, qualquer problema eu tinha pra onde voltar.
Durante o intervalo entre uma aula e outra, olhei para uma nova amiga do cursinho e disse: - Não vou agüentar isso, esse ambiente me dá angustia! - E abaixei a cabeça. Exatamente neste momento, o professor de literatura entrou na sala dizendo: - Quem é Luana Marques? – E eu respondi levantando a cabeça sem entender nada, também suspendi o dedo: - Eu! – respondi.
Ele continuou:
-Desça rápido porque sua tia está aí embaixo te esperando. Você passou no vestibular em Feira de Santana, parabéns! - A turma aplaudiu, fez a maior festa e fui embora, pra nunca mais voltar.
Eu havia passado em Direito na UNEB, muito longe, em Juazeiro - decidi não ir, e perdido na UFBA, mas esqueci que tinha prestado vestibular pra História, na UEFS e não olhei o resultado, então a irmã de uma amiga minha viu o meu nome no jornal por acaso e ligou pra ela que ligou pra minha casa e ali estava eu, correndo para resolver tudo, pois aquele era o último dia de matrícula.
Quem me esperava no cursinho quando desci as escadas era tia Marta, tive um minuto pra pensar se cursaria ou não a faculdade, graças a ela e Tio Hudson consegui resolver tudo, pois meu pai estava viajando e porque eles são demais mesmo! Tiramos documentos, fotos 3x4, pegamos histórico na antiga escola, foi um corre-corre porque já tinha passado das três horas ha muito tempo. Depois de tudo ainda teríamos que ir até Feira de Santana efetuar a matrícula. Minha tia não foi conosco, mas ficou o tempo todo ao telefone tentando convencer os responsáveis pela matrícula a me aguardar porque eu já estava chegando (mentira! Ainda faltava muita estrada.). Meu tio correu na estrada como se estivesse levando uma filha dele e quando chegamos à Universidade já era noite. Lembro que ele fechou os carros no estacionamento, caso fossem dos funcionários não poderiam sair até que me matriculassem (risos). Ufa! Depois de muita agonia eu estava, enfim, matriculada. A tarde foi corrida mas cumprimos a missão!
Minha avó não queria que eu fosse e minha mãe me advertiu de que se eu ligasse chorando meu pai não ia poder sair correndo pra me buscar, meu avô me apoiou após constatar que era o que eu queria, meus primos ficaram um pouco tristes porque eu ficaria longe, minhas tias ficaram divididas, meu namorado a época disse que eu não conseguiria “ Lu, você é muito apegada a sua família, não vai ficar uma semana”...
Mas eu só tomei consciência do que aquilo significava quando entrei sozinha no ônibus . Chorei o caminho todo,parecia que estava indo pro outro lado do mundo, nunca tinha ficado longe daquela estrutura familiar, era como cortar o cordão umbilical pela segunda vez. Eu sabia que perderia momentos preciosos do desenvolvimento de Lipe, que então estava com 3 anos, que perderia contato com meus amigos, que não estaria lá em momentos importantes da família e um monte de outras coisas que fiquei pensando.
Mas eu sabia também que precisava crescer, sair um pouquinho do meu mundinho cor-de-rosa, conhecer pessoas diferentes, começar a virar adulta, ter mais responsabilidades e até, porque não, me desapegar um pouco da minha família, ser mais independente. Estava indo morar sozinha, não conhecia ninguém, nada, tudo era novo, não sabia o que me esperava, podia dar certo ou errado, como tudo, e eu precisava dessa experiência, qualquer problema eu tinha pra onde voltar.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
De onde eu venho
Admiro a criação que meus pais e avós me deram, no que diz respeito a valores e princípios, a única coisa diferente que faria é preparar melhor os meus filhos para viver a realidade porque crianças superprotegidas viram pessoas frágeis e despreparadas. Mas os entendo, pois fui a primeira filha, primeira neta, primeira sobrinha... E ainda hoje sou a única mulher desta geração da minha família. Então nunca me faltou amor, sempre me sobrou dengo e cuidados, muitos cuidados. Lembro de tia Marcélia me pondo em seu colo e cortando as minhas unhas no seu horário de almoço, para quem eu era (e ainda sou) a Lola ou Lolinha; Tia Marta me chamava de Tialinda, não tem como não lembrar dos presentes que ela me trazia de viagem; Tia Rosa com quem eu ouvia muita música, fazíamos ginástica, e adorava me fazer surpresas. Casa de avó é assim, sempre movimentada, sempre com visita, cheia dos filhos e todas participaram da minha educação e me mimaram MUITO. Minhas tias são grandes amigas minhas, parecem formar uma equipe com a qual sempre posso contar, basta que eu dê um ou dois telefonemas e pronto, tia Marta vai resolver, tia Marcélia já sabe como, tia Rosa conseguiu. Um problema comigo e todas ficam preocupadas, se metem, dão opinião, uma confusão!(risos)
Acho que elas não entendem qual o meu problema, ou melhor, como alguém que sempre teve tudo como eu, cresceu tão cheia de problemas e questionamentos dentro de si, uma auto-critica auto-destrutiva e com uma capacidade irritante de questionar tudo a sua volta, uma REBELDE.
Tem coisas que eu também não sei explicar mas eu prefiro ir a Cuba que aos EUA, prefiro espanhol ao inglês, música latina à americana, estudei em colégio católico e não tenho religião, gostava de fazer coisas de adulto quando era criança e agora me sinto uma menina e mais um milhão de coisas.
Posso até mudar de idéia se o argumento contrário me convencer mas geralmente estou indo contra.
Acho que elas não entendem qual o meu problema, ou melhor, como alguém que sempre teve tudo como eu, cresceu tão cheia de problemas e questionamentos dentro de si, uma auto-critica auto-destrutiva e com uma capacidade irritante de questionar tudo a sua volta, uma REBELDE.
Tem coisas que eu também não sei explicar mas eu prefiro ir a Cuba que aos EUA, prefiro espanhol ao inglês, música latina à americana, estudei em colégio católico e não tenho religião, gostava de fazer coisas de adulto quando era criança e agora me sinto uma menina e mais um milhão de coisas.
Posso até mudar de idéia se o argumento contrário me convencer mas geralmente estou indo contra.
Um amor no meio do caminho
madrudada do dia 03 de maio de 2010
Tem uma frase bem clichê que diz: quando é pra ser, é! Foi o jeito mais inusitado de duas pessoas se apaixonarem, eu não procurava por ninguém, ainda era apaixonada pelo meu primeiro amor de verdade, e Felipe tinha acabado de nascer, era a coisa mais importante da minha vida, eu não via mais nada em volta. Tanto que não percebi o par de olhos azuis que vinha me seguindo. Era um novo vizinho, recém chegado do Espírito Santo para estudar e morar na Bahia, no meu prédio. Segundo eu soube depois, ele acompanhava a evolução dos meus cumprimentos a ele em cada encontro: se eu só sorria, se eu dizia oi, ou perguntava se estava tudo bem e eu o fazia de maneira mecânica, apesar de alguém ter comentado sobre ele comigo. Eu era a pessoa mais reservada e distraída (acho que ainda sou) do mundo e ele foi se mostrando alguém atencioso e disposto a superar todas essas dificuldades. A história é muito engraçada, em resumo, outra menina era apaixonada por ele e lhe mandava cartas anônimas, ele já me observava há muito tempo, achava que tínhamos uma conexão e logo pensou que era eu quem lhe escrevia e respondeu as duas cartas que recebeu na minha caixa de correspondência... Foi uma confusão daquelas! Mandei uma pra ele explicando que não era eu, que havia um engano, mas ele insistiu e começamos a conversar por telefone, pessoalmente e acabamos virando namorados. Ainda tenho essas cartas e as poesias que ele me escrevia (já sabendo quem era quem). Foi a segunda vez que eu disse Eu Te Amo pra alguém. Fizemos planos, sobre profissões e filhos, eu conseguia me imaginar com ele no futuro, mas aconteceram várias coisas e acabou. Desde o primeiro beijo, roubado, até o beijo de despedida foram uns dois anos e pouquinho. Ele foi alguém muito importante pra minha vida e demorei a esquecê-lo!
Ainda hoje me lembro dele quando ouço uma música cujo trecho ele pôs num cartão com o buquê de flores mais lindo que já recebi: “Porque toda razão, toda palavra, vale nada quando chega o amor.”
Tem uma frase bem clichê que diz: quando é pra ser, é! Foi o jeito mais inusitado de duas pessoas se apaixonarem, eu não procurava por ninguém, ainda era apaixonada pelo meu primeiro amor de verdade, e Felipe tinha acabado de nascer, era a coisa mais importante da minha vida, eu não via mais nada em volta. Tanto que não percebi o par de olhos azuis que vinha me seguindo. Era um novo vizinho, recém chegado do Espírito Santo para estudar e morar na Bahia, no meu prédio. Segundo eu soube depois, ele acompanhava a evolução dos meus cumprimentos a ele em cada encontro: se eu só sorria, se eu dizia oi, ou perguntava se estava tudo bem e eu o fazia de maneira mecânica, apesar de alguém ter comentado sobre ele comigo. Eu era a pessoa mais reservada e distraída (acho que ainda sou) do mundo e ele foi se mostrando alguém atencioso e disposto a superar todas essas dificuldades. A história é muito engraçada, em resumo, outra menina era apaixonada por ele e lhe mandava cartas anônimas, ele já me observava há muito tempo, achava que tínhamos uma conexão e logo pensou que era eu quem lhe escrevia e respondeu as duas cartas que recebeu na minha caixa de correspondência... Foi uma confusão daquelas! Mandei uma pra ele explicando que não era eu, que havia um engano, mas ele insistiu e começamos a conversar por telefone, pessoalmente e acabamos virando namorados. Ainda tenho essas cartas e as poesias que ele me escrevia (já sabendo quem era quem). Foi a segunda vez que eu disse Eu Te Amo pra alguém. Fizemos planos, sobre profissões e filhos, eu conseguia me imaginar com ele no futuro, mas aconteceram várias coisas e acabou. Desde o primeiro beijo, roubado, até o beijo de despedida foram uns dois anos e pouquinho. Ele foi alguém muito importante pra minha vida e demorei a esquecê-lo!
Ainda hoje me lembro dele quando ouço uma música cujo trecho ele pôs num cartão com o buquê de flores mais lindo que já recebi: “Porque toda razão, toda palavra, vale nada quando chega o amor.”
Felipe nasceu
Eu acho que nasci com o dom de ser mãe, lembro que ainda muito pequena, brincando de boneca, eu carregava o “bebê” e me emocionava de verdade com aquela sensação de tê-lo sob os meus cuidados. Crianças sempre me transmitiram paz, eu não sentia medo, a impressão era a de que aquele serzinho precisava de mim e, portanto eu tinha que ficar bem. Quero muito poder gerar um filho algum dia, porque tenho certeza de que vou ser uma boa mãe, tamanho o amor que eu já sinto por alguém que ainda nem existe. Louco isso, não? Mas sempre me senti assim. Tenho um instinto protetor enorme.
Quando tia Rosa me disse que estava grávida eu não acreditei, foi uma felicidade imensa, era como se eu estivesse grávida junto. Comecei a ler sobre gravidez, bebês, desenvolvimento intra-uterino, O QUE ESPERAR QUANDO SE ESTÁ ESPERANDO. Conversava com a “barriga” todos os dias. Fiquei grudada nela, não queria perder nenhum momento. Nesse período eu tinha quinze anos e ficava muito mais na casa da minha vó que na minha própria casa, não era oficial mas de fato eu já morava com os meus avós.
Quando Lipe nasceu eu fiquei fascinada!Era o meu bebê de verdade. Ficava com ele desde a hora em que acordava até a hora de ir dormir. De manhã descíamos para o banho de sol depois o banho, o cochilo da manhã, toda uma rotina em que fiz questão de me inserir e participar ativamente. Ele sempre teve babá, mas eu gostava de fazer as coisas pessoalmente porque era como se ele fosse um pedacinho de mim, nutria por ele um amor de mãe. Quando eu saía, me sentia culpada por tê-lo deixado em casa, me preocupava, ligava para saber se havia comido tudo, queria voltar logo para vê-lo. Por conta disso, minha presença passou a se fazer necessária, então ele só comia comigo, só dormia comigo, e isso me envaidecia,me fazia sentir útil. Que fique claro, tenho plena consciência de que ninguém me colocou naquela situação, eu busquei aquilo, eu assumi responsabilidades, e me aprisionei.
Bem, com dezesseis anos meus amigos cobravam minha presença, muitos se afastaram porque eu nunca correspondia suas expectativas e meninas da minha idade estavam por aí curtindo, enquanto eu me sentia mãe e agia como tal. Não que essa tenha sido uma época ruim, pelo contrário, eu me sentia realizada, mas é complicado você pular etapas e eu me coloquei numa situação que mais tarde me traria problemas. Ainda hoje me policio e digo a mim mesma: “Você é solteira não tem filhos nem responsabilidades com ninguém além de você, relaxe!” vivo repetindo isso porque no meu inconsciente a sensação é contrária, mas Fazer faculdade longe me ajudou muito!
Quando tia Rosa me disse que estava grávida eu não acreditei, foi uma felicidade imensa, era como se eu estivesse grávida junto. Comecei a ler sobre gravidez, bebês, desenvolvimento intra-uterino, O QUE ESPERAR QUANDO SE ESTÁ ESPERANDO. Conversava com a “barriga” todos os dias. Fiquei grudada nela, não queria perder nenhum momento. Nesse período eu tinha quinze anos e ficava muito mais na casa da minha vó que na minha própria casa, não era oficial mas de fato eu já morava com os meus avós.
Quando Lipe nasceu eu fiquei fascinada!Era o meu bebê de verdade. Ficava com ele desde a hora em que acordava até a hora de ir dormir. De manhã descíamos para o banho de sol depois o banho, o cochilo da manhã, toda uma rotina em que fiz questão de me inserir e participar ativamente. Ele sempre teve babá, mas eu gostava de fazer as coisas pessoalmente porque era como se ele fosse um pedacinho de mim, nutria por ele um amor de mãe. Quando eu saía, me sentia culpada por tê-lo deixado em casa, me preocupava, ligava para saber se havia comido tudo, queria voltar logo para vê-lo. Por conta disso, minha presença passou a se fazer necessária, então ele só comia comigo, só dormia comigo, e isso me envaidecia,me fazia sentir útil. Que fique claro, tenho plena consciência de que ninguém me colocou naquela situação, eu busquei aquilo, eu assumi responsabilidades, e me aprisionei.
Bem, com dezesseis anos meus amigos cobravam minha presença, muitos se afastaram porque eu nunca correspondia suas expectativas e meninas da minha idade estavam por aí curtindo, enquanto eu me sentia mãe e agia como tal. Não que essa tenha sido uma época ruim, pelo contrário, eu me sentia realizada, mas é complicado você pular etapas e eu me coloquei numa situação que mais tarde me traria problemas. Ainda hoje me policio e digo a mim mesma: “Você é solteira não tem filhos nem responsabilidades com ninguém além de você, relaxe!” vivo repetindo isso porque no meu inconsciente a sensação é contrária, mas Fazer faculdade longe me ajudou muito!
Assinar:
Comentários (Atom)
