Madrugada do dia 18 de abril de 2010
Aos treze começaram as paquerinhas (acho que esse termo já caiu em desuso), os meninos do condomínio, do colégio... Eu fui uma criança muito bonita e era uma pré-adolescente que chamava a atenção por já ter o corpo formado e um jeito de mocinha. Sempre fui muito centrada, talvez por conviver muito com adultos, então esse era um ponto a meu favor. Ao mesmo tempo, estava ganhando mais liberdade de ir e vir então passei a sair sozinha, a lanchar no colégio (acabaram-se as merendeiras), já podia ir a Shoppings com as amigas, shows...tudo com muita responsabilidade e meus pais deixavam porque eu sempre fui muito ajuizada. No entanto, comecei a fazer uma troca bastante perigosa que me faria pagar cada centavo das suas conseqüências mais tarde: comecei a comer muito, tudo! E como comia muito fora de casa e minha mãe trabalhava no turno em que eu ficava em casa, não tinha como ela perceber e me controlar. Eu fazia loucuras, lanchava muito na escola, na saída ia ao Mc Donald’s e quando chegava em casa ainda almoçava. Quase toda tarde eu pegava um livro de receitas da minha mãe e escolhia o que iria fazer: massas, doces, salgados... Hoje sei o quanto agredi o meu corpo e a minha saúde, mas na época, como fui engordando sem notar, não achava que fazia mal e nem questionava o porquê de estar fazendo aquilo. Eu só sei que quando parei pra observar, já tinha desenvolvido uma relação estranha com a comida e não conseguia parar. Era como um vício, eu comia mesmo que não estivesse gostoso, eu esperava pra ficar sozinha e não precisar dividir com ninguém ou comia, por exemplo, toda uma sobremesa que era para toda a família, sem me importar se os demais já haviam comido ou não. Era esquisito porque esse egoísmo não era algo próprio da minha personalidade, nem com dinheiro, roupas, maquiagem ou brinquedos, mas com a comida era assim. Hoje sei o nome daquela patologia: Compulsão Alimentar, mas na época eu nem sabia que isso existia. Eu me culpava muito, sentia muita raiva de mim, e me sentia uma fraca, mas hoje eu sei que eu era apenas uma menina com muito medo, cheia de tormentos e muito sozinha nesse aspecto, resolvi como deu e preciso me perdoar por isso. Passei a me esconder dos meus “fantasmas” embaixo de uma capa de gordura. Bom, sustento a tese de que fui substituindo a ansiedade e o medo excessivo trazidos da infância, pela comida. Troquei uma coisa pela outra e virei uma menina complexada e com pena de mim mesmo num dos momentos mais delicados e confusos da vida: a adolescência.
Passei então a fazer as dietas mais loucas que existem. Emagreci e engordei mais de vinte vezes, tudo muito rapidamente- o tal do efeito sanfona. E cada vez era mais sofrimento pra mim, eu me sentia um lixo porque numa semana as pessoas estavam me elogiando, dizendo que estava linda mais magra, que era pra eu continuar, mas eu inconscientemente me sabotava e engordava tudo de novo ou até mais e as mesmas pessoas não comentavam mais nada então eu lia nas entrelinhas: - Poxa, você engordou de novo, voltou a ficar feia, que pena!
Como na adolescência, grande parte da personalidade do indivíduo se forma, posso afirmar que fiquei com algumas seqüelas. Tive minha auto-estima bastante prejudicada e minha autoconfiança abalada. Raramente acredito em mim e sempre me surpreendo com minhas vitórias ou resultados positivos. Atualmente venho fazendo um grande esforço para me elogiar e aceitar que tenho qualidades, mesmo que às vezes aparente ser arrogante, mas esse é apenas um exercício. São coisas que estou dizendo a mim, para me convencer e levantar a minha auto-estima.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
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Amiga,
ResponderExcluirposso fazer uma lista enorme de elogios à você: inteligente, criativa, agradável, divertida, mas, o mais importante é que você linda, sim e atraente, gorda ou magra.