sexta-feira, 30 de abril de 2010

Eu choro

Tem dias em que tudo está ruim, e eu queria simplesmente sumir! Dá vontade de sair por aí sem destino até o mais longe que eu puder, dá a impressão de que me sentiria melhor, ou de tomar um grande porre num boteco qualquer, mas eu nem bebo! Cogito comprar uma passagem pra qualquer lugar sem dizer a ninguém e viajar. Não precisa ser muito longe, só precisa "não" ser aqui.
Hoje eu chorei muito, meus olhos estão inchados porque tem coisas que não posso resolver, não tem como dar um jeito e tudo que eu queria é um colo, um abraço. Acho que, mas tarde vou procurar um ombro, mas não queria estragar a noite de ninguém com os meus problemas impossíveis de resolver.
Amo minha avó demais, mas a idade faz com seu humor seja inacreditavelmente instável. Por exemplo, hoje, ela me acordou me chamando de meu amor e saímos juntas, foi muito bom. Fiz tudo o que ela me pediu, mesmo que para mim não seja muito interessante passar a manhã no hospital, depois no supermercado e mais tarde no banco, mas sei que ela precisa de mim, já não consegue fazer as coisas sozinha, precisa de ajuda e vou com prazer por ela, por nossa família (minha e dela), para que ela fique satisfeita. Daí de tarde tudo muda e ela está me olhando diferente, e eu juro não sei por que! Não tem motivo e isso me desestrutura me magoa. Minha mãe acompanhou minha crise de choro desta tarde e disse que estou sendo infantil, que minha avó tem 79 anos e que eu tenho que entender isso, mas eu não suporto ver o que a velhice está fazendo com ela, parece que quer me afastar, é capaz de me dizer coisas que magoam de verdade e no dia seguinte dizer que sou a pessoa que mais ama e confia no mundo.
Eu sei que não posso condicionar a minha felicidade a isso mas se não estiver tudo bem com minha avó eu não tenho paz, falta alguma coisa. Preciso trabalhar isso em mim mas não sei por onde começar.
O problema é que minha avó sempre foi meu porto seguro, meu farol, e se ela não está bem eu não consigo ficar bem, eu me sinto totalmente perdida. Será egoísmo? Mas puxa, queria tanto poder contar com minha vó em certas horas! É que às vezes "ela não se parece com ela", não tenho como não chorar.

“ Tem horas que bate uma tristeza tão grande e eu não sei o que fazer e nem para onde ir, é tanta coisa que eu queria dizer, mas não tem ninguém pra ouvir, então choro...”

Uma coisa que me ocorreu

Estive conversando esta semana com um amigo sobre os benefícios (buscá-los é uma forma de aceitar a idade de forma mais otimista - rs) que a maturidade trás e disse a ele que quando se tem quase trinta, você liga menos pro que os outros vão pensar de você e é verdade. Acho que tem a ver com o fato de você ter deixado de fazer muitas coisas em função do que iriam dizer sobre, então a palavra DANE-SE passa a fazer parte do seu vocabulário com mais freqüência. Claro que a opinião das pessoas mais importantes fazem diferença, com elas eu converso, explico meus motivos e se não entenderem é óbvio que vou ficar triste, mas vou fazer o que queria ainda assim, porque a gente tem que ser autor da nossa própria vida e sejamos justos, cada um tem essa oportunidade mas uma vez só e consigo mesmo não com a vida do outro, não com a minha vida.
Mesmo que estejam com a melhor das intenções, pessoas controladoras me irritam cada vez mais, ora, que escrevam um livro, criem bonequinhos de marionete, inventem personagens da forma como quiserem mas não projetem coisas em mim, para mim, tenho vontade própria, e ainda que de maneira um tanto desajeitada quero ser dona da minha história.

Feriado Decretado

Madrugada do dia 30 de abril de 2010
Passei dias muito bons, me diverti demais! Fui um tanto irresponsável, deixei de fazer coisas importantes, priorizei coisas prazerosas e claro que me senti culpada durante e depois, mas não me arrependo. Me senti tão leve, ri muito e adoro rir!
Breno fez 21 anos e eu lembro lá em 1989(como conto todo ano a ele), da minha mãe nos colocando, eu e meu irmão, para dormir cedo na noite em que ele nasceria e então ela fazia uma oração e nós íamos repetindo em voz alta pedindo a Deus que ele viesse com saúde, perfeito...E todo dia 28 de abril agradeço pelo presente que ganhei naquela noite e me lembro daquele momento. Comemoramos seu aniversário em grande estilo, entre seus amigos, com direito a praias, almoço e parque de diversões.
Por falar nisso, não tenho como não comentar coisas importantes que consegui fazer durante esses dias, parece bobagem, mas pela primeira vez me diverti num parque de diversões sem paranóias. Acho que já contei essa parte sobre o meu medo mas dessa vez fui em todos os brinquedos. Não parece bobagem? Pois pra mim não é. É como alguém que morre de medo de altura e derrepente sobe num prédio bem alto e descobri que gosta de altura e sente até prazer em estar ali no alto. Muito louco esse sentimento. Todo mundo conhece alguém que tem medo de ir em certos brinquedos num parque de diversões, mas como tenho uma lista de medos (que tem ficado menor a cada dia), é gostoso ir descobrindo os que já não tenho, mais um, ou menos um, faz toda a diferença.
Então dá a impressão de que eu posso superar tudo, fazer o que eu quiser. Por mais que a gente não consiga fazer uma coisa hoje nada impede que amanhã ela aconteça, mesmo que amanhã demore anos. Tudo bem que eu tentei disfarçar a minha felicidade, a minha vontade de ir descontroladamente num brinquedo atrás do outro como uma criança mas descobri um prazer que jamais havia experimentado tão plenamente. Num parque de diversões você pode, inclusive, gritar a vontade, ninguém vai te achar louco, é libertador! Será que só eu tenho vontade de gritar às vezes?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um parêntese - Verão 2008-2009

Madrugada do dia 20 de abril de 2010

Estou em frente ao meu prédio digitando dentro do carro, o condomínio dorrrrrrme! Eu estou lembrando...
Há aproximadamente um ano e meio me encontrava num estágio de depressão terrível. Vivia em casa, de camisola praticamente incomunicável. Tinha recomeçado a análise há pouco tempo e estava me readaptando aos remédios psicotrópicos. Lembro-me da presença constante do meu primo Breno que sempre me fazia visitas. Eu geralmente estava dormindo, então ele me acordava para que conversássemos e me falava da sua vida, me colocava pra cima, me fazia rir... Aliás, meus primos nunca me deixam sozinha, eu sempre os tenho por perto, são grandes amigos, protetores, e é importante que eu diga!
Breno então, começou a me inserir no seu grupo de amigos, em sua maioria ex-colegas de escolas em que ele estudou, portanto, tinham aproximadamente a sua idade – entre 20 e 23 anos. Foi aí que começou um dos melhores verões da minha vida: 2008/2009. Iniciou-se uma fase que eu costumo chamar de adolescência tardia em que eu passei a fazer muita coisa que nunca tinha feito, fiz também muitos amigos, saí muito - algumas pessoas diziam que eu estava feliz demais, Alguém chegou a cogitar a hipótese de eu estar passando por um transtorno bipolar (risos), visto que há tão pouco tempo eu estava deprimida. Bom, eu não sei o que foi, mas me fez muito bem.

Romance e sonhos

Madrugada do dia 21 de abril de 2010

Claro que a minha vida não se resume a médicos, crises e medos. Talvez eu seja um pouco dramática, mas tenho um lado infantil, sonhador, romântico... Nem tudo é trágico. Tem um pouco de humor, um tanto de música, poesia e eu sou uma mistura de tudo isso.
Eu não queria ser uma pessoa fria e racional, mas ser romântica cansa muito, porque a realidade não tem muito romantismo, mas certo grupo de pessoas sofreu alguma alteração genética que faz com que elas olhem a vida através de uma lente cor de rosa. Eu, infelizmente, tenho esse grave defeito de fabricação. Um livro, um filme, uma música me dão frio na barriga, arrepiam e emocionam facilmente. Sinto tudo! Vivo dizendo que morro de saudades de um amor que ainda não vivi, acho a lua a coisa mais romântica que existe, adoro ficar em silêncio ao lado de quem eu gosto, amo dar abraço de um minuto (piada interna). Em resumo: sou muito boba, e sei que isso sempre foi um obstáculo à minha vida amorosa. Ergo uma muralha ao meu redor, sempre fui assim, talvez esse seja mais um dos meus medos. Sempre impus regras rígidas, sobre o meu corpo, por exemplo. Então não podia um monte de coisas, porque eu via certas coisas como invasão ou abuso. Já irritei algumas pessoas por isso, briguei, já me senti ofendida, e não vou mentir, certas regras ainda existem, ainda sou assim. Não que isso signifique que eu me ache superior ou intocável, a essa altura já não é segredo pra ninguém que eu tenho uma auto-estima baixíssima, mas acho que certas coisas são tão íntimas e especiais, que não deveriam ser banalizadas assim. Na verdade meu entendimento de liberação sexual é muito diferente do da maioria. Não tem nada a ver com quantidade ou variedade, se bem que, se te der prazer, porque não? Mas o meu prazer é diferente.
Como não sou uma pessoa superficial, embora aparente às vezes, não beijo na boca por beijar, não transo se não estiver apaixonada e não sou desleal a quem eu amo e claro, pago um preço por isso.
Durante muito tempo acreditei que deveria me casar virgem porque tinha uma visão fantasiosa de que apareceria o cara perfeito, com direito a fundo musical, e então seríamos felizes como nos contos de fadas. Claro que a vida vai te ensinando muitas coisas e não tenho vergonha de dizer que mudei de idéia, porque teve um momento em que parei pra pensar: Vai que o príncipe demora 40 anos pra chegar, se é que ele existe! Eu hoje sei que preciso viver, sentir, experimentar e ser feliz com o que a realidade me oferece porque contos de fadas não existem. O problema é que quando você é menina, principalmente, costumam ler isso pra você todos os dias antes de dormir, daí você internaliza aquilo e acha que tudo pode ser perfeito.
Atualmente, pra falar a verdade, a perfeição nem me atrai mais, meus gostos mudaram. Sou uma pessoa mais realista. Mas as lentes cor-de-rosa continuam grudadas nos meus olhos, infelizmente!
“ Quem sabe o príncipe virou um chato e vive dando no meu saco, quem sabe a vida é não sonhar?”
05:09h

domingo, 25 de abril de 2010

Meu avô

madrugada do dia 19 de abril de 2010


Desde muito pequena praticamente fui criada pelos meus avós, meus pais trabalhavam o dia todo, então era com eles que eu passava os meus dias, principalmente até os seis anos. Mas independente disso, os dois sempre foram muito presentes na minha vida, em todos os aspectos e anos mais tarde eu me mudaria de vez pra casa deles. Via no meu avô um homem forte, inteligente e eu o respeitava muito, conhecia a sua história e o admirava por saber de onde ele vinha e aonde chegou por meio de muito trabalho e um tanto de sorte também. Era capaz de fazer as brincadeiras mais bobas ou de falar forte com sua voz grave que podia dar medo, mas isso não me impedia de contra argumentar cada reclamação que ele me fazia então ele logo me apelidou de Dona polêmica, porque eu sempre tinha justificativas e respostas para tudo, segundo ele. Carinhosamente me chamava de moranguinha esmerenguebia (não sei de onde ele tirou esse) ou Luck.
Não era um homem de conversar muito, mas eu lembro bem das suas palavras antes da minha ida para a Feira de Santana (onde eu moraria por cinco anos) a primeira vez ele me disse muito sério: - Minha filha, não tem como você dar errado, siga o seu caminho e lembre: a única coisa que pode desviar uma moça são as drogas, homens ruins e fanatismo religioso (e realmente algumas dessas coisas passaram por mim). Engraçado, quando me propus a escrever sobre ele passou um filme na minha cabeça. Sei que ele fez por mim e por meu irmão muitas das coisas que ele gostaria de ter feito pelas filhas dele e não podia. Fazer horário durante horas na porta da nossa escola para nos levar de carro pra casa, vir de Periperi, onde morava, até Brotas, pra tirar a gente do castigo, obrigando a babá a desobedecer às ordens da nossa mãe. Dar-nos mimos, realizar tantos sonhos...
Bom, eu cursava o quarto ano de faculdade quando aconteceu a maior de todas as greves de professores já vistas na UEFS. Por isso vim pra Salvador, e foi nesse período, através de exames médicos, que descobrimos que meu avô, diabético (que andava muito cansado e com dores nas pernas) estava com as principais veias do coração entupidas. O cardiologista falou na ocasião, que era muito delicada a cirurgia e na idade do meu avô não era muito recomendável. Uma segunda opinião, porém, nos informou que debilitado como ele estava ele corria risco de vida operando ou não – apesar de ser um ex atleta profissional meu avô não agüentava dar poucas passadas sem que sua respiração ficasse ofegante e corria o risco de ter um infarto fulminante a qualquer momento.
Pela primeira vez na vida vi meu avô vulnerável e tentava imaginar o que ele estava pensando, porque eu estava com medo. Diante da gravidade do caso, como qualquer das opções era perigosa, o cirurgião resolveu apostar na operação. Afirmou que o coração dele era forte e prometeu a ele que ainda voltaria a jogar futebol como nos velhos tempos. Nós, da família confiamos e passamos a contar os dias para que a cirurgia acontecesse. Essa, no entanto, foi adiada várias vezes o que deu tempo para que meu avô passasse mais tempo conosco, inclusive as festas de fim de ano (quando tiramos sua última foto). Em fevereiro, tudo certo, internação ok, a cirurgia um sucesso, cheguei a fazer uma visita pela manhã e fiquei uns cinco minutos sozinha com ele na UTI. Era como olhar para um bebê, frágil e querer protegê-lo. Então eu pesei: vô, tá tudo bem, a gente vai te levar pra casa e vai cuidar de você, deu tudo certo! Depois só fiquei olhando pra ele e sorrindo, não quis falar porque ele estava entubado e dormindo e não me demorei mais, porque me deu vontade de tossir e fiquei com medo de prejudicá-lo com bactérias, sei lá. Durante a visita da tarde um atraso no horário, um paciente havia passado mal, minha tia desceu e viu: era ele, meu avô estava cercado de médicos, teve uma parada cardíaca, foi ressuscitado. Depois eu consegui entrar em contato com o médico dele que voltou ao hospital para refazer a cirurgia, mas o coração não suportou e rompeu.
Eu que já não era mais tão atormentada pelo medo da morte comprovei de fato que ela existia e naquele momento fiquei muito revoltada porque só conseguia vê-la como um evento negativo que tira as pessoas que a gente ama. Minha família ficou arrasada, o fizemos confiar numa cura que nunca viria, a casa ficou estranha, a mesa vazia. Passei a dormir no quarto em que ele dormia e durante muito tempo ainda sentia o cheiro dele lá. Guardo comigo um chapéu que ele costumava usar, a coisa mais feia do mundo, mas ele gostava.
Eu perdi uma referencia um pedaço não sei por que, mas me sentia meio perdida. Meses depois a greve acabou, me formei e comecei a trabalhar, agora éramos só eu e minha vó em casa (não posso esquecer de Regi com a gente). Quando tudo parecia estar voltando ao normal, tive minha primeira crise e fui diagnosticada com a síndrome do pânico. Segundo a minha médica na época, Dra. Vânia, o pânico foi a forma, ainda que tardia, que reagi a perda do meu avô. Nunca engordei tanto na minha vida, comecei a usar antidepressivos fazer terapia e outra coisas que conto depois, mas nunca mais fui a mesma.
02:20h

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Viver pra comer

Madrugada do dia 18 de abril de 2010


Aos treze começaram as paquerinhas (acho que esse termo já caiu em desuso), os meninos do condomínio, do colégio... Eu fui uma criança muito bonita e era uma pré-adolescente que chamava a atenção por já ter o corpo formado e um jeito de mocinha. Sempre fui muito centrada, talvez por conviver muito com adultos, então esse era um ponto a meu favor. Ao mesmo tempo, estava ganhando mais liberdade de ir e vir então passei a sair sozinha, a lanchar no colégio (acabaram-se as merendeiras), já podia ir a Shoppings com as amigas, shows...tudo com muita responsabilidade e meus pais deixavam porque eu sempre fui muito ajuizada. No entanto, comecei a fazer uma troca bastante perigosa que me faria pagar cada centavo das suas conseqüências mais tarde: comecei a comer muito, tudo! E como comia muito fora de casa e minha mãe trabalhava no turno em que eu ficava em casa, não tinha como ela perceber e me controlar. Eu fazia loucuras, lanchava muito na escola, na saída ia ao Mc Donald’s e quando chegava em casa ainda almoçava. Quase toda tarde eu pegava um livro de receitas da minha mãe e escolhia o que iria fazer: massas, doces, salgados... Hoje sei o quanto agredi o meu corpo e a minha saúde, mas na época, como fui engordando sem notar, não achava que fazia mal e nem questionava o porquê de estar fazendo aquilo. Eu só sei que quando parei pra observar, já tinha desenvolvido uma relação estranha com a comida e não conseguia parar. Era como um vício, eu comia mesmo que não estivesse gostoso, eu esperava pra ficar sozinha e não precisar dividir com ninguém ou comia, por exemplo, toda uma sobremesa que era para toda a família, sem me importar se os demais já haviam comido ou não. Era esquisito porque esse egoísmo não era algo próprio da minha personalidade, nem com dinheiro, roupas, maquiagem ou brinquedos, mas com a comida era assim. Hoje sei o nome daquela patologia: Compulsão Alimentar, mas na época eu nem sabia que isso existia. Eu me culpava muito, sentia muita raiva de mim, e me sentia uma fraca, mas hoje eu sei que eu era apenas uma menina com muito medo, cheia de tormentos e muito sozinha nesse aspecto, resolvi como deu e preciso me perdoar por isso. Passei a me esconder dos meus “fantasmas” embaixo de uma capa de gordura. Bom, sustento a tese de que fui substituindo a ansiedade e o medo excessivo trazidos da infância, pela comida. Troquei uma coisa pela outra e virei uma menina complexada e com pena de mim mesmo num dos momentos mais delicados e confusos da vida: a adolescência.
Passei então a fazer as dietas mais loucas que existem. Emagreci e engordei mais de vinte vezes, tudo muito rapidamente- o tal do efeito sanfona. E cada vez era mais sofrimento pra mim, eu me sentia um lixo porque numa semana as pessoas estavam me elogiando, dizendo que estava linda mais magra, que era pra eu continuar, mas eu inconscientemente me sabotava e engordava tudo de novo ou até mais e as mesmas pessoas não comentavam mais nada então eu lia nas entrelinhas: - Poxa, você engordou de novo, voltou a ficar feia, que pena!
Como na adolescência, grande parte da personalidade do indivíduo se forma, posso afirmar que fiquei com algumas seqüelas. Tive minha auto-estima bastante prejudicada e minha autoconfiança abalada. Raramente acredito em mim e sempre me surpreendo com minhas vitórias ou resultados positivos. Atualmente venho fazendo um grande esforço para me elogiar e aceitar que tenho qualidades, mesmo que às vezes aparente ser arrogante, mas esse é apenas um exercício. São coisas que estou dizendo a mim, para me convencer e levantar a minha auto-estima.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Vivendo com medo.

Tarde do dia 17 de abril de 2010


Sempre fui medrosa, desde que me lembro das coisas. Medo de ficar sozinha, medo do escuro, medo da noite, medo de dormir, medo, medo e medo. Sempre pedia pra dormir na cama com os meus pais, o que é aceitável quando se é muito pequena. Eu, no entanto, ainda fazia isso aos sete anos e tempos depois um deles era obrigado a ficar na minha cama até que eu adormecesse. Mas isso passou a não ser suficiente porque eu comecei a ter insônias e a me sentir ainda mais insegura, daí ia pra porta do quarto deles, batia e pedia para dormir lá, mas devido a minha idade e tentando agir de maneira pedagógica eles não deixavam e eu ficava ali sentada no chão por horas chorando e acabava indo pra cama de tão cansada ou pedia ao meu irmão, que é mais novo dois anos, que me deixasse dormir em sua cama ou que juntássemos as camas e isso já me fazia melhor.
Se estava num shopping, eu achava que poderia ocorrer um desabamento ou um escapamento de gás, qualquer barulho e meu coração disparava, eu queria ir embora, pedia aos adultos e lembro-me de ouvir criticas, do tipo: - você é muito mimada, não saio mais com você. Nos parques de diversões as outras crianças preocupadas em ir o máximo de vezes em cada brinquedo, enlouquecidas nas filas e eu observando as estruturas dos brinquedos, os cabos, os barulhos, achava que bem na minha vez algo daria errado, então fingia estar ansiosa pelo brinquedo, mas era medo de que uma tragédia acontecesse, às vezes chegava a suar frio. Já mais crescida, com uns 10 anos tomei pavor de avião. Achava que um iria cair bem em cima do meu prédio, então adquiri o costume de deixar o portão da minha casa aberto, pois tentava imaginar um plano de fuga caso percebesse que alguma aeronave ia cair. Nessa mesma época vivia atormentada com postes elétricos, não podia sentar perto de um ou debaixo de algum fio, não usava elevadores, pois a hipótese de ficar presa me deixava apavorada e me trazia a mente a sensação de estar num caixão viva. Enfim, eu tinha medo de ter medo, mas na época nem se falava em síndrome do pânico, e o que eu sei é que era uma menina muito atormentada cheia de fantasmas e que tinha certeza que com tantos riscos ao meu redor não viveria muito, talvez mais uns dois anos, quem sabe. Mas nunca imaginei que chegaria, por exemplo, aos 20 anos, quem dirá aos 30. Lembro-me de que a única coisa que eu pedia era pra ter certeza de que iria viver nem que fosse mais um dia inteiro, um mês, um ano ou dez, mas a certeza me faria relaxar porque eu vivia sob alerta, tensa.
Continua...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sem título

Madrugada do dia 17 de abril de 2010
1:33h

Fiz uma boa prova de penal, apesar de uma forte dor de cabeça. É que agora passo longos períodos sem comer, e não é por ignorância, sei tudo que devo ou não fazer, não sou burra, apenas estúpida. É assim, quero me desapegar da comida, tenho uma relação muito doentia com ela, daí fique em abstinência, longe do meu vício – quer dizer, essa é a minha leitura do fato porque faço inconscientemente. Mas não se trata de cigarro ou álcool, ou seja, preciso conviver diariamente com o meu vicio, sentir o seu cheiro, colocá-lo na minha boca e deixar que ele entre no meu corpo, e na quantidade certa. Que tal? Hoje há noite vi uma foto minha antiga de uns 16 anos atrás. Achei-me linda! Como queria conversar com aquela menina e dizer pra ela não fazer uma porção de bobagens porque tudo gera conseqüências e agora eu já sei. Não passa no rapaz do cachorro quente na volta da escola, não! Vai pra casa e almoça, lá tem comida saudável, se você for nesse ritmo vai se tornar uma jovem obesa, vai ficar muito infeliz por isso, se sentir excluída e vai comer mais ainda e engordar mais. Pode namorar a vontade, não se fecha assim, não fica esperando um príncipe, ele nem existe! Leia mais, estude mais, não faça muita besteira nos seus cabelos, se exercite, crie hábitos saudáveis, ponha o aparelho dentário e use numa boa, com disciplina ou vai continuar usando aos 28 anos. Se permita fazer besteiras, aprontar de vez em quando, ande com pessoas da sua idade, faça tudo que alguém na sua faixa etária faria, não queira ser ou parecer mais velha, um dia você realmente o será. Dedique mais tempo a você, seja mais vaidosa, assista aos noticiários, um dia tudo estará nos livros. NÃO TENHA MEDO DE NADA VOCE VAI VIVER PELO MENOS MAIS 16 ANOS, APROVEITE.

Um museu de grandes novidades

Madrugada de 16 de abril de 2010


A vida segue, agora com 28 anos, estamos em 2010! Esse não disse a que veio talvez este seja o meu papel, dizer por que vim, mas por enquanto não sei. Eu continuo nos meus padrões de comportamento repetitivos, coisa de psicólogo? Nan-não, coisa de Luana. A ortografia mudou amanhã tenho prova de penal, emagreci na semana passada, engordei nesta, briguei com minha avó na semana passada nesta estamos tentando nos perdoar. E aí, aonde eu vou morar? Kkkkkk quem souber, por favor me conte e então só terei o trabalho de levar minhas malas. Eh, na última briga (sexta passada) levei até mala pra Casa dos meus pais! Ai como eu sou ridícula. A prova de sociologia foi ótima, tem dias que me acho inteligente, Gu falou que sou culta e fiquei feliz. Saudades de Rian, minha alegria ver aquele sorriso! Meu irmão casadinho, trabalhando feito louco. Meu curso é incrível, cheio de possibilidades, minha vida amorosa vazia (e com isso não quero causar mágoa em ninguém), ainda não achei alguém que me complete, meu nome é solidão. Não tenho muitos amigos, não pra quem conto realmente tudo, geralmente nos momentos de crise sumo. Acho que sou uma pessoa reservada falo tanto mas cheguei a essa conclusão.

Mundo Cão

Madrugada do dia 04 de agosto de 2009


Nada está fácil, os remédios dão sono, entorpecem, mas se os suspendo, o corpo reclama porém os reflexos não são mais os mesmos, será que os recuperarei? O trabalho já não me faz feliz, me aprisiona, me faz refém; as pessoas se mostram cada dia mais e ainda me assusto com elas, na verdade tenho até medo de me acostumar com isso! Acho que esse é o tal “Mundo lá fora”, o “mundo cão” é com ele que me deparo agora! Nele as pessoas fazem aquilo que as interessam, movidas pelo dinheiro, pela conveniência, sem olhar a quem. Não existe espírito de solidariedade, amizade, altruísmo. E eu, aqui posso confessar, estou completamente despreparada para este mundo, ainda é tudo muito novo pra mim. Faço-me de forte, visto uma máscara e enfrento as coisas, tento responder à altura sem demonstrar o tamanho da minha decepção e me espanto diante de pessoas que eram inquestionáveis para mim. Mas por debaixo está àquela menina chorona, medrosa e assustada. Será que se tornar adulta consiste em perceber que as pessoas são perigosas e que não devemos confiar em ninguém? Enquanto eu era uma criança subserviente ou uma adolescente velha e me reservava a minha insignificância, ninguém se incomodava, pelo contrário, eu era uma peça, um criado-mudo que ali estava e que deveria ali continuar, como as Lídias, Reginas e tantas outras... Mas hoje sou uma mulher e tenho sonhos, estou tentando me curar de uma doença traiçoeira e difícil, quero seguir minha vida, construir coisas, sem precisar passar por cima de ninguém... Espero poder superar todos estes obstáculos e seguir em frente. Só eu sei o que passei... meus complexos, minhas privações, escolhas erradas movidas por uma vontade viciada e por uma inocência que me irrita bastante. Bem, o tempo não volta e por mais que me questionem eu sei quais são minhas verdadeiras intenções e isso me basta. Agora deve ter muita gente pagando pra ver no que vai dar, energias negativas aos montes mas também tem aqueles que torcem por mim, e me desejam felicidade. Serei muito carinhosa comigo, me darei o direito de errar ou acertar, mas o que não posso é deixar de tentar!
“Você pode se iludir
Mas ilusão custa caro
Pode até se divertir
Como um animal adestrado
Você tem direito a ter um advogado
Você pode falar
Mas é melhor ficar calado
A verdade é cruel
Mas é melhor que seja dita
Eu vou cuspir pro céu
Que ao menos me refresca a vista
Você pode pensar o que bem entender
Mas é melhor tomar cuidado
Que alguém pode se ofender”

Chega de medo e dor!

Quase meia-noite do dia 21 de julho de 2009


Passei no vestibular em Direito! Significa tanto pra mim. Respeito, vitória, a retomada de um sonho antigo! A sensação de que o tempo está voltando e me dando uma nova chance de concertar o que eu fiz de errado e de fazer o que me arrependo de não ter feito. Aliás desde o final de 2008 tenho tido alguns comportamentos que saem do meu padrão. Passei a me relacionar com uma turma bem mais nova, a sair de carro sem pedir, sair sem saber pra onde ir, voltei a me apaixonar, bebi demais, dei pequenos vexames, dancei muito...Foi uma espécie de adolescência tardia, já que na época eu muito mais fiquei com minha avó e cuidei de Felipe do que propriamente fui adolescente. E agora, cada vez mais, quero liberdade, clamo por paz e por badalação. Voltei a usar aparelho, fazer vestibular, pensar em dieta, maquiagem, namoro... voltei a fazer planos e a acreditar neles, por mais que pareçam tão distantes, e caros mas no meu caso uma pitada de ambição não vai fazer mal, eu sempre me contentei com pouco, com o que me foi dado e agora quero mais, quero tudo, quero descobrir o mundo! Não é tarde demais, tenho tempo e estou recomeçando!!


“Ei, dor!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada
Ei, medo!
Eu não te escuto mais
Você não me leva a nada...

E se quiser saber
Pra onde eu vou
Pra onde tenha Sol
É pra lá que eu vou...”

Vou me adaptar?

Manhã de 17 de julho de 2009

Estou no meu segundo dia de dieta. Como é difícil pra mim! Como é sacrificante, parece que falta alguma coisa, sempre. Comer é meu álcool, meu cigarro, meu vício e meu prazer! Mas as conseqüências dessa compulsão são desastrosas, machucam me fazem sofrer muito. Sinto-me inferior, ridícula, feia. Quero o sabor da vitória, Preciso de um substituto para esse amor, algo que me preencha, me faça passar mal, mas o que? Minha medicação está ok, minha consciência também, falta colocar tudo em prática e ir até o fim, coisa que nunca fiz. Eu me saboto, sou muitas vezes uma traidora, meu maior inimigo! Pois é, preciso vencê-lo. Acho que a depressão e o pânico foram o fundo do poço e agora estou com a ponta dos pés procurando algo que me impulsione e me faça voltar à tona, quero voltar crescer, a me reconhecer, saber quem eu sou. Acho que o fantasma dos 30 anos se aproximando pode me ajudar porque quero deixar tudo pronto antes dele chegar, tudo tem que estar equilibrado dentro de mim e não posso fazer essas mudanças na véspera. São muitas coisas, demandam tempo e cuidado porque não quero voltar a cair! Não quero tomar susto com a chegada dos trinta, quero que ele chegue e me encontre tranqüila e segura, dona de mim, pelo menos seguindo um caminho bem escolhido.

“ Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia, no espelho essa cara já não é minha, os anos se passaram enquanto eu dormia e quem eu queria , bem, me esquecia! Será que eu falei o ninguém ouvia, será que eu escutei o que ninguém dizia ...EU! Não vou, me adaptar!!!”

Só pra começar

Escrevo diários desde que aprendi a me comunicar por meio da escrita (e com isso não quero dizer que escrevo bem), anualmente os faço e ainda os tenho empilhados dentro de um armário de casa as vezes os revisito, riu, choro, lembro, faço uma viagem nas minhas memórias. Depois do notebook, no entanto, passei a escrever sempre que me dá vontade, as vezes mais de uma vez por dia e passei a pensar em dar vazão a esses textos apesar do conteúdo íntimo, Talvez essa fosse uma oportunidade de alguém tímido como eu se despir. Bem, sou aparentemente simples sem grandes mistérios e isso faz com que muitas pessoas achem que conseguem me decifrar facilmente e em pouco tempo, mas confesso que me vendo assim “de dentro” ainda não consegui tal feito então imagino os outros – não é nada que mereça as páginas policiais, que fique claro, mas que daria sim um livro de psicologia talvez não interessante, mas certamente volumoso.