sexta-feira, 16 de julho de 2010

Toda Forma de Amor

Um assunto delicado, tenho que ter cuidado ao falar, não posso ser vulgar, nem entrar em detalhes ou serei mal interpretada. Preciso falar com sutileza e elegância. Hum...que nome devo usar? Ô verbinho complicado de conjugar, devo procurar a melhor palavra. Nossa como a sociedade moderna é cheia de pudores pra falar de sexo! Não entre amigos, talvez, mas no geral é um assunto delicado. Por que temos a mania de afastar de nós as coisas que realmente nos são naturais? Os instintos mais primitivos? Será que essa civilidade toda nos faz bem? Já ouvi alguém falando que tem inveja dos cachorros porque eles não sabem que vão morrer um dia e por isso vivem despreocupadamente, além de poderem fazer sexo no meio da rua sem serem presos por atentado violento ao pudor.
Mas há pouco tempo descobri que nem todo mundo tem esses instintos. Digo, andei lendo sobre pessoas assexuadas, achei curioso e resolvi pesquisar um pouco. São pessoas que não se interessam por sexo, ao menos a dois. Olha a diversidade em que vivemos! Caiu por terra mais uma ideia absoluta, nem o sexo é uma unanimidade. Pensei em duas coisas, será que conheço alguém nessa condição? (gostaria de conhecer). E outra, o que Freud diria sobre isso, já que para ele tudo gira em torno do sexo? Imagina só, um homem que não prioriza o sexo? Bom, eu achei essa coisa toda muito interessante, na História, pelo menos nas coisas que estudei sobre gênero na época da graduação, não vi notícias sobre essas pessoas. Minto! Li parte de um livro certa vez que contava a fábula de uma jovem moça que engravidou e ainda assim continuou virgem, uma tal de Maria, com todo respeito, heim? Brincadeiras a parte, essas pessoas não são santas, recalcadas ou abstêmias, são completamente normais, levam uma vida como todos. Sentem desejo, até se masturbam mas não direcionam sua libido para outrem, seja do mesmo sexo ou do sexo oposto. Alguns estudiosos afirmam ser esse um problema hormonal, uma patologia. Claro que não custa ver como andam as taxas de hormônios mas eu desconfio dessa tese científica porque tenho medo que o tratamento dado aos homossexuais (o homossexualismo era visto como doença pela OMS até o início da década de 90) se repita e por isso prefiro acreditar que toda forma de amor é justa e vale a pena, porque sim, vi depoimentos de pessoas assexuadas e elas também amam. Alguns disseram que ao se relacionar com pessoas comuns, quando ainda pensavam estar sozinhos no mundo, questionavam e tinham questionada sua sexualidade e muitos procuravam relações homossexuais para ver qual era, mas não fazia diferença. Mesmo quando em relacionamentos gays eles ainda assim não se interresavam por sexo. Começaram a procurar pessoas iguais, fazer terapia e conseguiram sucesso por vias anônimas como a internet. Hoje, muitos se conhecem e até se relacionam amorosamente, o que deve ser bem mais fácil para eles; mas como ninguém manda no coração imagino que vez ou outra se apaixonem por pessoas que não fazem parte do grupo. Bom, eles são uma exceção à regra e isso deve ser bem difícil, mas a cada dia que passa, eu me convenço mais de que cada um tem que buscar sua felicidade da forma que for possível, se respeitando muito, sempre!

2 comentários:

  1. Eu sempre discordo demais de "ninguém manda no coração". Eu acho que até amor é escolha. Em última instância, escolha de alimentar o sentimento que surge, não bloqueá-lo, etc.

    E acho que sexo está superestimado...rs. Nunca falo isso porque as pessoas vivem constantemente naquela vibe de "ohhh, como eu adoro sexo" e qualquer outra opinião é logo catalogada na caixa da opinião de mulheres frígidas.

    Mas eu juro que sempre me surpreendo com gente que acha que sexo é a melhor coisa da vida. Pq na minha lista tem bastante coisa antes. Uma viagem a Paris, por exemplo....hahahahahaha

    Beijos, minha querida. Você é ótima e estou adorando te ler.

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  2. Dani,
    Também acho que sexo não é a melhor coisa da vida, por isso fiquei tão fascinada por essas pessoas "assexuadas" e disse que queria conhecer alguém assim. Imagino que elas tenham milhares de formas de sentir prazer em vários aspectos; em coisas simples da vida e que deva sobrar tempo pra uma variedade de pensamentos, conversas e outras coisas. E sim, esse discurso pró-sexo também me enche o saco!

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